Lula homenageia cacique Raoni e recebe alerta sobre petróleo
A visita de Lula à aldeia foi um compromisso assumido em março, quando lideranças indígenas foram recebidas pelo presidente no Palácio da Alvorada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou uma homenagem histórica nesta sexta-feira (4) ao cacique Raoni Metuktire, um dos mais respeitados líderes indígenas do mundo. Durante visita à Aldeia Piaraçu, na Terra Indígena Capoto-Jarina, no Mato Grosso, Lula concedeu a Raoni, de 93 anos, a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito, a maior honraria do Estado brasileiro. O reconhecimento destaca a trajetória do líder do Povo Kayapó na defesa dos direitos indígenas e da preservação ambiental.
“Raoni é uma liderança que inspira paz, sabedoria ancestral e profundo conhecimento sobre a relação do homem com a natureza”, afirmou o presidente, ressaltando a admiração que o cacique desperta em diferentes setores da sociedade.
Além da homenagem, o encontro reuniu outros caciques de diversas etnias do Parque Indígena do Xingu, com o objetivo de ouvir as demandas dos povos originários. “Somos um governo que respeita os indígenas, reconhece seus direitos e trabalha dia e noite para garanti-los”, declarou Lula.
Alerta sobre exploração de petróleo
Durante seu discurso, Raoni agradeceu o reconhecimento, mas também fez um apelo ao presidente. O cacique pediu que Lula pense na escolha de um sucessor comprometido com a pauta indígena e manifestou preocupação com a possível exploração de petróleo na Margem Equatorial, região marítima do Amapá, a 550 quilômetros da foz do Rio Amazonas.
“Estou sabendo que lá na foz do Rio Amazonas há planos para explorar petróleo. Eu penso que não [é adequado]. Essas coisas garantem um meio ambiente menos poluído e um planeta com menos aquecimento”, alertou. Raoni também compartilhou advertências espirituais que, segundo ele, indicam riscos caso a atividade petrolífera avance.
O tema divide opiniões. Enquanto ambientalistas e indígenas se opõem à exploração, a Petrobras já obteve autorizações preliminares do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para estudos na região.
Demarcação de terras indígenas
A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, também esteve presente no evento e destacou os avanços na demarcação de terras indígenas sob o atual governo. “Já assinamos 13 decretos e emitimos 11 novas portarias declaratórias, garantindo o avanço nesses processos”, afirmou.
O Parque Indígena do Xingu, onde ocorreu o encontro, abrange mais de 2,6 milhões de hectares e abriga cerca de 5,5 mil indígenas de diferentes etnias, incluindo Yawalapiti, Aweti, Ikpeng, Kaiabi, Kalapalo, Kamaiurá, Kĩsêdjê, Kuikuro, entre outras.
A visita de Lula à aldeia foi um compromisso assumido em março, quando lideranças indígenas foram recebidas pelo presidente no Palácio da Alvorada. O encontro reforçou o diálogo entre o governo e os povos originários, colocando em pauta temas urgentes como a preservação ambiental e os direitos indígenas.
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