Novo tarifaço dos EUA: agregar valor e diversificar mercados são caminhos para manter o ES competitivo
De acordo com especialista econômico da Apex Partners, Lucas Schuller, no mercado nacional, o Espírito Santo tende a ser o mais afetado pelas novas medidas comerciais.

Diante das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre as rochas ornamentais brasileiras, agregar valor aos produtos e diversificar os mercados de destino são fatores decisivos para manter a competitividade do Espírito Santo, principal exportador do setor no país.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiO cenário tarifário tornou-se mais complexo após uma sequência de decisões adotadas pelo governo norte-americano. Na primeira etapa das novas medidas, alguns produtos brasileiros permaneceram isentos da sobretaxa de 25%.
“Quando aplica-se essa tarifa de 25%, começam as complexidades. Alguns produtos ficaram isentos, outros não. Produtos como petróleo, café, pimenta-do-reino, gengibre, mamão e celulose, considerados estratégicos para os Estados Unidos, acabaram ficando na lista de isenção dessa tarifa”, explica o especialista econômico da Apex Partners, Lucas Schuller.
Considerando o volume total das exportações, o Brasil aparece como o segundo país mais afetado pelas tarifas impostas pelos norte-americanos, ficando atrás apenas da China.
No caso das rochas ornamentais, os mármores e granitos passaram a ser tributados, mas os quartzitos ficaram fora dessa primeira cobrança. Isso reduziu o impacto inicial sobre as exportações brasileiras, já que os quartzitos representam atualmente a maior parte do valor exportado pelo Brasil para os Estados Unidos.
“As rochas estão em um cenário diferente, porque essa tarifa de 25% foi aplicada sobre mármore e granito, mas os quartzitos ficaram fora dessa tarifa. E grande parte do que exportamos para os Estados Unidos hoje, em termos de valor, são os quartzitos”, ressalta.
Na semana passada, o governo americano impôs uma nova tarifa. O pretexto para a nova tributação seria o descuido na gestão de trabalhos forçados.
“Agora, entra uma nova tarifa de 12,5%. Essa tarifa é acumulativa. Para alguns produtos que já foram taxados em 25%, soma-se mais 12,5%. Ou seja, vira uma tarifa de 37,5%. Esse é o caso do mármore e do granito”, afirma Schuller.
No mercado nacional, o Espírito Santo tende a ser o mais afetado pelas novas medidas comerciais. Isso porque o estado é responsável por aproximadamente 80% das exportações brasileiras de rochas ornamentais, e os Estados Unidos representam o principal destino desse comércio.
Como manter o Espírito Santo competitivo?
O novo ambiente internacional coloca o Espírito Santo diante de um novo desafio: como preservar a liderança como principal exportador brasileiro de rochas naturais? Uma alternativa é a busca por novos mercados.
“Há um volume grande de concentração com os Estados Unidos. Dificilmente conseguimos distribuir isso para novos mercados de maneira rápida. Mas novos mercados que o Brasil pode desenvolver seriam os mercados da Europa e do Oriente Médio, sem dúvida”, afirma o especialista da Apex Partners.
Paralelamente a isso, o momento também é oportuno para potencializar o que o estado tem de melhor.
“É continuar agregando valor ao nosso produto. O quartzito, que seria a pedra com maior valor agregado, tem uma tarifa menor, e isso é bom. Temos exportado mais quartzito, já estamos fazendo esse movimento de agregar mais valor ao nosso produto. Quase tudo que o Espírito Santo exporta para os EUA vai no formato de chapas, um produto que também tem um valor agregado maior. Então, a gente já tem essa cadeia de valor bem madura”, afirma Schuller.
Em 2025, o Brasil registrou um recorde nas exportações de rochas ornamentais, com faturamento próximo de US$ 1,5 bilhão, resultado que representou crescimento superior a 17% em relação ao ano anterior.
Desse total, cerca de 78% a 79% do valor exportado teve origem no Espírito Santo, estado que também responde por aproximadamente 80% do Produto Interno Bruto (PIB) gerado pela cadeia de rochas ornamentais no país.
Desafio logístico
Um dos principais desafios para ampliar a competitividade do setor de rochas ornamentais está na melhoria da infraestrutura logística do Espírito Santo.
Conforme explica o especialista econômico da Apex Partners, investimentos em rodovias, portos e na integração dos modais de transporte beneficiariam não apenas a cadeia de rochas, mas toda a atividade industrial do estado.
“Estamos falando de segmentos como o café, da expansão dos investimentos na indústria automobilística, além da mineração, da siderurgia e de diversas outras atividades econômicas. Todas elas ganhariam muito com uma logística mais eficiente, tanto no transporte terrestre quanto na estrutura portuária”, aponta Schuller.
Uma infraestrutura melhor fortalece as exportações, mas também melhora o abastecimento do mercado consumidor interno. O Espírito Santo é o principal polo de beneficiamento de rochas ornamentais do Brasil, porém recebe blocos extraídos em pedreiras de estados como Bahia e Ceará. Todo esse material chega ao estado pelos modais terrestres, principalmente pelas rodovias.
“Se tivéssemos uma infraestrutura mais moderna e eficiente, haveria ganhos em todas as etapas do processo produtivo, com aumento da competitividade, redução de custos e maior atratividade para novos investimentos”, afirma o especialista.
Você no aquinoticias.com
Presenciou algo importante na sua cidade? Tem uma denúncia, reclamação ou um vídeo exclusivo? Sua sugestão pode virar notícia. Envie agora para o nosso WhatsApp: (28) 99991-7726