Política Nacional

Clubes de futebol defendem bets no STF; governo destaca danos sociais

A audiência pública acontece no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, e foi convocada pelo ministro Luiz Fux, relator da ação que pede a retomada das apostas on-line.

Mais de 30 representantes do governo, de clubes de futebol e dos setores do comércio e de apostas discutem, nesta terça-feira (3), a proibição das bets no Brasil.

A audiência pública acontece no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, e foi convocada pelo ministro Luiz Fux, relator da ação que pede a retomada das apostas on-line.

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No fim de setembro, o governo proibiu as bets por meio de uma Medida Provisória (MP). Em seguida, a Associação Nacional de Jogos e Loterias recorreu ao STF.

Mais cedo, o presidente Lula pediu que a sociedade civil não permita o retorno das apostas.

“É importante que a sociedade civil acompanhe. Porque me parece que tem mais gente participando que interessa que as bets continuem funcionando do que as pessoas que são contra as bets. É importante que a sociedade civil participe para que haja justiça na decisão. Vocês sabem que as coisas começaram a melhorar muito depois que as bets fecharam”. 

Durante a audiência, Luiz Fux apontou os impactos das apostas na economia e na saúde pública, mas também alertou para possíveis prejuízos às empresas e insegurança jurídica. O ministro ainda rebateu as críticas de que não teria ouvido a sociedade civil.

“Não procede a alegação de que eu só convoquei empresas e times de futebol, não. Até porque eu convoquei também a Associação Brasileira dos Supermercados. Convidei a sua excelência o ministro da Justiça, porque há notícias de que a proibição gerou o surgimento de milhares de bets ilegais”.

Danos sociais e ligação com o crime

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, defendeu a posição do governo.

“Parece inequívoco que a dinâmica social que foi arrastada pelo evento ‘bets’ produziu enormes danos. Danos na área da saúde pública, na área de uma cidadania digital adequada e danos na área da segurança pública, em particular. Desafortunadamente, constatamos uma proximidade indesejável da atividade ‘bets’ com o crime organizado, com a lavagem de dinheiro”. 

Já o advogado-geral da União, Jorge Messias, considerou insustentável a situação das bets.

“Não há incoerência em corrigir uma escolha quando seus efeitos se revelam socialmente gravosos. Incoerente seria conhecer o sofrimento das famílias e insistir no mesmo caminho apenas para preservar receitas empresariais”. 

Times de futebol defendem bets

O vice-presidente do Flamengo, Flávio Willeman, criticou a proibição das apostas.

“O Flamengo possui mais de 1,2 mil empregados que poderão ser comprometidos com a queda de aproximadamente R$ 430 milhões de receitas anuais com o futebol e com os esportes olímpicos. Como ficará o Flamengo e todos os clubes, com a perda dessa receita, para honrar compromissos que vencem esse ano, no início do próximo ano, com a retirada abrupta de uma regulação debatida pelo Congresso Nacional amplamente? Flamengo se posiciona, com muito respeito, pela inconstitucionalidade dessa Medida Provisória”.

Mattheus Montenegro, presidente do Fluminense, destacou os prejuízos para os clubes.

“Mexer com essa Medida Provisória vai no coração de todos os clubes, porque acaba com a sua principal fonte de sobrevivência. No ano passado, no Futebol Brasileiro 2025, os clubes da Série A tiveram, basicamente, R$ 3 bilhões de receita comercial. Desses R$ 3 bilhões, R$ 1 bilhão veio de bet. Então, 34% das receitas comerciais dos clubes vieram de bet. Isso eu estou falando só de Série A. No caso do Fluminense, especificamente, que tem uma receita recorrente entre R$ 600 e R$ 700 milhões, o impacto é de R$ 200 milhões”. 

Em 2025, as bets tiveram receita bruta de R$ 40 bilhões. No mesmo período, as famílias brasileiras perderam mais de R$ 62 bilhões com as apostas.

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