“Mulheres Transformadoras” homenageia 62 mulheres que deixaram legado na história
O projeto reúne textos de 64 autoras de diferentes regiões do país, sendo 46 associadas da AJEB no Espírito Santo.

As histórias de vida de 62 mulheres que marcaram época e deixaram exemplos de coragem e sabedoria para a humanidade são retratadas nas páginas da coletânea “Mulheres Transformadoras”, uma iniciativa da coordenadoria estadual da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB-ES). O livro terá lançamento na próxima sexta-feira (28), às 19h, na Câmara Municipal de Vitória, e na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em 08 de setembro.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiO projeto reúne textos de 64 autoras de diferentes regiões do país, sendo 46 associadas da AJEB no Espírito Santo. Elas assinam crônicas, contos, artigos, críticas e ensaios acompanhados de biografias das personalidades escolhidas, desde que falecidas, com datas, dados pessoais e histórias impactantes de suas contribuições para a sociedade.
Nas 280 páginas do livro os leitores irão desfrutar das trajetórias de mulheres inspiradoras para a história do Espírito Santo, como Maria Ortiz, Carmélia Maria de Souza, Haydée Nicolussi, Maria Stella de Novaes, Judith Leão Castelo Ribeiro; perfis de brasileiras notáveis para as artes, como Maria Firmina dos Reis, Clarice Lispector, Cecília Meireles, Tarsila do Amaral, Nara Leão e Chiquinha Gonzaga; e textos sobre personalidades estrangeiras cujo legado atravessa gerações, a exemplo de Simone de Beauvoir, bell hooks, Virginia Woolf, Frida Kahlo e Madre Teresa de Calcutá.
Pluralidade de visões
O perfil diverso das homenageadas – com atuação destacada na literatura, música, artes, educação, história, ciência, política, religião e comportamento humano – reflete a pluralidade de visões que marca a formação da AJEB.
Fundada em 8 de abril de 1970, na cidade de Curitiba (PR), por iniciativa da jornalista e escritora Hellê Vellozo Fernandes, a AJEB ampliou sua presença nacional e hoje conta com mais de 700 associadas ativas, com representações em mais de 20 estados da federação. “A AJEB é reconhecida como uma das mais importantes redes de escritoras do país”, afirma a presidente da coordenadoria estadual da entidade, Gracinha Neves.
Organizadora da obra, Gracinha explica que a seleção de textos para a coletânea se deu por meio de edital de chamamento publicado pela entidade junto a suas associadas. Cada coautora da coletânea escolheu uma personagem feminina, de importante referência e reconhecimento, comprovados por sua biografia e seus feitos pessoais que deixaram exemplos marcantes para a humanidade.
“Foram séculos de vozes silenciadas, de nomes apagados sem registro. Felizmente, no tempo atual, o valor feminino está sendo prestigiado em várias coletâneas, e nesta ―Mulheres Transformadoras ― registramos as suas vozes como ponte e farol: o acender do protagonismo feminino do passado ao presente, unidas pelo espírito que move todas as AJEBs do Brasil”, afirma Gracinha no texto de apresentação da coletânea.
Para evitar a repetição de nomes, foi elaborada uma lista para as coautoras com os nomes de mulheres a serem escolhidas. Participaram da seleção integrantes da AJEB de qualquer Estado do Brasil ou como correspondente (nacional/internacional); e escritoras ou jornalistas convidadas, desde que indicadas por uma ajebiana e aprovadas pela diretoria da associação.
Visibilidade para a autoria feminina
Na visão da presidente nacional da AJEB, Irislene Castelo Branco Morato (MG), um dos grandes marcos da atuação da entidade é a publicação de suas coletâneas literárias, que representam um instrumento de visibilidade para a autoria feminina. A primeira coletânea, “O Livro da Ajebiana”, foi lançada em 1979, reunindo 80 autoras de todo o país. Desde então, foram lançadas 13 coletâneas nacionais e dezenas de antologias regionais, como a série “Palavras”, publicada anualmente pela AEB-RS desde 1986.
“A sonhada e merecida equidade social humana vai demorar ainda, mas está caminhando e estamos todas as ajebianas do Brasil trabalhando através da literatura, do jornalismo e das artes, para que essa equidade não demore muito e que o respeito humano às diferenças e à solidariedade prevaleçam”, comenta a presidente, que integra a coletânea “Mulheres Transformadoras” com um artigo sobre a Dra. Marie Curie, única pesquisadora laureada com dois Prêmios Nobel em áreas distintas: Química e Física.
“Fiz uma síntese historiográfica da Dra. Marie Curie, mulher transformadora para a medicina, química e física. Provocando outra visão nas academias e na sociedade, sobre a inteligência e a capacidade da mulher e servindo de exemplo e motivação para outras seguirem seus passos”, define.
PROGRAME-SE:
Lançamento do livro “Mulheres Transformadoras”, produzido pela Coordenadoria Estadual da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil – AJEB-ES
- Organizadora: Maria das Graças Neves
- Data: 28 de agosto (sexta-feira)
- Horário: 19h
- Local: Câmara Municipal de Vitória – Av. Mal. Mascarenhas de Moraes, 1.788, Bento Ferreira, Vitória – ES
- Editora: Edição das Autoras
- Apoio: Academia Feminina Espírito-santense de Letras (AFESL) e Vida Livresca
- Distribuição: retirada gratuita de exemplares no dia do lançamento, limitada à tiragem da edição
CONHEÇA AS AUTORAS E AS HOMENAGEADAS:
- Adriana Pereira Campos – Haydée Nicolussi
- Advanir Rosa – Maria Firmina dos Reis
- Ailse Therezinha Cypreste Romanelli – Dra. Maria Montessori
- Ana Carolina de Pinho Simas de Oliveira – Simone de Beavouir
- Ana Maria Tourinho – Clarice Lispector
- Angelina Altoé Noronha – Barbe-Nicole Ponsardin Clicquot
- Anne Mahin – Júlia Lopes de Almeida
- Antonia Alves Ferreira – Emilie Snethlage
- Arcangela Pivetta dos Santos – Maria Josephine Mathilde Durocher
- Aurê Aguiar – bell hooks
- Beatriz Nader – Bertha Maria Júlia Lutz
- Biláh Bernardes – Cecília Meireles
- Brendda Neves – Safo de Lesbos
- Dalila Lubiana – Imperatriz Leopoldina
- Denise Moraes – Tarsila do Amaral
- Edina de Azevedo Klein – Santa Terezinha
- Elizete Caser – Aracy de Carvalho
- Elizete Monte Ménier – Chiquinha Gonzaga
- Ester Abreu Vieira de Oliveira – Rosario Castellanus
- Gabriela Ménier – Virginia Woolf
- Gilcéa Rosa de Souza – Madre Teresa de Calcutá
- Graça Neves – Esther Scliar
- Helia Dórea – Carmélia Maria de Souza
- Irislene Castelo Branco Morato – Marie Sklodowska
- Izabel Gadelha – Rosa Parks
- Izabel Cristina da Silva – Frida Kahlo
- Jô Drumond – Hipólita Jacinta Teixeira de Melo
- Kelly Castellano – Madame Chanel
- Larissa O’Hara – Rachel de Queiroz
- Laurany Márcia Matiello Redins – Clara Louise Maass
- Leni Zilioto – Maria Ortiz
- Luciana Barbieri – Santa Clélia Barbieri
- Luciana Gomes Ferreira de Andrade e Elda Coelho de Azevedo Bussinguer – Judith Leão Castello Ribeiro
- Marcela Neves – Eufrásia Teixeira Leite
- Margarida Drumond de Assis – Anna Nery
- Maria Clotilde de Araújo Rocha – Myrthes Gomes de Campos
- Maria das Graças Ferreira Lobino e Sumika Soares de Freitas Hernandez-Piloto – Rosa Luxemburgo
- Maria das Graças Gozzer – Anne Frank
- Maria do Carmo Calmon – Margareth Thatcher
- Maria Lívia Diana de Araujo Marchon – Irmã Leônia
- Maria Nazareth Dória – Maria Quitéria
- Maria Regina Crema – Sobonfu Somé
- Marilena Vellozo Soneghet Bergmann – Sóror Juana Inés De La Cruz
- Martha Aurélia Gonzalez – Nara Leão
- Nancy Alcântara – Lise Magalhães da Silveira
- Nerina Bortoluzzi Herzog – Irmã Dulce
- Penha Franzotti Donadello – Cora Coralina
- Regina Helena Magalhães – Bárbara Heliodora
- Regina Mello – Louise Bourgeois
- Regina Menezes Loureiro – Anita Catarina Malfatti
- Renata Dal-Bó – Zahidé Lupinacci Musart
- Rita de Cassia dos Santos Menezes – Rita de Cássia
- Roseli Ágda de Jesus Teixeira – Jane Austen
- Silvia Bruno Securato – Indira Gandhi
- Soêmia Pimentel Cypreste – Carolina Maria de Jesus
- Sônia Maria da Costa Barreto – Winnie Mandela
- Sonia Maria Rosseto – Marie Josephine Mathilde Durocher
- Sonia Saadi de Barros – Maria Esther Bueno
- Valsema Rodrigues da Costa – Maria Stella de Novaes
- Vanessa Noronha Tölle – Hilária Batista de Carvalho
- Vera Lúcia Coser – Gladys West
- Wanda Maria Bernardi Capistrano Alckimim – Princesa Isabel
SAIBA MAIS SOBRE A AJEB:
A AJEB foi fundada em 8 de abril de 1970, na cidade de Curitiba (PR), por iniciativa da jornalista e escritora Hellê Vellozo Fernandes, após representar o Brasil na Reunión Mundial de Periodistas y Escritoras, realizada no México. Este evento deu origem à AMMPE (Asociación Mundial de Mujeres Periodistas y Escritoras), e inspirou Hellê a criar, no Brasil, um espaço voltado à valorização da mulher escritora e jornalista: nascia ali a AJEB.
Desde o início, a AJEB se propôs a ser mais do que uma entidade de classe — seu objetivo era unir e fortalecer mulheres por meio da palavra, criando uma rede de apoio, valorização da escrita feminina e promoção da cultura. Com o lema “A perenidade do pensamento pela palavra”, proposto por Maria Eunice Müller Kautzmann, fundadora da AJEB-RS, a associação consolidou-se como um espaço de pertencimento e expressão.
A AJEB foi construída com base em uma estrutura descentralizada, por meio de coordenadorias estaduais. A primeira a ser criada fora do Paraná foi a do Ceará, em 1974. A partir de então, a AJEB cresceu e se estabeleceu em diversas regiões do Brasil, alcançando, ao longo das décadas, mais de 20 estados, com centenas de associadas.
Cada coordenadoria atua de forma autônoma, promovendo ações culturais locais, lançamentos de livros, saraus, eventos e coletâneas. Ao mesmo tempo, elas seguem as diretrizes da AJEB nacional, fortalecendo a presença da associação no cenário literário brasileiro.
Além da produção literária, a AJEB é uma rede de relações humanas. A associação oferece oportunidades para escritoras de todas as idades e origens publicarem seus textos, participarem de eventos e trocarem experiências.
A história da AJEB também acompanha a trajetória do feminismo no Brasil, reforçando a ideia de que escrever é um ato político. Ao dar voz a mulheres em contextos históricos diferentes, a associação ajuda a construir uma narrativa mais justa, plural e sensível da cultura brasileira.
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