Pesquisa brasileira usa células-tronco contra complicações do transplante de medula
Pesquisadores brasileiros avançam em terapia inovadora com células-tronco para tratar complicações do transplante de medula.

Uma pesquisa desenvolvida no Paraná abre novos caminhos para pacientes que enfrentam complicações após o transplante de medula óssea. Cientistas trabalham em uma terapia avançada com células-tronco que já apresentou resultados animadores em estudos iniciais.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiPesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) desenvolvem o tratamento com foco em uma condição grave chamada Doença do Enxerto Contra o Hospedeiro (DECH). O problema surge quando células de defesa presentes na medula doada atacam o organismo do paciente. A condição pode aparecer nos primeiros 100 dias após o transplante. Nesse cenário, médicos classificam o quadro como agudo. Entretanto, os sintomas também podem surgir anos depois, caracterizando a forma crônica.
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Complicação pode atingir pele, fígado e sistema digestivo
A DECH aguda afeta principalmente a pele e o sistema gastrointestinal. Os pacientes podem apresentar vermelhidão, ardência, náuseas, cólicas e alterações no funcionamento do fígado.
Já a forma crônica pode comprometer várias regiões do corpo. Em situações mais severas, o paciente enfrenta dificuldade respiratória, rigidez dos movimentos e aparecimento de úlceras.
Atualmente, médicos utilizam corticosteroides para controlar a inflamação. Contudo, muitos pacientes não respondem bem ao tratamento. Além disso, alguns medicamentos provocam efeitos tóxicos importantes.
Terapia brasileira busca agir na origem do problema
Os pesquisadores desenvolveram uma alternativa chamada MesenCell. A terapia utiliza células-tronco mesenquimais retiradas da medula óssea de doadores. Especialistas processam o material em laboratório e armazenam as células até a aplicação.
O objetivo principal envolve controlar diretamente a resposta imunológica. A tecnologia atua sobre células responsáveis pelo ataque ao organismo e reduz a proliferação dessas estruturas. Consequentemente, o tratamento diminui inflamações e ajuda o sistema imunológico a recuperar o equilíbrio.
Resultados iniciais aumentam expectativa
Os pesquisadores já realizaram um estudo-piloto com 11 pacientes diagnosticados com DECH crônica. Os resultados chamaram atenção. Metade dos participantes apresentou remissão completa. Além disso, a terapia melhorou 75% das complicações gastrointestinais e controlou totalmente os sintomas de pele, inclusive nos casos mais graves. Os cientistas também observaram melhora em pacientes com endurecimento severo da pele, condição que compromete a mobilidade corporal.
Nova fase de estudos começa em setembro
A equipe iniciará uma nova etapa clínica com 20 pacientes. Os testes ocorrerão em três centros especializados do Paraná. O grupo recebe financiamento público para desenvolver a pesquisa. Posteriormente, os cientistas pretendem buscar parceria com a indústria farmacêutica. A iniciativa fortalece a ciência nacional e amplia perspectivas para pacientes que enfrentam desafios após o transplante de medula óssea. O avanço também reforça o potencial da medicina regenerativa brasileira no desenvolvimento de tratamentos mais modernos, seguros e eficazes.
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