Solana é concorrente direta do Ethereum? Entenda a diferença entre as blockchains
Redes seguem caminhos técnicos diferentes para oferecer contratos inteligentes, mas competem por usuários, aplicativos e volume de transações

A comparação entre Solana e Ethereum voltou a ganhar força no mercado cripto e tem sido tratada como um dos termômetros para entender a disputa por infraestrutura no setor. Em vez de “brigar” apenas por preço de token, as duas redes disputam algo mais estrutural: onde desenvolvedores vão construir aplicativos, onde usuários vão transacionar e qual ecossistema conseguirá manter relevância com escala.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiA pergunta que circula com frequência – se a Solana é concorrente direta do Ethereum – não tem resposta simples. Em alguns aspectos, sim: ambas são blockchains voltadas a contratos inteligentes e sustentam aplicações descentralizadas, como finanças, NFTs, jogos e soluções de tokenização. Em outros, a comparação perde força, porque cada rede tem arquitetura, prioridades e trade-offs próprios.
O resultado é um cenário em que as duas podem coexistir, mas também se pressionam mutuamente. E essa pressão aparece em pontos práticos: custo por transação, velocidade, estabilidade da rede, segurança e facilidade de desenvolvimento.
O que Ethereum e Solana têm em comum?
Ethereum e Solana são, em essência, plataformas de blockchain que permitem a criação de contratos inteligentes, isto é, programas que executam regras automaticamente e podem sustentar aplicativos completos sem uma empresa central controlando tudo.
É por isso que as duas redes são frequentemente colocadas lado a lado. Ambas competem por:
- desenvolvedores que criam aplicativos descentralizados;
- projetos de finanças descentralizadas (DeFi);
- marketplaces e coleções de NFTs;
- usuários que movimentam tokens e interagem com protocolos;
- volume de transações e liquidez.
No imaginário do mercado, o Ethereum ocupa o papel de rede mais consolidada, com maior histórico e com um ecossistema amplo. A Solana, por sua vez, costuma ser associada à promessa de transações rápidas e baratas, com foco em escala desde o desenho inicial.
Essa diferença de posicionamento faz com que a Solana seja vista, em muitos momentos, como uma alternativa direta, especialmente para aplicações que exigem alto volume e custo baixo.
Diferenças técnicas: velocidade, taxas e modelo de funcionamento
A principal distinção percebida por usuários está no custo e na experiência. Solana é conhecida por taxas geralmente baixas e por processar um grande número de transações em pouco tempo. Isso favorece usos mais intensivos, como jogos, microtransações e negociações frequentes.
O Ethereum, apesar de ter evoluído ao longo do tempo, historicamente enfrentou momentos de congestionamento, quando as taxas sobem e as transações ficam mais caras. Essa característica gerou uma corrida por soluções de escalabilidade, como redes de segunda camada (as chamadas Layer 2), que funcionam como extensões do Ethereum para reduzir custos e aumentar capacidade.
Na prática, isso cria dois modelos:
- Solana: aposta em uma rede principal com alta capacidade e baixo custo;
- Ethereum: mantém uma base mais consolidada e descentralizada, enquanto amplia escala por meio de camadas adicionais.
Outro ponto importante é a forma como as redes equilibram descentralização, segurança e desempenho. Em blockchain, esse equilíbrio costuma exigir concessões. Redes que priorizam velocidade podem enfrentar desafios diferentes das que priorizam robustez e distribuição.
Ecossistema, adoção e o peso do histórico
O Ethereum ainda é amplamente considerado a principal referência em contratos inteligentes, em grande parte por ter popularizado esse modelo. Ao longo dos anos, a rede atraiu milhares de projetos, concentrou liquidez e ajudou a estabelecer padrões que hoje são amplamente adotados no setor.
Isso faz diferença porque, no mercado cripto, a rede mais usada tende a atrair mais aplicativos, e mais aplicativos atraem mais usuários. Esse efeito de rede é um dos maiores trunfos do Ethereum.
Já a Solana cresceu em ciclos, com períodos de forte expansão e fases de questionamento, especialmente quando enfrentou episódios de instabilidade e interrupções. Mesmo assim, a rede manteve força e continuou atraindo projetos, principalmente em áreas como NFTs, trading de alta frequência e aplicativos com experiência mais próxima de produtos tradicionais.
Além disso, a comunidade da Solana costuma se destacar por incentivar inovação rápida, enquanto o Ethereum tende a avançar de forma mais gradual, com maior conservadorismo técnico.
Concorrência direta ou disputa por nichos?
No discurso do mercado, Solana aparece como “rival do Ethereum” porque oferece uma proposta que ataca um ponto sensível: custo e escala. Para muitos usuários, pagar taxas baixas e ter rapidez é o que define a melhor experiência.
Ao mesmo tempo, o Ethereum mantém uma base de usuários e desenvolvedores que valorizam segurança, descentralização e previsibilidade. E, com o avanço das redes Layer 2, parte da vantagem de custo da Solana passa a ser disputada também dentro do próprio ecossistema Ethereum.
Na prática, a concorrência existe, mas não é um jogo simples de substituição. As redes podem dividir o mercado, assim como sistemas operacionais ou plataformas digitais coexistem atendendo perfis diferentes.
O que fica claro é que a disputa entre Solana e Ethereum não se resume a quem tem o token mais valorizado. Ela passa por tecnologia, comunidade, estabilidade e experiência do usuário, e é justamente por isso que a comparação segue viva: o mercado ainda está decidindo qual infraestrutura vai sustentar a próxima fase das aplicações em blockchain.
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