Saúde e Bem-estar

Vacinação contra poliomielite cai e nenhuma região atinge meta em 2026

A foto alude à vacinação contra poliomielite
Fonte: Magnific

A poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, é uma doença viral que pode provocar paralisia permanente e até levar à morte. Embora o Brasil não registre casos de poliovírus selvagem há mais de 30 anos, a baixa vacinação voltou a preocupar.

Pelo segundo ano consecutivo, a cobertura vacinal contra a doença caiu no país. Dados do Ministério da Saúde mostram que apenas 88,16% das crianças receberam o esquema primário em 2026, considerando os registros até setembro.

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O índice permanece abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Além disso, nenhuma das cinco regiões brasileiras alcançou o percentual recomendado.

A situação preocupa especialmente por causa das doses de reforço. A cobertura da segunda dose chegou a apenas 74,80%, deixando aproximadamente uma em cada quatro crianças sem essa etapa da proteção.

Por que a queda na vacinação contra poliomielite preocupa?

A vacina protege contra o poliovírus, que pode atingir o sistema nervoso e comprometer os movimentos do corpo. Em situações graves, a infecção provoca paralisia irreversível.

Embora o Brasil não registre casos de poliovírus selvagem há mais de três décadas, o risco de reintrodução continua existindo.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) classifica o país como território de risco muito alto para a volta da circulação da poliomielite nas Américas.

Isso acontece porque o vírus ainda circula em algumas partes do mundo. Portanto, pessoas infectadas podem introduzi-lo em países que apresentam baixa cobertura vacinal.

A meta de 95% busca manter a proteção coletiva e reduzir as oportunidades de transmissão. Quando muitas crianças deixam de receber as doses, o vírus encontra grupos mais vulneráveis.

Cobertura vacinal cai pelo segundo ano consecutivo

Os registros da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), do Ministério da Saúde, mostram a sequência de queda na imunização.

Em 2024, a cobertura alcançou 90,83%. No ano seguinte, caiu para 88,73%. Já em 2026, chegou a 88,16%, considerando os dados disponíveis até setembro.

O cenário também preocupa na aplicação dos reforços. Em 2026, os índices foram:

  • Esquema primário: 88,16%.
  • Primeiro reforço: 84,07%.
  • Segundo reforço: 74,80%.

A diferença entre as etapas indica que parte das famílias não completa o calendário vacinal. Entretanto, todas as doses têm importância para manter a proteção contra a doença.

Nenhuma região brasileira alcança a meta de vacinação

A baixa cobertura aparece em todas as regiões do país. Em 2026, nenhuma atingiu os 95% recomendados para a imunização.

Os dados do esquema primário e do primeiro reforço mostram diferenças regionais:

RegiãoEsquema primário1º reforço
Sul92,61%84,35%
Centro-Oeste88,82%85,45%
Nordeste87,58%83,86%
Sudeste87,40%83,61%
Norte85,93%84,72%

O Sul apresenta a maior cobertura do esquema primário, enquanto o Norte registra o menor índice nessa etapa.

No entanto, todas as regiões permanecem abaixo da meta. Por isso, a recuperação da vacinação exige atenção em todo o território nacional.

Qual é o calendário da vacina contra poliomielite?

O SUS oferece gratuitamente a Vacina Inativada Poliomielite (VIP), aplicada por injeção. O calendário prevê cinco doses durante a infância:

  • 2 meses: primeira dose.
  • 4 meses: segunda dose.
  • 6 meses: terceira dose.
  • 15 meses: primeiro reforço.
  • 4 anos: segundo reforço.

O esquema atual utiliza exclusivamente a vacina inativada, que substituiu as tradicionais gotinhas nas etapas de reforço.

Na rede privada, também existe a vacina hexavalente acelular. Ela protege contra seis doenças: poliomielite, difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções por Haemophilus influenzae tipo b.

Como atualizar a vacina contra paralisia infantil?

Pais e responsáveis devem conferir a caderneta de vacinação das crianças. Caso existam doses atrasadas, a orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS).

Crianças com até 4 anos, 11 meses e 29 dias podem atualizar gratuitamente a vacinação pelo SUS. A equipe de saúde verifica o histórico e aplica as doses necessárias.

Além disso, não é preciso reiniciar o esquema quando a criança apresenta atraso. O profissional identifica as doses pendentes e orienta a continuidade da imunização.

A partir dos 5 anos, a vacinação de rotina contra a poliomielite deixa de integrar o calendário universal do SUS. Nesses casos, a Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda completar o esquema com três doses na rede privada.

Manter a caderneta atualizada continua sendo uma das principais formas de proteger as crianças contra a paralisia infantil. Mesmo sem casos recentes no país, a queda da cobertura reforça a importância de não adiar nenhuma dose.

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