Riquezas do Sul

Jece Valadão: de Cachoeiro para a história do cinema brasileiro

Embora fosse natural do estado fluminense, cresceu em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, cidade que marcou sua juventude

Foto: Divulgação

Nascido em 24 de julho de 1930, em Murundu, na região de Campos dos Goytacazes, no interior do Rio de Janeiro, Jece Valadão (1930–2006) foi ator, diretor e produtor cinematográfico. Embora fosse natural do estado fluminense, cresceu em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, cidade que marcou sua juventude e integrou sua formação pessoal e artística. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, tornou-se um dos rostos conhecidos do cinema brasileiro, com participação em mais de cem produções.

Registrado como Gecy Valadão, mudou-se ainda criança para Cachoeiro de Itapemirim, acompanhando a família após a transferência profissional do pai, que trabalhava como ferroviário. Foi na cidade capixaba que viveu parte importante de sua juventude e iniciou sua relação com os meios de comunicação, atuando como locutor de rádio antes de seguir carreira artística.

Receba as principais notícias no seu WhatsApp!

Em 1949, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde começou a estudar teatro e deu os primeiros passos no cinema. Participou de produções como Carnaval no Fogo e Também Somos Irmãos, iniciando uma trajetória que o levaria a trabalhar com importantes diretores e intérpretes da cinematografia nacional.

Projeção nacional

Sua carreira ganhou projeção nas décadas de 1950 e 1960, período de transformações na linguagem e na produção cinematográfica brasileira. Participou de filmes como Rio, 40 Graus (1955), Rio, Zona Norte (1957), Os Cafajestes (1962) e Boca de Ouro (1963). Essas obras integram momentos relevantes da história do cinema nacional, especialmente pela abordagem de questões sociais, conflitos humanos e aspectos da realidade urbana brasileira.

Jece Valadão tornou-se particularmente conhecido pela interpretação de personagens controversos, marcados pela personalidade autoritária, pelo comportamento transgressor e por conflitos morais. Essa característica consolidou sua imagem como um dos intérpretes mais associados ao perfil do anti-herói no cinema brasileiro.

Ao longo da carreira, trabalhou com cineastas como Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra, Glauber Rocha e Cacá Diegues, nomes ligados à renovação da linguagem cinematográfica no país. Sua participação em produções como A Idade da Terra (1980) e Tieta do Agreste (1996) demonstra a diversidade de sua atuação e sua presença em diferentes fases da história do cinema nacional.

Além do trabalho diante das câmeras, também exerceu atividades de direção e produção. Entre os filmes que dirigiu estão Procura-se uma Rosa (1964), As Sete Faces de um Cafajeste (1968), Obsessão (1973) e Nós, os Canalhas (1975). Sua atuação em diferentes funções contribuiu para ampliar sua participação na indústria cinematográfica brasileira.

Na televisão, integrou o elenco de novelas, séries e outras produções, mantendo contato com diferentes gerações de espectadores. Entre seus trabalhos estão a novela Bang Bang e participações nas séries A Diarista e Sob Nova Direção. Nos últimos anos de vida, também passou a compartilhar publicamente sua experiência de conversão religiosa, tema abordado no documentário O Evangelho Segundo Jece Valadão.

O ator faleceu em 27 de novembro de 2006, aos 76 anos, em São Paulo e foi sepultado em Cachoeiro de Itapemirim. Sua carreira permanece registrada em obras que atravessaram diferentes períodos do cinema nacional, especialmente pelas interpretações de personagens complexos e pela participação em produções de relevância histórica.

Você no aquinoticias.com

Presenciou algo importante na sua cidade? Tem uma denúncia, reclamação ou um vídeo exclusivo? Sua sugestão pode virar notícia. Envie agora para o nosso WhatsApp: (28) 99991-7726