Sacas de café de R$ 132 milhões somem de cooperativa e deixam produtores desesperados
O episódio lança dúvidas sobre os mecanismos de controle, transparência e governança dentro de cooperativas agropecuárias no ES e outros estados produtores de café

Produtores de café vivem momentos de angústia e incerteza após o desaparecimento de 21 mil sacas do grão, que estavam armazenadas na Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil), no Sul de Minas Gerais. O prejuízo é avaliado em aproximadamente R$ 132 milhões.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiO caso veio à tona após produtores não conseguirem acessar ou localizar suas mercadorias, levando ao acionamento da Polícia Civil, que instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do sumiço e possíveis responsabilidades criminais.
Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles, ao menos 30 produtores rurais registraram denúncias contra o empresário Elvis Vilhena Faleiros, de Franca (SP), presidente da Cocapil.
O prejuízo estimado de R$ 132 milhões engloba não apenas as perdas diretas dos cafeicultores, mas também dívidas bancárias e compromissos financeiros com fornecedores.
Além de produtores de Ibiraci, cafeicultores de municípios paulistas e mineiros, como Franca e Cristais Paulista (SP), Claraval e Cássia (MG), também afirmam ter sido afetados.
A Polícia Civil trabalha com a estimativa de que cerca de 180 pessoas possam ter sido vítimas.
A Cocapil
Fundada em 2001 por Laerce Faleiros, em conjunto com outros produtores, a Cocapil se consolidou ao longo de mais de duas décadas como uma cooperativa formada por pequenos e médios cafeicultores da região conhecida como Alta Mogiana Mineira, área que integra o Sul de Minas e a Alta Mogiana.
Reconhecida nacional e internacionalmente pela produção de cafés especiais, a cooperativa teve papel relevante no desenvolvimento regional, valorizando variedades de alto padrão e fortalecendo a imagem dos produtores locais no mercado global.
Transparência das cooperativas do ES e de outros estados produtores de café
O episódio, no entanto, lança dúvidas sobre os mecanismos de controle, transparência e governança dentro de cooperativas agropecuárias, tradicionalmente vistas como estruturas de apoio e proteção ao produtor rural.
Diante desse cenário, o caso de Ibiraci acende um alerta que ultrapassa as divisas de Minas Gerais e chega ao Espírito Santo, estado que também possui forte presença de cooperativas ligadas ao agronegócio, especialmente à cafeicultura.
Até que ponto os sistemas de segurança, auditoria e rastreabilidade adotados pelas cooperativas capixabas são suficientes para evitar prejuízos semelhantes?
O desaparecimento de um volume tão expressivo de café levanta questionamentos inevitáveis sobre a proteção do patrimônio dos produtores, a fiscalização interna e o papel dos órgãos de controle, o que aponta para a necessidade de maior rigor, transparência e fiscalização para preservar a confiança no modelo cooperativista.