Economia

Entenda por que, assim como os Tigres Asiáticos, o ES é hoje uma Onça Brasileira que ruge alto

Cunhado pela Apex Partners, o conceito destaca quais são as regiões e os estados com o melhor potencial de investimento e com os vetores que impulsionam o desenvolvimento

Foto: divulgação

A combinação de equilíbrio fiscal, ambiente favorável aos negócios, infraestrutura logística e capacidade de investimento público fez com que o Espírito Santo entrasse para o rol das “Onças Brasileiras”, ou seja, estados que apresentam os melhores indicadores para atrair investimentos e sustentar o crescimento econômico no longo prazo.

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“O conceito das Onças Brasileiras foi cunhado pela Apex Partners com o propósito de identificar quais eram as regiões e os estados com o melhor potencial de investimento e com os vetores que impulsionam o desenvolvimento da região. A gente fez uma analogia ao conceito da década de 1980 dos Tigres Asiáticos. Existiam alguns países asiáticos que, inclusive hoje, se tornaram grandes potências econômicas e eram os países que mais cresciam naquela época”, explica o sócio e diretor da Apex Partners, Rafael Andaku.

A classificação considera uma série de indicadores econômicos, fiscais e sociais. Esses fatores, por sua vez, contribuem diretamente para aumentar a competitividade dos estados e criar um ambiente mais atrativo para empresas e novos empreendimentos.

“São estados, por exemplo, em que você tem uma administração melhor, uma política fiscal melhor, com uma nota do Tesouro mais elevada. Então, isso possibilita que os estados invistam mais em seus próprios territórios. São regiões que têm um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) melhor, portanto, contam com uma educação de melhor qualidade, uma saúde de melhor qualidade e mais segurança”, afirma Andaku.

Por que o Espírito Santo é uma Onça Brasileira que ruge alto?

Mas o que, de fato, levou o Espírito Santo a consolidar-se como um dos estados mais competitivos e seguros para investimentos do país? Conforme destaca o diretor econômico da Apex Partners, Orlando Caliman, além da combinação entre responsabilidade fiscal e diversificação econômica, a localização estratégica também ajuda a explicar.

“Temos empresas que fazem as importações a partir daqui e essas importações seguem para todos os outros estados brasileiros. A maior parte, logicamente, vai para a Região Sudeste: 66% do que nós vendemos para fora, ou para outros estados, tem como destino o Sudeste. Portanto, se a gente pega um raio de aproximadamente 1.200 quilômetros, nós temos um mercado que corresponde a 70% do PIB nacional. Nós estamos exatamente nessa área, e isso coloca o Espírito Santo em uma posição de vantagem competitiva pela localização”, afirma o Caliman.

Somado a localização privilegiada, o estado também se torna um ambiente favorável para investimento por sua liderança em gestão fiscal e capacidade de planejamento, tendo em vista a redução de impactos em caso de potenciais crises do mercado econômico.  

“É o estado que tem maior capacidade de poupança. Tem tanta capacidade de poupança que hoje já dispõe, e isso é inédito, do Fundo Soberano de Investimento. É o único estado brasileiro que tem isso estruturado e já atuante em várias frentes, inclusive no sentido de poupança, se preparando exatamente para eventuais turbulências”, aponta o economista.

Diversificação econômica

Outra característica que coloca as terras capixabas em um ambiente favorável para negócios é a sua diversificação econômica, liderada por sua força industrial.

“Se a gente olhar o cenário, hoje a economia capixaba é industrializada. Praticamente 28% do PIB provém do setor industrial. Mas nós já tivemos esse setor representando 42% ou 43%. Não é que ele caiu, é que outros setores também cresceram, haja vista que o setor de comércio, por exemplo, que em 2002 tinha participação de 7,5%, hoje participa com 17%”, ressalta o diretor econômico da Apex Partners.

Além da forte indústria, houve ainda crescimento expressivo dos setores de comércio e serviços, tornando a economia mais equilibrada e resiliente.

“O Espírito Santo representou, por exemplo, em 2024, dado oficial mais recente, 8% de toda a movimentação de mercadorias entre os estados. Ou seja, considerando entradas e saídas de bens e serviços entre todos os estados brasileiros, o Espírito Santo participou com 8%. Parece pequeno, mas, olhando o tamanho da economia do Espírito Santo, que representa 1,9%, no máximo 2%, do PIB nacional, aí você vê a dimensão do que isso representa”, afirma Caliman.

Apex Partners e a conexão com os mercados regionais

A Apex Partners nasceu no Espírito Santo, em 2013, a partir da identificação de uma lacuna no mercado financeiro brasileiro: a concentração de crédito, investimentos e acesso ao mercado de capitais no eixo Rio-São Paulo, enquanto empresas de alto potencial em estados como o Espírito Santo encontravam dificuldade para captar recursos.

“Às vezes, vemos o Brasil a partir de São Paulo e do Rio de Janeiro. Externamente, também são os estados mais conhecidos no mundo. Mas, agora, percebemos que, nesses vários Brasis, existem exatamente esses estados que despontaram historicamente pelo desenvolvimento, inclusive com taxas médias de crescimento superiores à média nacional, além de apresentarem uma economia mais diversificada, mais estruturada e também mais competitiva”, Rafael Andaku.

Inicialmente, a Apex estruturou soluções de investimentos voltados ao mercado imobiliário capixaba, utilizando o capital de empresários locais para financiar novos empreendimentos e impulsionar o desenvolvimento da economia regional.

Com o modelo consolidado, a Apex expandiu sua atuação para outros polos econômicos do país, estabelecendo presença em estados como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de abrir uma base estratégica em São Paulo para conectar investidores institucionais aos negócios das regiões produtivas.

Essa trajetória deu origem à Tese das Onças Brasileiras, conceito desenvolvido pela própria Apex para demonstrar que o crescimento econômico do país está cada vez mais concentrado em estados com forte base produtiva, responsabilidade fiscal e ambiente favorável aos negócios, como Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso.

“Esse olhar abre espaço para o que estamos chamando exatamente de mercados regionais. Seriam justamente essas “onças” que chamam a atenção para um movimento que já percebemos como existente, mas que trabalhamos muito sob a perspectiva do potencial e da capacidade de tornar esses estados cada vez mais atrativos do ponto de vista dos investimentos, sejam eles internos ou externos”, afirma o diretor da Apex Partners.

Mais do que um estudo econômico, a tese reflete a própria história da empresa: nascida no Espírito Santo, a Apex expandiu sua atuação acompanhando o dinamismo dessas economias regionais e consolidou uma estratégia baseada em investir onde o desenvolvimento acontece, transformando o potencial das “Onças Brasileiras” em oportunidades para investidores e empresas.

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Graduado em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade 2 de Julho e MBA em Comunicação Corporativa pela Unifacs, já trabalhou como produtor de jornalismo all news na Band News FM Salvador. Exerceu a função de assessor de imprensa e comunicação na Prefeitura de Madre de Deus, Grupo Varjão e Câmara Municipal de Salvador.