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Economia

Economia capixaba cresce 4% no primeiro semestre de 2023 

Serviços, comércio e indústria contribuíram para o resultado do ES ser superior ao do país (3,7%)

Por Redação

em 13 de set de 2023, às 15h27

6 mins de leitura

Foto: Divulgação Findes

A economia do Espírito Santo cresceu 4% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2022. Em meio a um cenário marcado pela desaceleração da inflação e pelo aumento da geração de empregos e renda, o Estado teve um desempenho acima da média nacional (3,7%). Os protagonistas do resultado capixaba foram: indústria (2,8%) e serviços (6,3%), que também inclui comércio. 

Os dados fazem parte do Indicador de Atividade Econômica (IAE) da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), compilado pelo Observatório da Indústria. Os números foram divulgados nesta quarta-feira (13/09), em coletiva de imprensa, na sede da entidade, em Vitória. 

Para a presidente da Findes, Cris Samorini, é preciso comemorar o bom desempenho da economia capixaba. “Estamos vendo o quanto o Estado vem crescendo e o investidor privado escolhendo o Espírito Santo como o local para implantar seus projetos. Temos novas empresas chegando e algumas expandindo as suas plantas industriais”.  

De acordo com a Bússola do Investimento da Findes, o Espírito Santo já tem quase R$ 42 bilhões em investimentos anunciados até 2027 [dados extraídos, no dia 11 de agosto de 2023]. São mais de 320 projetos previstos. 

Outros indicadores importantes para o crescimento do ES e do Brasil também foram favoráveis. De acordo com o IBGE, no primeiro semestre do ano, a inflação ao consumidor (IPCA), acumulada em 12 meses, ficou em 3,16% e a taxa de desocupação no Brasil chegou a 8% no segundo trimestre encerrado em junho, enquanto no ES atingiu 6,4%. Além disso, a taxa básica de juros, a Selic, foi reduzida no final de julho para 13,25% e a expectativa é que a taxa continue em trajetória de queda. 

Cris Samorini comenta que para a economia do ES e do Brasil continuar nessa trajetória de resultados positivos, medidas de extrema importância precisam ser fortalecidas.

“Maior segurança jurídica, juros mais baixos e estabilidade econômica no país são indispensáveis para que o empresário tome a decisão de investir e o Brasil cresça”, afirma. 

A presidente complementa que juros mais baixos e crédito mais barato são sinônimo de mais investimento nas empresas e de geração de emprego e renda. “Outro ponto fundamental é aprovar a Reforma Tributária de forma que ela traga simplicidade, transparência e isonomia para o sistema tributário brasileiro”, afirma.  

Desempenho dos setores 

De acordo com o IAE-Findes, a economia capixaba foi impulsionada por dois segmentos no primeiro semestre deste ano, na comparação com o primeiro semestre de 2022.  

“O aumento de 6,3% nas atividades do setor de serviços (que inclui comércio) e o avanço de 2,8% na indústria justificaram o crescimento da economia capixaba no período. Por sua vez, a atividade da agropecuária apresentou expressiva queda de 12,1%”, detalha a economista-chefe da Findes e gerente executiva do Observatório da Indústria da Federação, Marília Silva. 

O desempenho positivo do setor de serviços foi influenciado pelas taxas positivas em todas as suas atividades: comércio (6,4%), transporte (4,0%) e demais atividades de serviços (6,6%). “O mercado de trabalho favorável, a descompressão inflacionária, os programas governamentais de transferência de renda e a melhora das expectativas dos agentes econômicos ajudam a explicar essas taxas de crescimento”, esclarece Marília Silva. 

O avanço de 2,8% da indústria capixaba foi motivado pelo crescimento de 13,8% da indústria extrativa, bem como pelas expansões da atividade de energia e saneamento (2,8%) e da construção (2,2%).  

A única atividade industrial a recuar no primeiro semestre do ano foi a indústria de transformação (-10,2%). Ela foi impactada pelas quedas em todas as atividades: fabricação de produtos de minerais não-metálicos (-19,5%), metalurgia (-10,2%), fabricação de celulose e papel (-5,3%), fabricação de produtos alimentícios (-1,5%) e fabricação de coque, de derivados do petróleo e de biocombustíveis (-0,9%). 

No caso da indústria extrativa, o resultado positivo deve-se principalmente à atividade de pelotização do minério de ferro, que cresceu 21,5% no primeiro semestre do ano, e a produção de petróleo e gás natural que aumentou em 6,9%. 

“O setor extrativo é uma parte importante da economia do Estado. Em 2022, esse foi um segmento que apresentou resultados negativos (-18,7%). A indústria capixaba representa 27,4% da economia do Estado e a extrativa (commodities como petróleo, gás, minério) tem um peso de quase um terço desse valor”, comenta a gerente de Inteligência de Dados e Pesquisas do Observatório da Indústria, Suiani Febroni. 

Já a agropecuária retraiu de 12,1% devido às quedas tanto na pecuária (-4,2%), quanto na agricultura (-15%), sendo esta última influenciada, entre outros motivos, pela bienalidade negativa do café esperada para 2023. 

Economia do ES cresce 3% no segundo trimestre de 2023 

Na comparação do segundo trimestre de 2023 em relação ao segundo trimestre de 2022, a economia do Espírito Santo cresceu 3%. O resultado é fruto do bom desempenho da indústria (3,9%) e do setor de serviços (6,5%), que se sobrepuseram ao recuo de 15,7% da agropecuária.  

Com a exceção da queda de 9,6% da indústria de transformação, todas as demais atividades industriais capixabas cresceram no período: indústria extrativa (17,1%), construção (2,1%) e energia e saneamento (2,9%). 

Para o Brasil, houve crescimento de 3,4% do PIB do país nesta base de comparação, motivado pelas expansões em todos os setores: agropecuária (17%), serviços (2,3%) e indústria (1,5%).  

Cenário nacional 

A atividade econômica nacional cresceu 3,7% no primeiro semestre de 2023, ante o primeiro semestre de 2022. O crescimento do PIB do país foi impulsionado pelo avanço de 17,9% na atividade da agropecuária, assim como pelas altas no setor de serviços (2,6%) e na indústria (1,7%).  

O resultado positivo na indústria foi justificado pelas expansões na indústria extrativa (8,2%), na construção (0,9%) e no setor de energia e saneamento (5,6%), enquanto a indústria de transformação apresentou queda de 1,3%. 

Cenário internacional 

A economista-chefe da Findes, Marília Silva, explica que, ao longo dos seis primeiros meses do ano, o cenário externo foi desafiador. “As principais economias do mundo ainda não iniciaram o processo de flexibilização das políticas monetárias, com isso, muitos países permaneceram convivendo com os juros elevados. Isso acabou impactando negativamente países, que são grandes exportadores de commodities industriais, como é o caso do Brasil e, consequentemente, o Espírito Santo”, pontua.

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