SUS aprova tratamento menos invasivo para crianças com hemofilia A
Ministério da Saúde aprova protocolo para uso de emicizumabe em crianças de até 6 anos com hemofilia A que atendam aos critérios clínicos.

Protocolo prevê uso de emicizumabe em pacientes de até 6 anos sem inibidores do fator VIII e estabelece critérios para acesso à terapia. Crianças de até 6 anos com hemofilia A poderão receber um tratamento que dispensa as infusões frequentes diretamente nas veias.
O Ministério da Saúde aprovou um protocolo para o uso de emicizumabe pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando as opções de cuidado para pacientes que atendam aos critérios estabelecidos.
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A medida consta de uma portaria publicada no Diário Oficial da União em 15 de outubro de 2026. O documento define as condições para indicar o medicamento, os critérios de inclusão e exclusão e as regras para organizar o atendimento em todo o país.
Como funciona o tratamento da hemofilia A em crianças?
A hemofilia A é uma doença genética que compromete a coagulação do sangue. Ela ocorre quando o organismo apresenta deficiência do fator VIII, uma proteína que participa do processo responsável por interromper sangramentos.
Por isso, pessoas com a condição podem apresentar hemorragias prolongadas após ferimentos e procedimentos médicos. Também podem sofrer sangramentos espontâneos, inclusive nas articulações e nos músculos, que provocam dor e podem causar danos quando se repetem.
O tratamento busca prevenir ou controlar esses episódios e reduzir complicações. A escolha da terapia depende das características de cada paciente e da avaliação da equipe de saúde.
Quais são os benefícios do emicizumabe?
O emicizumabe atua favorecendo a coagulação sanguínea e ajuda a reduzir a ocorrência de sangramentos em pessoas com hemofilia A. Um dos principais diferenciais está na forma de aplicação.
Enquanto a reposição tradicional do fator VIII exige infusões intravenosas, o emicizumabe permite a aplicação por via subcutânea, ou seja, sob a pele.
Entre os benefícios dessa abordagem, estão:
- Aplicação menos invasiva: o medicamento não exige acesso direto a uma veia.
- Prevenção de sangramentos: a terapia ajuda a diminuir a frequência desses episódios.
- Possível redução da dificuldade no tratamento: a via subcutânea pode facilitar a administração, especialmente na infância.
A indicação, porém, depende dos critérios do protocolo e da avaliação clínica. O medicamento não representa uma cura para a hemofilia e não elimina a necessidade de acompanhamento especializado.
Quem poderá receber o medicamento pelo SUS?
O protocolo aprovado prevê o uso do emicizumabe para crianças de até 6 anos com hemofilia A que não apresentam inibidores do fator VIII.
Os inibidores são anticorpos produzidos pelo sistema imunológico que podem dificultar ou neutralizar a ação do fator VIII administrado no tratamento. A presença dessas substâncias influencia a escolha da terapia.
A portaria estabelece critérios para diagnóstico, inclusão e exclusão de pacientes, além de orientações sobre tratamento, regulação e avaliação. Portanto, a aprovação não significa que todas as crianças com hemofilia A receberão automaticamente o medicamento.
O paciente ou seu responsável legal também deverá receber informações sobre os possíveis riscos, efeitos colaterais e eventos adversos associados à terapia.
Como será organizado o atendimento pelo SUS?
A implementação do protocolo depende da organização dos serviços de saúde em todo o território nacional. As secretarias estaduais, distrital e municipais deverão definir os serviços de referência e estabelecer os fluxos de atendimento.
Essas medidas devem orientar o acesso ao tratamento e acompanhar as diferentes etapas da assistência. O protocolo completo ficará disponível no site do Ministério da Saúde, na seção de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas.
A aprovação representa um avanço nas opções de tratamento para crianças pequenas com hemofilia A. Ao permitir uma forma de aplicação menos invasiva e buscar reduzir os sangramentos, a terapia pode contribuir para o cuidado cotidiano. O acesso, entretanto, dependerá do cumprimento dos critérios clínicos e da organização da rede pública de atendimento.
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