Morre presidente do Sindicato dos Pescadores do ES; líder lutava por comunidade na foz do Rio Doce
Há dez anos à frente da entidade, liderando a categoria desde o período crítico do rompimento da barragem de Mariana, ele se consolidou como uma das vozes mais corajosas e incansáveis

O cenário da pesca artesanal no Espírito Santo está em luto. João Carlos Gomes, amplamente conhecido como Lambisgoia, presidente do Sindicato dos Pescadores e Marisqueiros do Espírito Santo (Sindpesmes), morreu na última quinta-feira (9), em decorrência de um câncer.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiHá dez anos à frente da entidade, liderando a categoria desde o período crítico do rompimento da barragem de Mariana, ele se consolidou como uma das vozes mais corajosas e incansáveis na defesa das comunidades atingidas pelo desastre ambiental da Bacia do Rio Doce.
Lambisgoia cumpriu a sua última agenda pública no último dia 18 de junho, quando esteve na Assembleia Legislativa do Espírito Santo, lutando pela saúde dos pescadores. Ele soube do câncer, após exame solicitado por meio da deputada estadual Janete de Sá.
Na ocasião, ele participou ativamente da reunião da Comissão Interestadual Parlamentar de Estudos para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Rio Doce (Cipe Rio Doce), uma diligência conjunta com parlamentares mineiros para cobrar transparência e a garantia de direitos na repactuação do novo acordo de reparação.
A vice-presidente da Cipe Rio Doce, deputada estadual Janete de Sá (PSB), manifestou profundo pesar pela perda e destacou a força do líder sindical naquele encontro:
“Perdemos não apenas um grande líder, mas um guerreiro incansável que dedicou seus últimos dias de vida para dar voz aos invisíveis. A última imagem que guardaremos do Lambisgoia é a dele aqui na Assembleia, lutando com todas as suas forças para que a saúde dos pescadores e ribeirinhos fosse priorizada. Ele sempre nos lembrava que o debate não pode ser apenas sobre dinheiro, mas sobre vidas humanas.
“Infelizmente, ainda enfrentamos uma enorme falta de transparência nesse processo de reparação. Os pescadores, que estão nesta terra desde que o Espírito Santo foi descoberto, continuam sem o devido reconhecimento como povos tradicionais e seguem impedidos de trabalhar em nossa orla. É inadmissível que, após uma década do maior desastre ambiental do país, essas famílias ainda não tenham recebido sequer um exame médico completo para monitorar os efeitos da contaminação em sua saúde. O maior tributo que podemos prestar ao Lambisgoia agora é não deixar a sua voz calar. Seguiremos unidas, as Assembleias do Espírito Santo e de Minas Gerais, cobrando e exigindo que a justiça finalmente alcance os verdadeiros atingidos.”
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