Riquezas do Sul

Levino Fânzeres: o artista de Cachoeiro que retratou as paisagens do Brasil

Reconhecido pela representação das paisagens brasileiras, destacou-se nas artes plásticas durante a primeira metade do século XX

Foto: Divulgação

Nascido em 6 de junho de 1884, em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, Levino de Araújo Vasconcelos Fânzeres (1884–1956) foi pintor, desenhista, gravador e professor. Reconhecido pela representação das paisagens brasileiras, destacou-se nas artes plásticas durante a primeira metade do século XX, construindo uma trajetória marcada pelo domínio técnico, pela valorização da natureza e pela dedicação ao ensino artístico.

Filho da professora Maria Josepha de Vasconcelos e do escultor e decorador Salvador de Araújo Fânzeres, cresceu em uma família ligada à educação e às artes. Ainda jovem, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde iniciou sua formação no Liceu de Artes e Ofícios e, posteriormente, ingressou na Escola Nacional de Belas Artes. Nesse período, estudou com importantes mestres da pintura brasileira, entre eles João Zeferino da Costa e Baptista da Costa, que influenciaram seu desenvolvimento artístico.

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O reconhecimento veio em 1912, quando conquistou o Prêmio de Viagem à Europa, principal distinção concedida pelo Salão Nacional de Belas Artes. A premiação permitiu que ampliasse seus estudos em Paris, um dos principais centros artísticos do mundo naquele período. Na capital francesa, frequentou instituições de ensino e teve contato com diferentes correntes da pintura europeia, além de conhecer artistas como Pablo Picasso e Fernand Léger.

Preferência pela pintura

Apesar da convivência com movimentos de vanguarda, Levino manteve sua preferência pela pintura de paisagens e figuras ligadas ao ambiente rural. Sua produção valorizava a luz natural, as formas da vegetação, os contrastes de cores e a grandiosidade dos cenários brasileiros. Os céus, as montanhas, os rios e os campos tornaram-se elementos recorrentes de suas telas, revelando uma interpretação particular da natureza.

Ao retornar ao Brasil, dedicou-se à pintura e à formação de novos artistas. Fundou a Colméia dos Pintores do Brasil, iniciativa voltada ao ensino livre das artes plásticas, com atividades realizadas ao ar livre, especialmente na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. O projeto reuniu estudantes interessados em desenvolver habilidades artísticas por meio da observação direta da paisagem e contribuiu para a formação de nomes que posteriormente se destacariam no cenário nacional.

Exposições

Sua atuação também ultrapassou os ateliês. Levino percorreu diferentes regiões do Brasil, realizando exposições, palestras e registros artísticos de paisagens naturais. Entre os locais retratados estão a Amazônia, o Vale do Rio Doce e a Serra da Canastra, onde explorou elementos da geografia brasileira e as particularidades da vegetação, da luminosidade e das formações naturais.

Ao longo da carreira, participou de exposições nacionais e internacionais, incluindo mostras de arte brasileira realizadas em Nova York. Sua produção também alcançou espaços institucionais e edifícios públicos, ampliando a circulação de suas obras e sua presença no patrimônio artístico brasileiro.

Em 1952, recebeu uma encomenda do então presidente Getúlio Vargas para produzir painéis que representassem o início da industrialização do aço no Brasil. As obras retratavam instalações industriais de Volta Redonda, demonstrando sua capacidade de explorar temas que ultrapassavam as paisagens naturais e dialogavam com transformações econômicas e sociais do país.

Relevância cultural

Sua obra também possui relevância cultural pela valorização da paisagem brasileira como tema artístico. Ao representar diferentes regiões do país, contribuiu para registrar características naturais e territoriais que compõem a identidade nacional, aproximando arte, natureza e memória.

A ligação de Levino com Cachoeiro permanece reconhecida no município por meio da Sala de Exposições Levino Fânzeres, espaço cultural inaugurado em 2005 e dedicado à apresentação de trabalhos artísticos. A homenagem preserva a memória do pintor e contribui para incentivar a circulação das artes visuais na cidade.

O artista faleceu em 1956, no Rio de Janeiro, deixando uma produção que integra a história da pintura brasileira. Sua atuação como professor também representa parte significativa desse legado, especialmente pela contribuição à formação artística e à valorização da pintura de paisagem.

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