Cidades

Padre de Cachoeiro resgata contribuição de bispos do ES em renovação da Igreja

O padre Thiago da Silva Vargas, da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, conquistou o título de Mestre em Sacra Liturgia

Padre Thiago da Silva entre o professor Dr. Dom Jerônimo Pereira Silva, OSB, monge Benedetino e orientador da tese, e o professor Dr. Pe. José Antonio Goñi Beásoain de Paulorena, censor da tese (Foto: Divulgação)

O padre Thiago da Silva Vargas, da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, conquistou o título de Mestre em Sacra Liturgia após defender sua tese no Pontifício Instituto Litúrgico do Ateneu Santo Anselmo, em Roma.

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O estudo analisou a participação de bispos do Espírito Santo na preparação do Concílio Vaticano II, considerado um dos acontecimentos mais importantes da história da Igreja Católica no século XX.

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A pesquisa, intitulada “Propositiones ad Dispositiones: A Contribuição dos Bispos Capixabas na Pastoral Litúrgica a partir do Concílio Vaticano II”, investigou como Dom João Batista da Mota e Albuquerque, então arcebispo de Vitória, e Dom José Dalvit, primeiro bispo de São Mateus, contribuíram para os debates que antecederam o Concílio.

Em resposta a uma consulta realizada pelo Papa São João XXIII, em 1959, os dois bispos enviaram ao Vaticano sugestões e preocupações surgidas a partir da realidade vivida nas dioceses capixabas.

Renovação litúrgica

Segundo o padre Thiago, o trabalho permitiu compreender que a renovação litúrgica promovida pelo Concílio Vaticano II não foi construída apenas nos corredores do Vaticano, mas também a partir da escuta das comunidades locais.

“Foi muito significativo analisar a contribuição dos bispos do Espírito Santo para a preparação do Concílio Vaticano II. A consulta realizada por João XXIII permitiu que os pastores das dioceses do mundo inteiro apresentassem suas preocupações e sugestões a partir da realidade vivida em suas igrejas locais”, destacou.

O estudo mostra que várias das propostas enviadas pelos bispos capixabas foram consideradas durante os trabalhos preparatórios e ajudaram a enriquecer as reflexões que deram origem à Constituição Sacrosanctum Concilium, documento que orientou a renovação da liturgia católica.

Entre as mudanças promovidas pelo Concílio estão medidas que favoreceram uma participação mais consciente e ativa e dos fiéis nas celebrações. São elas a possibilidade de celebrar os ritos não apenas em latim, mas também na língua de cada lugar para favorecer sua compreensão pelos fiéis; a ampliação da ministerialidade eclesial, especialmente diante da escassez do clero e da vasta extensão territorial das dioceses, mediante a atribuição de determinados ministérios litúrgicos aos leigos, com especial atenção aos catequistas; e, por fim, a promoção de um acesso mais amplo do povo de Deus à celebração dos sacramentos e dos sacramentais.

Momento marcante

Para o pesquisador, a análise das contribuições capixabas oferece uma nova perspectiva sobre um dos momentos mais marcantes da história recente da Igreja.

“A pesquisa procurou mostrar que a renovação litúrgica não nasceu apenas dos trabalhos realizados em Roma, mas também da escuta das igrejas particulares. Foi possível evidenciar a participação da Igreja no Espírito Santo em um dos momentos mais importantes da história recente da Igreja”, afirmou.

O padre ressalta ainda que o estudo ajuda a valorizar o papel das dioceses na construção das decisões que impactaram a Igreja em todo o mundo.

“É muito importante evidenciar esse movimento da periferia para o centro. Esse contributo ajuda não apenas a reconstruir a memória histórica, mas também a compreender o Concílio Vaticano II a partir do chão de cada igreja local, que colaborou com suas experiências e necessidades para a reflexão da Igreja universal”, disse.

Além de resgatar fatos históricos, a pesquisa também reforça a atualidade das discussões iniciadas há mais de seis décadas. “A experiência pastoral das comunidades continua iluminando a vida litúrgica e a missão evangelizadora da Igreja nos dias de hoje. A renovação litúrgica continua em curso, buscando levar os fiéis a uma participação cada vez mais ativa, consciente e frutuosa nas celebrações”, concluiu o sacerdote.

Com a defesa da tese, o padre Thiago da Silva Vargas passa a integrar o grupo de liturgistas formados pelo Pontifício Instituto Litúrgico de Santo Anselmo, uma das principais referências mundiais na área. A conquista representa uma importante contribuição para a formação litúrgica e pastoral da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim e da Igreja no Espírito Santo.

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