Hospital veterinário público do ES amplia política de proteção animal iniciada pelo PET Vida
Idealizador do projeto, ex-secretário Felipe Rigoni fala sobre a evolução do programa e explica o que muda com a chegada do hospital

O governador Ricardo Ferraço anunciou o primeiro hospital veterinário público do Espírito Santo. A iniciativa, entretanto, abre uma discussão que vai além da criação da nova unidade: como o Estado chegou até aqui? A resposta passa pelo PET Vida, programa criado em 2023 para ampliar o acesso da população a serviços de proteção e saúde animal. Desde então, a iniciativa já alcançou 77 municípios e recebeu mais de R$ 27 milhões em investimentos.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aqui“Existia uma demanda enorme por políticas públicas de proteção e saúde animal, mas o acesso a esses serviços era muito desigual entre os municípios. Muitas cidades não tinham estrutura ou recursos para oferecer castração, vacinação e atendimento veterinário de forma contínua, e quem mais sofria com isso eram os animais e as famílias em situação de vulnerabilidade”, explica o ex-secretário estadual de Meio Ambiente, Felipe Rigoni, idealizador do PET Vida.
A solução foi criar uma política estadual capaz de descentralizar essas ações. A proposta foi transformar essa demanda em uma política pública estruturada, com recursos, planejamento e parceria com os municípios. E assim surgiu o PET Vida.
“Hoje, olhando de fora da gestão, acompanho com satisfação o tamanho que essa política alcançou. O programa chegou a dezenas de municípios, realizou milhares de castrações, vacinações e outros atendimentos e criou uma estrutura própria para levar serviços veterinários para diferentes regiões do Estado”, afirma.
Saúde animal como política de Estado
Mais do que os números, o PET Vida ajudou a revelar uma demanda que ia além da prevenção e dos atendimentos básicos. Animais também precisavam de exames, diagnósticos, tratamentos e cirurgias, enquanto muitas famílias não tinham condições financeiras de buscar esses serviços na rede particular.
É nesse ponto que o anúncio do hospital veterinário público ganha relevância. A nova estrutura pode ser entendida como um próximo passo de uma política que começou com ações descentralizadas e agora avança para uma unidade permanente de atendimento.
“O tutor que não tem condições financeiras para procurar uma clínica particular passa a ter uma alternativa pública estruturada. A expectativa é que o hospital ofereça atendimento clínico e procedimentos veterinários, incluindo diagnóstico, exames, tratamentos, cirurgias e atendimentos de maior complexidade”, explica o ex-secretário.
A ideia é que o hospital veterinário complemente as ações já realizadas pelo PET Vida, ampliando o conceito de política pública de proteção animal, uma vez que não só previne doenças e controla a população de cães e gatos, mas também garante atendimento quando o animal adoece.
“O próximo passo, na minha visão, é justamente garantir que essa conquista se consolide. O hospital precisa funcionar bem, ter capacidade de atendimento e estar integrado às demais ações do PET Vida e às políticas municipais”, afirma Rigoni.
O Carretão PET Vida, por exemplo, é citado pelo ex-secretário como uma das iniciativas para evitar que os serviços se concentrem apenas na Grande Vitória.
“O hospital terá uma função importante como referência, principalmente para procedimentos de maior complexidade. Mas a política precisa continuar chegando aos municípios. As parcerias com as prefeituras também são fundamentais nesse processo”, afirma.
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