Cidades

Leilão da Colagua envolve apenas parte do patrimônio e pode gerar impasse para comprador

Além do impasse jurídico e estrutural para eventual comprador, o acesso principal pela BR-482 não faz parte da venda

Foto: Divulgação

A Cooperativa de Laticínio de Guaçuí (Colagua) vai a leilão. Entretanto, o processo chama atenção por um detalhe que pode passar despercebido pelos interessados: o imóvel ofertado não corresponde a todo o complexo da cooperativa.

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A primeira chamada está marcada para esta quinta-feira (25), com lance inicial de R$ 4,8 milhões. Caso não haja arrematantes, um segundo leilão será realizado nesta sexta-feira (26), com valor mínimo reduzido para R$ 2,4 milhões.

Porém, a área levada a leilão refere-se à construção de aproximadamente 2.300 m², dada em garantia fiduciária em um financiamento contratado junto ao Banco Sicoob Fluminense/RJ. O contrato conta ainda com aval dos então diretores da cooperativa.

Entretanto, a área de acesso principal pela BR-482 não integra o leilão. Isso significa que o futuro arrematante não terá acesso direto pela rodovia federal, dependendo de acesso pela rua dos fundos, além da necessidade de conviver com áreas comuns e outros imóveis que permanecem pertencentes à cooperativa.

Outro ponto relevante é que o leilão não inclui as demais áreas do patrimônio da Colagua, como áreas não edificadas, áreas comuns e diversas estruturas internas do empreendimento. Na prática, o comprador adquirirá apenas a área construída oferecida como garantia da dívida, permanecendo o restante sob domínio da cooperativa e de seus cooperados, situação que pode exigir futuras definições judiciais e negociações.

Insegurança jurídica

Além das limitações físicas, a situação jurídica ainda está longe de uma solução definitiva. O próprio leilão chegou a ser suspenso pela Justiça, sendo retomado posteriormente após recurso apresentado pela instituição financeira. Paralelamente, tramita uma ação revisional que questiona cláusulas do contrato, além de apontar possíveis fragilidades na avaliação e no valor atribuído ao patrimônio utilizado como garantia.

Laudo pericial

Outro ponto que merece atenção é o laudo pericial, indexado na ação revisional, que consta dentro do processo. O documento aponta que o valor que está sendo cobrado desfavorece a Colagua, uma vez que a cooperativa já pagou boa parte do saldo devedor. Ou seja, a cobrança pode até se caracterizar como uma cobrança indevida do ponto de vista jurídico.

Nesse contexto, o eventual arrematante poderá enfrentar um ambiente de elevada insegurança jurídica, já que o processo ainda depende de decisões judiciais e envolve patrimônio pertencente a centenas de cooperados.

População e autoridades defendem reativação da Colagua e alertam para risco de perda histórica

A população, lideranças e autoridades locais são contra o leilão da Colagua. Para eles, o momento reforça a necessidade de buscar uma solução que preserve a cooperativa e seu parque industrial, considerado um patrimônio histórico e econômico de Guaçuí.

O objetivo é evitar que um empreendimento construído ao longo de décadas seja fragmentado em razão de um processo ainda cercado de questionamentos judiciais.

Vereador do município de Guaçuí, Nelsinho Salvador

“Faço um apelo para que a Prefeitura de Guaçuí, o Governo do Estado, a OCB, a Unicafes e demais instituições ligadas ao cooperativismo e ao desenvolvimento rural unam esforços para construir uma solução que permita a reativação da Colagua. Estamos falando de uma indústria que já gerou mais de 40 empregos diretos, fortaleceu a cadeia produtiva do leite, agregou valor à agricultura familiar e movimentou a economia do nosso município. Perder o parque fabril da Coalágua seria perder uma parte importante da história de Guaçuí”, destaca o vereador Nelsinho.

O economista e morador de Guaçuí Rodrigo Simões destaca a importância patrimonial da cooperativa e as consequências que esse leilão representa.

Economista Rodrigo Simões

“A Colagua é um ativo estratégico de Guaçuí é uma instituição de valor imensurável, não só para os produtores rurais, mas pela sua representação histórica. A nossa manifestação é para que esse processo não ocorra de forma apressada como está sendo feito. Caso isso ocorra, todo esse ativo vira sucata”, afirma o economista.

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