Cidades

Professores de Muniz Freire intensificam mobilização de greve e cobram diálogo

A mobilização segue em formato de “operação tartaruga”, com redução do ritmo das atividades pedagógicas.

Foto: Reprodução | Redes Sociais

A greve parcial dos professores da rede municipal de Muniz Freire, no Sul do Espírito Santo, entrou no segundo dia nesta terça-feira (27). A mobilização segue em formato de “operação tartaruga”, com redução do ritmo das atividades pedagógicas. A paralisação foi aprovada em assembleia da categoria no dia 14 de maio e cobra, principalmente, o pagamento do piso nacional do magistério, de R$ 3.048,00 — valor que, segundo os docentes, não é respeitado para os profissionais em regime de designação temporária (DT), que recebem R$ 2.192,00.

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A rede municipal é composta majoritariamente por professores temporários, que representam cerca de 80% do corpo docente, atendendo a aproximadamente 3 mil alunos em 12 escolas. Com a greve, o calendário escolar tem sofrido atrasos e a rotina de famílias e estudantes foi diretamente afetada.

Silêncio total

Líder do movimento, a professora Ivonete Finoti afirmou ao AQUINOTICIAS.COM que a greve foi o último recurso adotado após tentativas frustradas de diálogo com a gestão do prefeito Dito Silva (PSB). “Desde o início, buscamos conversar com respeito. O prefeito chegou a nos receber, prometeu retorno, mas não compareceu à reunião seguinte. O silêncio foi total”, criticou.

A mobilização também tem gerado preocupação entre os pais. A assistente social Vânia Lúcia de Souza Scárdua, mãe de uma criança matriculada na pré-escola, teme os efeitos da redução da carga horária. “Duas horas a menos por dia fazem diferença. Afetam o aprendizado, o vínculo com a professora e a socialização com os colegas”, disse. Ela fez um apelo ao prefeito para que ouça as reivindicações da categoria: “Professor deve ser valorizado. Eles formam todas as outras profissões.”

Denúncias

Além da questão salarial, o movimento denuncia práticas de perseguição institucional. Em nota pública, os professores acusam um ex-secretário de Educação do município de orientar diretores escolares a censurar comunicados do movimento e identificar participantes da greve. Áudios com as instruções circularam entre os profissionais. Segundo a categoria, a postura viola o direito constitucional de greve e pode configurar crime de abuso de autoridade.

A nota ressalta ainda que as reivindicações incluem pagamento do piso, auxílio-alimentação e ressarcimento de combustível, e cobra o fim das práticas classificadas como autoritárias. Os professores afirmam ter protocolado novo pedido de negociação em 6 de maio, mas, até o momento, não houve resposta por parte da Prefeitura.

O que diz os envolvidos?

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Educação e com o prefeito Dito Silva, mas não obteve retorno até a publicação desta máteria. O espaço segue aberto para manifestações das partes envolvidas.

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