Saúde e Bem-estar

Taxar ultraprocessados pode salvar milhares de vidas

Pesquisadores estimam que aumento de impostos sobre ultraprocessados pode prevenir doenças e salvar vidas.

A foto mostra alimentos ultraprocessados
Fonte: Magnific

O avanço do sobrepeso e da obesidade preocupa especialistas em saúde pública. Se a tendência atual continuar, o Brasil poderá registrar cerca de 10 milhões de novos casos de doenças crônicas relacionadas ao excesso de peso até 2044. Além disso, mais de 1 milhão de mortes podem ocorrer em consequência dessas enfermidades.

Diante desse cenário, pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) avaliaram como a taxação de alimentos ultraprocessados poderia impactar a saúde da população. Os resultados indicam que a medida pode reduzir significativamente casos de diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aqui

Leia também – Seja esperto: saiba se defender do efeito “halo” de alimentos ultraprocessados

O que são alimentos ultraprocessados?

Os ultraprocessados incluem produtos industrializados que recebem grandes quantidades de açúcar, gordura, sódio e aditivos químicos para aumentar o sabor, a durabilidade ou a aparência.

Entre os exemplos mais consumidos estão refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados, embutidos, macarrão instantâneo e diversos produtos prontos para consumo.

Nas últimas décadas, o consumo desses alimentos cresceu no Brasil. Atualmente, eles já representam cerca de 20% das calorias ingeridas pelos brasileiros.

Estudo aponta redução de doenças e mortes

Segundo a pesquisa, uma taxação de 10% sobre os ultraprocessados poderia evitar cerca de 526 mil novos casos de doenças associadas ao excesso de peso e prevenir aproximadamente 71 mil mortes até 2044.

Quando os pesquisadores simularam uma taxa de 20%, os benefícios aumentaram. Nesse cenário, o país poderia evitar 861 mil novos casos de doenças crônicas e cerca de 115 mil óbitos.

Já uma tributação de 50% apresentou os resultados mais expressivos. A projeção aponta a prevenção de 1,8 milhão de casos de doenças e mais de 237 mil mortes ao longo de duas décadas.

Especialistas defendem medidas complementares

Apesar dos resultados positivos, especialistas alertam que a taxação, sozinha, não resolve o problema da obesidade.

Pesquisadores destacam a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas para educação alimentar, regulação da publicidade de alimentos e incentivo ao consumo de produtos naturais.

Outro desafio envolve o aumento dos preços de alimentos saudáveis. Estudos recentes mostram que frutas, verduras e outros alimentos in natura ficaram proporcionalmente mais caros nos últimos anos, reduzindo o poder de compra da população.

Reforma tributária já prevê cobrança sobre bebidas açucaradas

No Brasil, a reforma tributária aprovada em 2023 criou o chamado imposto seletivo. A medida começa a valer a partir de janeiro e prevê a taxação de bebidas açucaradas, como refrigerantes, sucos industrializados e chás prontos.

Para especialistas, a combinação entre tributação, educação alimentar e ampliação do acesso a alimentos saudáveis pode representar um passo importante para reduzir o avanço das doenças crônicas e melhorar a qualidade de vida da população.

Você no aquinoticias.com

Presenciou algo importante na sua cidade? Tem uma denúncia, reclamação ou um vídeo exclusivo? Sua sugestão pode virar notícia. Envie agora para o nosso WhatsApp: (28) 99991-7726

Formada em Letras e Direito, com especialização em Linguística, Literatura e Publicidade & Propaganda. Possui experiência em Gestão Pública e Pedagógica. Atua na editoria de Saúde e Bem-Estar do AQUINOTICIAS.COM, na plataforma Viva Vida.