Comissão de Ética aprova advertência para vereadora investigada por quebra de decoro no Sul do ES
O parecer foi apresentado pelo relator, vereador Serjão (PL), durante a análise do Processo nº 11.308/2026.

A Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Conceição do Castelo aprovou, nesta terça-feira (20), o relatório que recomenda a aplicação de uma advertência por escrito à vereadora Andréia de Andrade Dalbó (MDB), investigada por suposta quebra de decoro parlamentar.
O parecer foi apresentado pelo relator, vereador Serjão (PL), durante a análise do Processo nº 11.308/2026.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp!O relatório recebeu três votos favoráveis, dos vereadores Serjão (PL), Maicon da Farmácia (MDB) e Saulo Belisário (MDB). O vereador Saulo Mareto (PSB) votou contra o parecer. Como não houve empate, o presidente da comissão não precisou votar. Apesar disso, ele declarou que acompanharia a posição contrária ao relatório apresentada por Mareto.
Entenda o caso
O processo contra Andréia Dalbó tem como base um episódio ocorrido em 25 de agosto de 2026, durante uma sessão ordinária da Câmara Municipal de Conceição do Castelo. Na ocasião, segundo as informações que fundamentam a denúncia, a vereadora chegou atrasada à sessão após duas semanas de ausência e tentou utilizar a tribuna sem inscrição prévia ou autorização da presidência.
Ainda conforme o relato do caso, a parlamentar teria se exaltado e gritado a palavra “repúdio” antes de arremessar um copo de vidro no chão da Casa Legislativa.
O presidente da Câmara, Humberto Rocha (PDT), apontou possível violação ao artigo 103 do Regimento Interno e afirmou que a conduta colocou em risco a segurança das pessoas presentes.
O que diz a vereadora
Recebo com respeito a decisão da Comissão de Ética da Câmara Municipal de Conceição do Castelo, que aprovou, por três votos a um, o relatório que recomenda a aplicação de advertência escrita, por entender que essa penalidade é compatível com a conduta analisada e com as normas regimentais.
É importante esclarecer que a denúncia apresentada pelo atual presidente da Câmara Municipal solicitava a cassação do meu mandato, uma penalidade extremamente grave que, conforme o entendimento apresentado no relatório aprovado, não seria proporcional à conduta praticada.
Reconheço que errei e assumo integralmente a responsabilidade pela minha atitude. Não tenho dificuldade em reconhecer meus erros e compreendo que, como representante eleita pela população, tenho o dever de agir com responsabilidade e respeito, mesmo diante de situações de conflito.
Entretanto, não posso deixar de mencionar o contexto que venho enfrentando desde o início do meu segundo mandato. Este já é o quarto procedimento apresentado contra mim por iniciativa do atual presidente da Câmara Municipal, Humberto Rocha. Os três anteriores tramitaram no Ministério Público, na Prefeitura Municipal, onde exerço meu cargo efetivo de professora, e na própria Comissão de Ética da Câmara, tendo sido arquivados.
Na minha avaliação, essa sequência de denúncias representa insistentes tentativas de me desgastar politicamente e de silenciar a única voz feminina dentro da Câmara Municipal. Tenho enfrentado situações que considero desproporcionais e que ultrapassam os limites das divergências políticas. Acredito que o exercício de um mandato independente não deveria resultar em sucessivas tentativas de comprometer minha atuação como vereadora e também minha vida profissional.
Diferentemente dos procedimentos anteriores, neste reconheço que tive uma atitude inadequada. Mas reconhecer um erro não significa que ele deva resultar na perda de um mandato legitimamente conquistado pelo voto popular.
Quero, acima de tudo, fazer um pedido sincero de desculpas à população de Conceição do Castelo pelo meu comportamento naquele episódio ocorrido na Câmara Municipal. Reconheço que poderia ter agido de outra maneira e que minha atitude não corresponde à postura que desejo manter como representante da nossa população.
Estou atravessando um dos momentos mais difíceis e dolorosos da minha vida. A perda da minha mãe deixou um vazio imenso, uma dor que ainda estou aprendendo a enfrentar. Além do processo de luto, venho passando por problemas de saúde que exigem acompanhamento e cuidados médicos. Atualmente, encontro-me afastada das minhas atividades profissionais e sem receber salário.
Não menciono essas dificuldades para justificar meu comportamento, porque sei que o sofrimento não nos isenta de responsabilidade. Compartilho essa realidade porque, antes de ser vereadora, sou uma mulher, uma mãe, uma filha que perdeu sua referência e um ser humano que também enfrenta momentos de fragilidade.
Peço perdão a cada cidadão que se sentiu decepcionado com minha atitude. Tenho consciência da responsabilidade que carrego ao representar a população e reafirmo meu compromisso de agir com respeito, equilíbrio e responsabilidade.
Assumo meu erro, mas isso não apaga minha história, meu trabalho e o compromisso que tenho com Conceição do Castelo. Acredito que reconhecer nossas falhas também é uma demonstração de maturidade e respeito à população.
Não peço que meu erro seja ignorado. Peço apenas que seja tratado com a proporcionalidade e a justiça que as normas exigem.
Continuarei defendendo meu direito de exercer o mandato com independência, dignidade e respeito, sem abrir mão da minha voz e do compromisso que assumi com cada cidadão de Conceição do Castelo.
Tramitação do processo
A denúncia formal foi apresentada por Humberto Rocha em 11 de setembro de 2026, sob o Processo nº 11.308/2026. Três dias depois, em 14 de setembro, a Mesa Diretora encaminhou o caso à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar para análise.
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