Raul Sampaio Cocco: o compositor que transformou Cachoeiro em música
Autor de mais de 200 canções gravadas, destacou-se pela versatilidade musical e pela capacidade de transformar sentimentos, histórias e referências regionais em composições que alcançaram projeção nacional.

Nascido em 6 de julho de 1928, em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, Raul Sampaio Cocco foi cantor, violonista e compositor, reconhecido por sua contribuição à música popular brasileira. Autor de mais de 200 canções gravadas, destacou-se pela versatilidade musical e pela capacidade de transformar sentimentos, histórias e referências regionais em composições que alcançaram projeção nacional.
Filho de José Cocco e Fanny Sampaio Cocco, Raul iniciou sua trajetória artística na Rádio Cachoeiro, onde integrou a dupla Dois Valetes, ao lado de Loé Moulin. Posteriormente, com a entrada da cantora Yolanda, o grupo passou a se chamar Dois Valetes e Uma Dama. Essas primeiras experiências contribuíram para sua formação musical e abriram caminho para uma carreira que ultrapassaria as fronteiras do Espírito Santo.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp!Em 1949, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ampliou sua atuação profissional. Poucos anos depois, passou a integrar o tradicional Trio de Ouro, ao lado de Herivelto Martins e Lourdinha Bittencourt, consolidando sua presença no cenário musical brasileiro. Como compositor, estabeleceu parcerias com artistas como Chico Anísio, Marino Pinto, Haroldo Lobo e Benil Santos, criando sambas, marchinhas, boleros, valsas e sambas-canção.
Entre suas composições estão “Guarda-chuva de Pobre”, “Rio Quatrocentão”, “Rio, Eterna Capital” e “A Carta”. Suas músicas foram interpretadas por nomes como Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Carlos Galhardo, Miltinho e Erasmo Carlos, demonstrando a abrangência de sua produção e sua participação na história da música nacional.
Meu Pequeno Cachoeiro
Sua contribuição mais emblemática para Cachoeiro de Itapemirim foi a composição “Meu Pequeno Cachoeiro”, eternizada na voz de Roberto Carlos em 1969. A canção tornou-se uma das principais referências afetivas e culturais do município, expressando a saudade da terra natal e valorizando suas paisagens, suas lembranças e o sentimento de pertencimento de seus moradores.
A importância de Raul Sampaio para a cultura do Sul do Espírito Santo está diretamente ligada à valorização da identidade regional por meio da música. Ao alcançar reconhecimento nacional, o compositor também projetou o nome de Cachoeiro de Itapemirim, contribuindo para fortalecer a relação entre a produção artística capixaba e a memória cultural brasileira.
Em reconhecimento à sua trajetória e à divulgação de sua cidade natal, Raul recebeu, em 1969, o título de Cachoeirense Ausente, homenagem dedicada a personalidades que mantêm vínculos com o município mesmo vivendo em outras localidades. Sua obra representa uma conexão entre a tradição musical, a memória coletiva e o orgulho das origens.
Raul Sampaio ocupa um lugar especial na história cultural de Cachoeiro de Itapemirim. Ele foi responsável por transformar o amor à cidade em uma expressão musical que atravessa gerações. Seu legado permanece como símbolo da identidade cachoeirense e da contribuição do Sul do Espírito Santo para a música popular brasileira.
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