Projeto de Da Vitória pode beneficiar mais de 343 mil imóveis no Brasil
O PL nº 00933/2026 propõe uma mudança estrutural no regime jurídico dos chamados terrenos de marinha, com foco na conversão facultativa da ocupação em aforamento gratuito.

Um projeto de lei que pode impactar diretamente mais de 343 mil imóveis em todo o Brasil começou a avançar na Câmara dos Deputados. O deputado federal Da Vitória (PP/ES) assina o PL nº 00933/2026, que propõe uma mudança estrutural no regime jurídico dos chamados terrenos de marinha, com foco na conversão facultativa da ocupação em aforamento gratuito.
A proposta já segue para análise nas comissões de Administração e Serviço Público, Finanças e Tributação e Constituição e Justiça, em regime de tramitação ordinária. Esse avanço abre espaço para o início das discussões no Congresso Nacional.
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Impacto direto no Espírito Santo e no Brasil
No Espírito Santo, a medida pode beneficiar cerca de 24.101 imóveis hoje enquadrados no regime de ocupação, segundo dados do Sinduscon-ES. O diretor de Economia e Estatística da entidade, Eduardo Borges, afirma que muitos desses imóveis ficam em áreas urbanas consolidadas, como bairros inteiros, regiões de aterro e zonas costeiras.
Em todo o país, o impacto alcança 343.359 imóveis. Essas propriedades se distribuem pelo litoral, áreas estuarinas, margens de rios com influência de maré e regiões urbanas formadas ao longo dos últimos dois séculos.
Regime atual limita uso e gera insegurança
O modelo atual enquadra esses imóveis como ocupação, uma condição considerada precária para a realidade urbana. Esse formato dificulta o acesso ao crédito imobiliário, impede o uso do imóvel como garantia e gera insegurança em negociações.
Muitos proprietários também enfrentam cobranças retroativas da União, mesmo após adquirirem imóveis com matrícula regular. Esse cenário amplia os conflitos judiciais e aumenta a insegurança jurídica.
Projeto busca corrigir distorção histórica
O deputado Da Vitória afirma que o projeto enfrenta um problema antigo que afeta cidades inteiras. Segundo ele, a proposta deve destravar o mercado imobiliário nessas áreas, estimular investimentos e ampliar a formalização de imóveis.
Especialistas também avaliam que a medida pode reduzir conflitos judiciais e modernizar a gestão patrimonial pública, alinhando a legislação à dinâmica urbana atual.
Conversão será gratuita e opcional
O texto permite que o ocupante regular solicite a conversão gratuita para o regime de aforamento, conhecido como domínio útil. Dessa forma, o modelo transforma a ocupação em um direito real registrável e, assim, garante mais segurança jurídica ao imóvel.
Na prática, o proprietário poderá acessar financiamento imobiliário, usar o imóvel como garantia e realizar negociações com mais segurança. Além disso, essas possibilidades ampliam o valor econômico do bem e facilitam sua inserção no mercado formal. Ao mesmo tempo, a União mantém a propriedade e, consequentemente, continua a arrecadar por meio de foro e laudêmio.
Por outro lado, o projeto também preserva o regime atual para quem não quiser aderir à mudança. Assim, a proposta assegura liberdade de escolha ao ocupante e, ao mesmo tempo, promove uma transição mais equilibrada para o novo modelo.
Decisões recentes reforçam urgência
Nos últimos anos, decisões judiciais aumentaram a pressão por uma solução nacional. Nesse contexto, no Espírito Santo, por exemplo, a Justiça já suspendeu cobranças em condomínios inteiros. Além disso, milhares de imóveis passaram a ser alvo de disputas judiciais, o que ampliou a insegurança jurídica na região.
Ao mesmo tempo, em Santa Catarina, o Tribunal de Justiça passou a exigir a demarcação formal por parte da União para reconhecer terrenos de marinha. Com isso, o entendimento jurídico se tornou mais rigoroso e evidenciou divergências na aplicação das normas.
Dessa forma, o cenário atual expõe a falta de padronização em nível nacional. Por consequência, cresce a necessidade de mudanças estruturais que garantam segurança jurídica e uniformidade na gestão desses imóveis em todo o país.
Proposta prevê equilíbrio fiscal
Embora a taxa de ocupação tenha alíquota maior, o modelo atual sofre com inadimplência e disputas judiciais. O novo formato tende a garantir arrecadação mais estável e previsível.
Além disso, a redução de processos pode diminuir custos para a União e melhorar a eficiência da gestão pública.
Tramitação segue na Câmara e depois no Senado
O projeto ainda passará pelas comissões da Câmara dos Deputados. Se aprovado, seguirá para o Senado Federal.
A proposta não extingue os terrenos de marinha nem altera a propriedade da União. O texto cria uma alternativa mais moderna, com potencial para ampliar a segurança jurídica, fortalecer o mercado imobiliário e reduzir conflitos históricos no Brasil.
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