Economia

Indústria do ES cresce 12,8% e lidera avanço no país

Produção industrial do Espírito Santo avançou 12,8% em relação a julho de 2025, impulsionada principalmente por petróleo, gás natural, pelotas de minério de ferro e metalurgia.

Foto: Reprodução/Findes

A produção industrial do Espírito Santo registrou o maior crescimento do Brasil em julho de 2026, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com julho de 2025, a indústria capixaba avançou 12,8%. O resultado colocou o Estado na liderança entre os 18 locais pesquisados pelo instituto.

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O desempenho capixaba ocorreu na contramão do cenário nacional. Enquanto 11 das 18 regiões avaliadas registraram queda, a produção industrial brasileira recuou, em média, 0,5% no período.

Os dados foram compilados pelo Observatório Findes. Segundo o levantamento, tanto a indústria extrativa quanto a indústria de transformação contribuíram para o resultado positivo.

O crescimento registrado em julho também marcou o 15º mês consecutivo de avanço de dois dígitos da indústria capixaba na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Petróleo e gás impulsionam resultado

A indústria extrativa apresentou crescimento de 17,1% em relação a julho de 2025. O resultado refletiu principalmente o aumento da produção de petróleo, gás natural e pelotas de minério de ferro.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Espírito Santo produziu, em julho, média de 275,9 mil barris de petróleo por dia.

O volume representa crescimento de 30,6% na comparação com julho do ano passado. O Estado mantém produção superior a 200 mil barris por dia desde fevereiro de 2026.

O campo de Jubarte, localizado no Litoral Sul capixaba, respondeu por boa parte desse desempenho. A produção média alcançou 189,2 mil barris por dia, alta de 14,4%.

O resultado recebeu impulso do FPSO Maria Quitéria, que produziu média de 66,3 mil barris por dia em julho. O volume corresponde a cerca de 66,3% da capacidade produtiva da unidade, que chega a 100 mil barris diários.

Já o campo de Wahoo produziu média de 38,4 mil barris por dia, aproximando-se da meta de 40 mil barris estabelecida após a abertura dos quatro poços do campo.

A produção em Golfinho também avançou e registrou crescimento de 6,4% no período.

Indústria de transformação também cresce

Na passagem de junho para julho, a indústria extrativa capixaba avançou 0,7%, enquanto a indústria de transformação registrou crescimento de 2,7%.

Entre as quatro atividades da transformação pesquisadas, duas apresentaram resultado positivo.

A fabricação de produtos de minerais não metálicos cresceu 6,5%, enquanto a metalurgia avançou 2,6%.

Em sentido contrário, a fabricação de produtos alimentícios caiu 4,4%. A produção de celulose, papel e produtos de papel recuou 0,9%.

Na comparação entre julho de 2026 e julho de 2025, a indústria de transformação cresceu 2,8%.

Metalurgia ganha força

A metalurgia registrou o maior crescimento entre as atividades da indústria de transformação, com avanço de 7,8% em relação a julho do ano passado.

Segundo o levantamento, o desempenho recebeu impulso do aumento na produção de bobinas de aço laminadas a quente.

A fabricação de produtos de minerais não metálicos também avançou, com crescimento de 6,1%, influenciada pela maior produção de granito talhado ou serrado.

O desempenho da metalurgia também apareceu nas exportações. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam crescimento de 23,8% nas exportações da metalurgia capixaba em 2026.

Parte desse movimento ocorreu com o redirecionamento das vendas para países europeus, entre eles França, Alemanha, Polônia, Espanha, Holanda e Itália.

Os Estados Unidos, no entanto, continuam como principal destino das exportações capixabas do segmento e concentram 48,1% do valor exportado.

Entre janeiro e julho de 2026, o Espírito Santo vendeu US$ 466,9 milhões em metais básicos para o mercado norte-americano. O valor ficou 15,4% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.

Segundo a economista-chefe da Findes e gerente executiva do Observatório Findes, Marília Silva, parte da retração está relacionada ao aumento das barreiras tarifárias dos Estados Unidos sobre produtos siderúrgicos brasileiros.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, o avanço industrial também gera reflexos em outros setores.

“Quando a indústria se instala ou cresce, ela movimenta logística, serviços, tecnologia, manutenção, engenharia, educação, comércio exterior e fornecedores”, afirmou.

Segundo Baraona, o desafio agora é organizar as cadeias produtivas, identificar gargalos e ampliar o valor agregado da produção capixaba.

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Jornalista com mais de uma década de experiência em produção de conteúdo jornalístico e cobertura de temas políticos, de segurança pública e institucionais. Atua com redação e edição de matérias para diferentes plataformas. Também possui experiência em comunicação política e eleitoral, assessoria de imprensa e redação publicitária.