Saúde e Bem-estar

Pesquisa da Ufes aponta relação entre dieta e depressão

Pesquisa da Ufes com mais de 7,6 mil brasileiros encontrou associação entre padrões de nutrientes e diagnóstico de depressão.

A foto mostra relação entre alimentação e depressão
Fonte: Magnific

A alimentação pode ter relação com a saúde mental. Uma pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) encontrou associação entre padrões de nutrientes e depressão em adultos.

O estudo analisou dados de 7.617 participantes do projeto CUME+, coletados entre 2016 e 2022. Do total, 13,2% relataram diagnóstico de depressão.

Receba as principais notícias no seu WhatsApp!

Leia também – Plástico na gravidez é ligado a sinais de autismo e TDAH

Os pesquisadores identificaram diferentes padrões de consumo. Um deles apresentou associação com maior probabilidade de depressão. Outro, marcado por nutrientes de perfil anti-inflamatório, apareceu relacionado a uma menor probabilidade do diagnóstico.

Quais alimentos apareceram associados a menor risco?

O padrão considerado anti-inflamatório reuniu nutrientes encontrados com maior frequência em alimentos como frutas, verduras, oleaginosas e grãos integrais.

Abacate, castanhas, aveia, legumes e hortaliças fazem parte desse perfil alimentar. O padrão também apresentou maior presença de gorduras insaturadas e minerais, como o selênio.

Na análise, esse padrão apareceu associado a uma redução de aproximadamente 25% na probabilidade de diagnóstico de depressão. O resultado também apareceu em alguns subgrupos avaliados pelos pesquisadores.

Isso não significa que esses alimentos funcionem como tratamento para a depressão. A associação indica que pessoas com determinado padrão alimentar apresentaram, assim, menor frequência do diagnóstico naquele grupo estudado.

E quais nutrientes apareceram associados à depressão?

Os pesquisadores também identificaram um padrão baseado principalmente em nutrientes provenientes de alimentos de origem animal. Entre pessoas com peso considerado normal, esse perfil apresentou associação com maior probabilidade de depressão.

O resultado, porém, precisa de interpretação cuidadosa. O estudo não permite afirmar que o consumo desses alimentos provoque depressão.

A pesquisa avaliou associações entre alimentação e diagnóstico. Portanto, outros fatores também podem influenciar os resultados.

Por que a alimentação pode influenciar a saúde mental?

O cérebro depende de energia e de diversos nutrientes para funcionar adequadamente. Alguns nutrientes participam da formação de substâncias envolvidas na comunicação entre as células nervosas.

A alimentação também pode influenciar processos relacionados à inflamação e ao metabolismo. Por isso, os pesquisadores investigam cada vez mais a relação entre dieta e transtornos mentais.

O estudo da Ufes reforça justamente essa visão. Em vez de analisar um único nutriente, os pesquisadores avaliaram padrões formados pela combinação de diferentes nutrientes.

Alimentação pode substituir o tratamento da depressão?

Não. A alimentação saudável pode fazer parte dos cuidados com a saúde mental, mas não substitui avaliação e tratamento profissional quando existe depressão.

A doença apresenta causas múltiplas e pode envolver fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais. Por isso, cada pessoa precisa de uma avaliação individualizada.

O estudo também apresenta uma limitação importante. Como os pesquisadores analisaram dados de um determinado período, não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito entre alimentação e depressão.

O que a pesquisa acrescenta?

O trabalho. desse modo, amplia o conhecimento sobre a relação entre alimentação e saúde mental em brasileiros. A pesquisa foi desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Saúde da Ufes e publicada no periódico International Journal of Food Sciences and Nutrition.

Para a população, a principal mensagem está no conjunto da alimentação. Uma rotina com variedade de alimentos in natura ou minimamente processados, frutas, verduras, legumes, grãos e fontes de gorduras insaturadas favorece uma alimentação adequada.

A pesquisa não transforma comida em remédio para depressão. Ela mostra, porém, que aquilo que está no prato pode fazer parte de uma estratégia mais ampla de cuidado com a saúde física e mental.

Você no aquinoticias.com

Presenciou algo importante na sua cidade? Tem uma denúncia, reclamação ou um vídeo exclusivo? Sua sugestão pode virar notícia. Envie agora para o nosso WhatsApp: (28) 99991-7726