Golpe do falso advogado: operação do MP prende quatro investigados no ES
Investigação aponta que suspeitos criavam perfis falsos de advogados e escritórios para cobrar taxas inexistentes de vítimas por meio de transferências via Pix.

O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) prendeu quatro investigados nesta sexta-feira (11) durante a Operação “Bacharéis do Crime”, que apura a atuação de um grupo suspeito de aplicar golpes usando indevidamente a identidade de advogados.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado Norte (GAECO-Norte) conduziu a operação em conjunto com a Promotoria de Justiça Criminal de Linhares e com apoio da Assessoria Militar do MPES.
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A Justiça autorizou quatro prisões temporárias, além de mandados de busca e apreensão. Os agentes cumpriram três prisões no município da Serra. O quarto investigado já estava em uma unidade prisional da Grande Vitória e recebeu um novo mandado de prisão.
O processo tramita sob sigilo judicial para preservar as investigações.
Grupo usava perfis falsos de advogados
Segundo o MPES, os investigados são suspeitos de praticar estelionatos e outros crimes contra o patrimônio. Para enganar as vítimas, eles usariam nomes, fotografias e informações de advogados inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Os suspeitos também criavam perfis falsos com imagens de profissionais e escritórios de advocacia. As abordagens aconteciam principalmente pelo WhatsApp, onde os investigados se apresentavam como advogados ou funcionários de escritórios.
Nas conversas, as vítimas recebiam informações falsas de que haviam vencido processos judiciais ou possuíam valores disponíveis para saque.
Depois, o grupo solicitava pagamentos de supostas taxas, custas processuais ou despesas administrativas. As cobranças geralmente eram feitas por meio de transferências via Pix.
De acordo com as apurações, os suspeitos também pressionavam as vítimas ao criar um falso senso de urgência para que os pagamentos fossem realizados rapidamente.
As diligências identificaram vínculos familiares e afetivos entre os investigados. O grupo também compartilharia linhas telefônicas e contas bancárias utilizadas nas fraudes.
Durante a investigação, o MPES identificou 42 linhas telefônicas, 13 endereços de e-mail e diversas chaves Pix relacionadas aos suspeitos.
As buscas realizadas nesta sexta-feira tiveram como objetivo apreender celulares, computadores, documentos, registros financeiros e outros materiais que possam esclarecer a participação de cada investigado e apontar a existência de outros envolvidos.
Outro episódio investigado envolve a criação de um perfil falso em nome de um advogado. Os suspeitos também utilizaram, sem autorização, a fotografia do filho do profissional.
No perfil, o grupo divulgou a informação falsa de que a criança estaria com leucemia e pediu doações para um suposto tratamento médico.
O advogado informou ao MPES que o filho nunca teve a doença.
O Ministério Público reforçou que os advogados citados na investigação também são vítimas das fraudes, assim como seus clientes.
O nome “Bacharéis do Crime” faz referência ao modo de atuação atribuído ao grupo, que se apresentava como integrante da área jurídica e utilizava indevidamente a identidade de advogados para aplicar os golpes.
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