Bolsonaro e aliados têm até hoje para defender-se no STF sobre golpe
A defesa prévia é a primeira oportunidade formal dos acusados de se manifestarem antes da instauração de uma ação penal.

Termina nesta quinta-feira (6) o prazo para que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros 33 aliados apresentem suas defesas prévias no inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado. A denúncia foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e será analisada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
A defesa prévia é a primeira oportunidade formal dos acusados de se manifestarem antes da instauração de uma ação penal. Nessa etapa, os advogados tentam convencer os ministros a rejeitarem a denúncia e arquivar o caso, sem abrir um processo criminal.
O prazo de 15 dias começou a correr no dia 19 de fevereiro, após a notificação das defesas, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes.
Análise ficará a cargo da Primeira Turma
Caberá à Primeira Turma do STF decidir se há elementos suficientes para aceitar a denúncia da PGR e abrir uma ação penal. Conforme o regimento interno da Corte, as turmas do Supremo são responsáveis pelos julgamentos de processos criminais.
Para preparar a defesa, os advogados dos denunciados montaram forças-tarefas e analisaram milhares de páginas de documentos. A defesa de Jair Bolsonaro, representada pelos criminalistas Paulo Amador da Cunha Bueno e Celso Vilardi, deve apresentar argumentos processuais preliminares e indicar uma lista de testemunhas, caso o STF aceite a denúncia e o processo avance.
Em declarações anteriores ao jornal O Estado de S. Paulo, logo após a denúncia ser protocolada, os advogados de Bolsonaro classificaram a acusação como infundada e afirmaram que a tese da PGR “não faz qualquer sentido”.
A Procuradoria aponta que o plano golpista fracassou principalmente por conta da recusa da cúpula do Exército em aderir à proposta. Um dos principais argumentos da defesa de Bolsonaro é de que, se de fato quisesse dar um golpe, o então presidente poderia ter substituído os comandantes das Forças Armadas para garantir apoio militar.
Defesas questionaram prazo e acesso a provas
As defesas dos investigados pediram a suspensão do prazo e solicitaram acesso integral às provas reunidas no inquérito, incluindo a íntegra das mensagens extraídas de celulares apreendidos. Também argumentaram que deveriam ter um prazo maior para apresentar as respostas, equivalente aos 83 dias usados pela PGR para elaborar a denúncia.
Todos os pedidos foram negados por Alexandre de Moraes, que afirmou que o amplo acesso aos autos está garantido e que os advogados sempre tiveram permissão para retirar cópias e acompanhar os despachos. Moraes também destacou que o sigilo do processo foi retirado, disponibilizando 18 volumes com mais de 3 mil páginas de documentos.
Delação de Mauro Cid
Entre as provas tornadas públicas, está a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Os anexos da colaboração foram divulgados, tanto em vídeo quanto em transcrições.
Além disso, Moraes compartilhou com as defesas provas de investigações sigilosas relacionadas à denúncia, incluindo apurações sobre o suposto uso da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar adversários, a atuação da Polícia Rodoviária Federal para dificultar o transporte de eleitores em 2022 e os atos de vandalismo e invasão às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.
Crimes apontados pela PGR
A denúncia da PGR atribui a Bolsonaro e seus aliados cinco crimes:
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito: pena de 4 a 8 anos de prisão;
- Golpe de Estado: pena de 4 a 12 anos;
- Organização criminosa armada: pena de 3 a 8 anos, podendo chegar a 17 anos com agravantes;
- Dano qualificado contra patrimônio da União, com uso de violência e grave ameaça: pena de 6 meses a 3 anos;
- Deterioração de patrimônio tombado: pena de 1 a 3 anos.
Lista de denunciados
A denúncia atinge, além de Bolsonaro, ex-ministros, ex-assessores, militares e ex-dirigentes de órgãos federais. Veja a lista completa:
- Ailton Gonçalves Moraes Barros
- Alexandre Ramagem
- Almir Garnier Santos
- Anderson Torres
- Angelo Martins Denicoli
- Augusto Heleno
- Bernardo Romão Correa Netto
- Carlos Cesar Moretzsohn Rocha
- Cleverson Ney Magalhães
- Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira
- Fabrício Moreira de Bastos
- Fernando de Sousa Oliveira
- Filipe Garcia Martins
- Giancarlo Gomes Rodrigues
- Guilherme Marques de Almeida
- Hélio Ferreira Lima
- Jair Bolsonaro
- Marcelo Bormevet
- Márcio Nunes de Rezende Júnior
- Marcelo Costa Câmara
- Mario Fernandes
- Marília Ferreira de Alencar
- Mauro Cid
- Nilton Diniz Rodrigues
- Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho
- Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira
- Rafael Martins de Oliveira
- Reginaldo de Oliveira Abreu
- Rodrigo Bezerra de Azevedo
- Ronald Ferreira de Araujo Júnior
- Silvinei Vasques
- Sergio Ricardo Cavaliere de Medeiros
- Walter Souza Braga Netto
- Wladimir Matos Soares
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