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Espírito Santo

Indústria do ES cresce 18,6% e tem a maior alta do país

Parte do bom desempenho da indústria capixaba pode ser explicada pelo crescimento da produção de petróleo e gás natural

Por Redação

4 mins de leitura

em 08 de abr de 2023, às 08h47

Foto: André Valetim | Petrobrás
Foto: André Valetim | Petrobrás

A indústria capixaba começou 2023 com resultado positivo. Ela cresceu 18,6% em janeiro deste ano, na comparação com o mês anterior. Com o percentual, o Espírito Santo teve o melhor indicador entre os locais pesquisados pelo IBGE e bem acima da média do Brasil (-0,3%).

Os dados foram compilados pelo Observatório da Indústria da Findes e fazem parte da pesquisa de Produção Industrial Mensal (PIM) do IBGE, divulgada na última quinta-feira (6).    

Parte do bom desempenho da indústria capixaba em janeiro pode ser explicada pelo crescimento da indústria extrativa. De acordo com a Agência Nacional de Petróleo (ANP), a produção de petróleo cresceu 31,9% e de gás natural 20,4%, nesse período.

A presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Cris Samorini, comenta que, para este ano, o mercado espera uma valorização do preço das commodities metálicas e energéticas, principalmente a partir do segundo semestre.

“Como somos um estado com vocação natural ao comércio internacional, isso beneficiará a produção e as exportações industriais capixabas. Vale ressaltar que a cotação do petróleo já está em rota de recuperação e deve acelerar ainda mais a partir da metade deste ano, o que aumenta o valor das nossas exortações”, aponta.

Apesar do resultado positivo da produção industrial capixaba de janeiro, as outras bases de comparação foram negativas para o Estado.

Na comparação de janeiro de 2023 com o mesmo mês de 2022, a indústria geral do capixaba recuou 6,5%. Os principais responsáveis pelo desempenho foram a indústria extrativa (-4,2%) e da transformação (-10,7%).

Todas as atividades apresentaram recuo nessa comparação interanual: produtos alimentícios (-8,5%); celulose, papel e produtos de papel (-13,9%); produtos de minerais não-metálicos (-23,8%); e metalurgia (-2,2%), que foi impactada pela menor demanda mundial de aço no início deste ano, principalmente por parte do setor da construção.

Segundo a gerente executiva do Observatório da Indústria e economista-chefe da Findes, Marília Silva, é importante destacar que, mesmo com a queda geral na produção industrial, houve o crescimento na produção de certos produtos dessas atividades industriais capixabas.  

“Na indústria extrativa, tivemos um aumento da pelotização de minério de ferro, beneficiada pela melhora da cotação internacional deste produto; na produção de alimentos, ocorreu expansão da fabricação de carnes bovinas e de leite de coco; e a metalurgia que registrou avanços produtivos nos ligotes e blocos de aço e nos tubos flexíveis de ferro e aço”, aponta.

Já no acumulado em 12 meses, a indústria do Espírito Santo retraiu 9,7%, sob a influência da menor produção da indústria extrativa (-18,9%), produtos alimentícios (-6,6%), produtos de minerais não metálicos (-11,2%) e metalurgia (-4,7%). Por outro lado, a fabricação de celulose, papel e produtos de papel avançou 4,4% nesse período, beneficiada pela demanda mundial por fibra curta e longa.

Mudanças no cálculo da PIM

A primeira pesquisa do ano trouxe novidades com a revisão da sua metodologia. No caso do Espírito Santo, o IBGE reduziu o número de produtos que analisa, saindo de 30 para 29 produtos. Além disso, ajustou os pesos (o quanto cada setor representa) das atividades na indústria geral.

A atualização elevou o peso da indústria extrativa, que passou de 54,3% para 60,7%, e reduziu o da indústria de 45,7% para 39,3% na determinação do resultado da indústria geral.  

Já a nível de atividade, a produção de alimentos (de 11,3% para 7,2%) e celulose, papel e produtos de papel (de 10,5% para 5,9%) reduziram sua influência nesse resultado. Já os produtos de minerais não-metálicos (de 10,4% para 10,6%) e a metalurgia (de 13,5% para 15,6%) aumentaram a sua relevância no indicador geral de produção industrial.

“Essas alterações não interferiram na variação percentual anual de 2022. Mas, a mudança de pesos implicou em novas variações interanuais mensais em 2022”, aponta a economista-chefe da Findes.  

O processo de dessazonalização, que permite analisar os resultados na passagem mês, também sofreu alterações. Para o Espírito Santo, o IBGE só disponibiliza a variação marginal livre de efeitos sazonais para a produção industrial total. Por isso, o cálculo das variações dessazonalizadas setoriais do Estado é feito pela equipe do Observatório da Indústria, que diante da alteração da metodologia, está revisando seu modelo.

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