Descoberto em Castelo o maior campo fossilífero do Estado do ES
A descoberta inicial ocorreu em 2022, quando o Departamento de História Natural da Prefeitura Municipal de Castelo

Um achado científico de grande relevância histórica e paleontológica marca o município de Castelo: pela primeira vez, foram encontrados fósseis de plantas e animais da megafauna em uma caverna, conhecida como Gruta do Limoeiro.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiA descoberta inicial ocorreu em 2022, quando o Departamento de História Natural da Prefeitura Municipal de Castelo, sob a coordenação de José Luiz Rodrigues Neves, identificou os primeiros fósseis na caverna. O local já era conhecido por achados arqueológicos datados de 1978, mas a nova descoberta abriu uma janela para um passado ainda mais distante.
Para a identificação precisa dos fósseis, foram mobilizadas importantes instituições de pesquisa do país. O Museu Nacional do Rio de Janeiro, a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA), que uniram esforços na análise do material. Os estudos revelaram a presença de ossos de três espécies emblemáticas da megafauna – animais gigantes extintos há milhares de anos: o Toxodonte (um herbívoro de grande porte, similar a um rinoceronte, porém sem chifres), o Eremotherium laurillardi (a imponente preguiça-gigante, que podia atingir até cinco metros de altura) e o Smilodon populator (o icônico e maior predador das Américas, o Tigre-dente-de-sabre). Este último representa o primeiro registro da espécie no estado do Espírito Santo, conferindo ainda maior importância à descoberta.
A segunda fase da pesquisa, realizada em 2025, concentrou-se na datação dos fósseis para determinar o período em que esses animais viveram na região. Pequenas amostras foram extraídas e enviadas para análise laboratorial nos Estados Unidos, em uma colaboração entre a UFES e a UFBA. Os resultados revelaram idades surpreendentes: a preguiça-gigante viveu há aproximadamente 13,5 mil anos, o Tigre-dente-de-sabre há cerca de 35 mil anos e o Toxodonte há impressionantes 42 mil anos.
“Esses achados reescrevem a história de Castelo e do nosso Estado, enriquecendo o nosso patrimônio científico e histórico, mas também oferecendo valiosas informações para entendermos as interações e mudanças climáticas do nosso planeta”, explicou o Prefeito de Castelo, João Paulo Nali.
Segundo a Secretária Municipal de Turismo, Eventos e Cultura, Léia Ringuier Nali, o Museu de História Natural de Castelo foi recentemente criado por Lei Municipal. “Estamos trabalhando arduamente para a montagem desse espaço, que será aberto em breve para visitação pública, onde todos terão acesso à riqueza paleoarqueológica de Castelo, incluindo estudantes e pesquisadores”, concluiu.
Atualmente, estudos mais aprofundados sobre a alimentação e a paleoecologia (o ambiente e as interações ecológicas da época em que esses animais habitavam a região) estão sendo conduzidos pelo professor Mário Dantas (UFBA). As conclusões dessas pesquisas, que prometem trazer novas informações sobre o passado remoto de Castelo, serão publicadas posteriormente.
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