Universidade do Espírito Santo transforma sobras de alimentos em gás de cozinha
Três biodigestores instalados no Restaurante Universitário da Ufes poderão produzir biogás equivalente a até 15 botijões de gás por mês e 300 litros diários de biofertilizante.

Restos de alimentos que antes eram descartados no Restaurante Universitário (RU) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no campus de Goiabeiras, em Vitória, agora ganham uma nova utilidade. Por meio de três biodigestores, os resíduos orgânicos passam a ser transformados em biogás, utilizado como fonte de energia, e biofertilizante, destinado ao cultivo de plantas.
Os equipamentos tiveram inauguração oficial programada para quinta-feira (22) e possuem capacidade estimada de produzir biogás equivalente a até 15 botijões de gás de cozinha por mês, além de até 300 litros de biofertilizante diariamente.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp!O combustível renovável será utilizado no preparo do café servido durante o desjejum no restaurante, reduzindo a necessidade de gás convencional. Já o biofertilizante é destinado às hortas e demais plantas cultivadas nas proximidades da unidade.
Como restos de comida são transformados em energia?
A transformação acontece dentro dos biodigestores, equipamentos que funcionam como grandes recipientes fechados. Neles, microrganismos decompõem resíduos orgânicos em um ambiente sem oxigênio, produzindo biogás e biofertilizante.
Segundo o diretor de Gestão dos Restaurantes da Ufes, Iury Pessoa, cada equipamento tem capacidade estimada de gerar biogás equivalente a dois a cinco botijões de gás de cozinha de 13 quilos mensalmente.
Com os três biodigestores em funcionamento, a produção poderá variar entre seis e 15 botijões por mês.
Além da energia, cada unidade poderá fornecer até 100 litros de biofertilizante por dia, totalizando uma capacidade de 300 litros diários.
A iniciativa busca diminuir o desperdício de alimentos, reduzir o consumo de combustíveis convencionais e ampliar o aproveitamento dos resíduos produzidos na universidade.
Restaurante produz mais de 200 quilos de resíduos por dia
Um levantamento realizado pela equipe do Restaurante Universitário de Goiabeiras, entre janeiro e março de 2026, identificou uma geração média de 202 quilos de resíduos orgânicos sólidos por dia na cozinha.
Antes da instalação dos biodigestores, esses materiais eram congelados e recolhidos diariamente pela Prefeitura de Vitória para destinação externa.
Com a implantação da tecnologia, parte dos resíduos passa a ser processada no próprio restaurante, diminuindo a dependência da coleta e permitindo o reaproveitamento dos materiais.
A mudança também exigiu adaptações na rotina dos trabalhadores. Entre as novas atividades estão a separação adequada dos restos de alimentos, a pesagem dos materiais e o abastecimento dos biodigestores.
Segundo a direção, a separação correta dos resíduos é fundamental para garantir o funcionamento dos equipamentos.
Projeto também terá atividades de educação ambiental
Além de contribuir para a redução do descarte de resíduos, os biodigestores serão utilizados em ações de educação ambiental promovidas pela universidade.
No início de outubro, durante a Semana do Conhecimento, o Restaurante Universitário realizou a oficina Do descarte ao recurso: biodigestores e o ciclo dos resíduos no Restaurante Universitário da Ufes.
A proposta é ampliar essas atividades e receber estudantes de escolas da educação básica em visitas guiadas.
Durante os encontros, as crianças poderão conhecer os biodigestores, visitar as hortas e a cozinha industrial, além de realizar uma refeição no restaurante.
A iniciativa pretende estimular a conscientização ambiental, incentivar hábitos alimentares saudáveis e aproximar os estudantes da universidade pública.
Tecnologia poderá chegar a outros campi da Ufes
A Universidade Federal do Espírito Santo também pretende avaliar a possibilidade de expandir a utilização de biodigestores para outros campi.
Entretanto, ainda não existe previsão para a implantação dos equipamentos em novas unidades.
O projeto é executado pela Pró-Reitoria de Extensão (Proex/Ufes), em parceria com o projeto de extensão Design Regenerativo e Oficinas de Economia Circular no Cotidiano (Decco/Ufes).
A expectativa é que a experiência contribua para fortalecer práticas sustentáveis dentro da instituição e incentive novas formas de aproveitamento dos resíduos orgânicos.
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