Saúde e Bem-estar

Linfoma não Hodgkin: entenda o câncer que matou Netinho

O linfoma não Hodgkin afeta células de defesa e apresenta diferentes subtipos. Conheça os sintomas, os fatores de risco e as opções de tratamento.

- a foto mostra Netinho vítima de câncer
Fonte: Netinho l Acervo Pessoal

O linfoma não Hodgkin é um tipo de câncer que afeta os linfócitos, células responsáveis pela defesa do organismo. A doença ganhou atenção após a morte do cantor Netinho, aos 60 anos, em 13 de outubro de 2026. O artista tinha um subtipo raro e agressivo, chamado linfoma plasmablástico.

A doença começa no sistema linfático, uma rede de vasos, gânglios e órgãos que participa da defesa contra infecções. Quando os linfócitos sofrem alterações genéticas, eles podem se multiplicar descontroladamente e formar tumores.

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Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 10.180 novos casos de linfoma não Hodgkin em 2026. Desse total, 5.370 devem ocorrer em homens e 4.810 em mulheres.

O que é o linfoma não Hodgkin?

O sistema linfático transporta a linfa, um líquido que contém células de defesa, e inclui estruturas como os linfonodos, o baço e as amígdalas. Os linfonodos, conhecidos como gânglios linfáticos, ficam em regiões como pescoço, axilas e virilhas.

No linfoma não Hodgkin, os linfócitos se multiplicam de maneira desordenada e podem se acumular nesses gânglios ou em outros órgãos.

A doença apresenta diferentes subtipos, classificados conforme a célula afetada e as características do tumor. Cerca de 85% dos casos envolvem linfócitos B. Os demais podem atingir linfócitos T ou células natural killer (NK), que também participam da resposta imunológica.

No caso de Netinho, a doença correspondia ao linfoma plasmablástico, um subtipo raro de linfoma B. A hematologista Talita Maira Bueno da Silveira, do A.C. Camargo Cancer Center, explicou que essa forma costuma apresentar comportamento agressivo e maior dificuldade de tratamento.

Quais são os sintomas do linfoma não Hodgkin?

Os sinais variam conforme o subtipo, a localização e a velocidade de crescimento do tumor. Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Aumento dos gânglios no pescoço, nas axilas ou nas virilhas;
  • Febre persistente sem causa aparente;
  • Suores noturnos intensos;
  • Perda de peso sem explicação;
  • Cansaço persistente.

Algumas pessoas também apresentam coceira, tosse, dor abdominal, náuseas ou vômitos. Quando a doença afeta determinadas regiões, pode provocar dificuldade para respirar ou outros sintomas relacionados ao órgão comprometido.

Esses sinais não confirmam câncer, pois também aparecem em outras condições. Entretanto, o aumento persistente dos gânglios ou sintomas sem explicação justificam uma avaliação médica.

Quais são os fatores de risco?

Os pesquisadores ainda não conhecem todas as causas do linfoma não Hodgkin. No entanto, alguns fatores aumentam o risco de desenvolver a doença.

Entre eles estão idade avançada, alterações no sistema imunológico, doenças autoimunes, exposição à radiação e determinadas substâncias tóxicas. Algumas infecções também apresentam associação com certos subtipos, como as provocadas pelo vírus Epstein-Barr, pelo HIV e pelo HTLV.

A bactéria Helicobacter pylori também se relaciona a alguns tipos específicos de linfoma. Ter um fator de risco, porém, não significa que a pessoa desenvolverá câncer.

Como os médicos diagnosticam o linfoma?

A investigação pode incluir exames de imagem e análise de tecidos. A biópsia de um linfonodo permite identificar as células tumorais e determinar o subtipo da doença.

Depois, exames como tomografia, ressonância magnética e PET-CT ajudam a avaliar a extensão do linfoma. Em situações específicas, a equipe também examina a medula óssea.

O estadiamento classifica a doença de I a IV, conforme sua distribuição pelo organismo. Essa informação orienta a escolha do tratamento.

Quais são os tratamentos disponíveis?

O tratamento depende do subtipo, do estágio, dos sintomas e das condições gerais do paciente. As opções incluem quimioterapia, radioterapia, anticorpos monoclonais, terapias-alvo e, em situações específicas, transplante de células-tronco.

A hematologista Talita Maira Bueno da Silveira destaca os avanços nas terapias direcionadas às células tumorais e nos tratamentos que estimulam o sistema imunológico.

Entre essas estratégias estão os anticorpos biespecíficos e a terapia CAR-T, que modifica células de defesa do próprio paciente para reconhecer e combater o câncer. A equipe considera essas opções conforme as características da doença e a resposta aos tratamentos anteriores.

O diagnóstico precoce e a identificação correta do subtipo ajudam a orientar as decisões terapêuticas. Por isso, sintomas persistentes merecem avaliação médica, sem que a presença de um sinal isolado provoque conclusões precipitadas.

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