Comissão de Saúde da Assembleia do ES discute terapia renal

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) se reuniu, nesta terça-feira (28), para tratar do tema “Terapia Renal Substitutiva – Principais desafios do SUS”. O assunto foi abordado pelo chefe do Serviço de Nefrologia do Hospital das Clínicas, Lauro Monteiro Vasconcellos Filho, e o colega nefrologista da Santa Casa de Cachoeiro de Itapemirim, Sérgio Damião Santanna Moraes.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiLauro Monteiro explicou que muitas vezes os problemas renais podem não apresentar sintomas até a situação se agravar.
“Cinco são os estágios da doença renal. Nas fases 1 e 2, podemos até reverter e o rim voltar ao seu funcionamento normal. Na fase 5, menos de 10% dos rins estão funcionando. É só hemodiálise e transplante”, alertou o médico.
Por isso, o nefrologista alertou que uma a cada dez pessoas tem doença renal sem saber. Segundo revelou, 3.200 pacientes estão em diálise e 1.100 destes estão na fila de transplante no estado.
Prevenção
Para reduzir esses números, o médico entende que é fundamental focar em prevenir a doença renal crônica: “A prevenção é o exame de urina simples e exame de sangue para saber o nível de creatinina. A rede pública oferece. É preciso fazer anualmente”.
Lauro Monteiro ressaltou que as principais causas de doença renal são a hipertensão e o diabetes. “Há outros fatores como obesidade, cigarro e o consumo excessivo de anti-inflamatório”, acrescenta.
Hemodiálise x transplante
Além da prevenção, Lauro Monteiro expôs que o Estado focou nos últimos anos na criação de mais centros de diálise, uma vez que havia poucos e as pessoas acabavam recorrendo aos hospitais, que ficavam lotados de pacientes renais. Entretanto, destacou que o transplante é o tratamento que mais dá qualidade de vida e que é preciso investir em centros de transplantes.
“Em 2006, o Espírito Santo tinha quinze centros de diálise e cinco centros de transplantes. Hoje nós temos vinte e dois centros de diálise e dois centros de transplantes. Em 2017, fizemos 108 transplantes. Em 2022, fizemos 76. Em 2023, ainda queremos chegar aos índices de 2017. Isso é uma tragédia”, pontuou.
De acordo com o médico, os desafios no Estado passam pela implantação de equipe específica 24 horas de captação de órgãos, além da criação de novos serviços de transplante e centro de transplante pediátrico, bem como a implementação de programa de prevenção, com centros regionais de prevenção.
O nefrologista Sérgio Damião Santanna Moraes concordou. “O transplante é o que dá mais qualidade de vida. Sem dúvida”. Ele também entende que a prevenção da doença renal é crucial. “É possível prevenir. É mais barato e mais eficaz. O paciente está chegando pela porta do pronto-socorro. Isso aumenta o custo e a mortalidade. Não estamos fazendo o básico bem feito”, observou.
Sérgio destacou ainda a quantidade de vulneráveis no país. “Vamos envelhecendo e ficando vulneráveis. Diabéticos, fumantes, hipertensos também são vulneráveis. A maioria dos brasileiros não tem o privilégio de se prevenir da doença renal crônica. Isso é um desafio”, pontuou.
O médico chamou a atenção ainda da situação dos pacientes renais no sul do estado. “Temos que ampliar a terapia renal. Os pacientes de Cachoeiro estão saindo do município. Não estamos dando condições para que eles fiquem lá. Isso não deveria acontecer. Temos que juntar forças para o sul do estado. Temos um problema regional”.
Sesa
A gerente de Regulação do Acesso à Assistência à Saúde da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Alessandra Baque Berton, destacou que as principais metas no que diz respeito à terapia renal substitutiva no estado são regular as vagas em clínicas de hemodiálise em até 72 horas após a solicitação; manter o paciente dentro da sua região de saúde, o mais próximo possível de seu domicílio; organizar e padronizar o acesso aos serviços de diálise e contribuir para a linha de cuidado do paciente renal crônico.
Para alcançar essas metas, Alessandra pontuou uma série de desafios a serem superados, como adesão integral do paciente ao protocolo proposto; a correção de vazios assistenciais em algumas regiões de saúde do estado e garantia de acesso ao público pediátrico.
A reunião foi presidida pelo presidente do colegiado de Saúde, Dr. Bruno Resende (União), e teve a participação dos colegas Hudson Leal (Republicanos), Callegari (PL) e Zé Preto (PL).
De acordo com o Ministério da Saúde, a terapia renal substitutiva é uma das modalidades de substituição da função renal por meio de hemodiálise, diálise peritoneal e transplante renal.
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