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Por que existem túmulos tão perto da BR-101 em Mimoso do Sul?

As sepulturas fazem parte do Cemitério de Santa Rosa, construído em 1918 para receber vítimas da Gripe Espanhola.

Cemitério Santa Rosa
Foto: Alissandra Mendes/aquinoticias.com

Quem passa pela BR-101 Sul pode se surpreender ao encontrar antigos túmulos próximos à pista, na altura do quilômetro 446, em Mimoso do Sul. As sepulturas fazem parte do Cemitério de Santa Rosa, construído em 1918 para receber vítimas da Gripe Espanhola.

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Atualmente, cinco túmulos permanecem visíveis às margens da rodovia. No entanto, segundo o historiador Renato Mofatti, o terreno pode abrigar um número muito maior de sepulturas. Ele explica que muitos corpos foram enterrados em covas rasas, conhecidas como carneiras, cobertas apenas com estruturas simples de cimento. Por isso, com a ação do tempo, grande parte dessas construções desapareceu.

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“Hoje, vemos apenas algumas sepulturas. A quantidade existente sob o solo pode ser muito maior. Muitas eram rasas e tinham estruturas simples, que se desfizeram ao longo dos anos”, explica o historiador.

Cemitério foi dividido durante a construção da BR-101

Foto: Alissandra Mendes/aquinoticias.com

De acordo com Renato Mofatti, o cemitério ocupava originalmente áreas dos dois lados do local onde hoje passa a BR-101. A construção da rodovia, entre as décadas de 1950 e 1960, teria dividido o campo santo.

“O cemitério ficava dos dois lados. “Durante a abertura da estrada, as máquinas atravessaram o terreno e dividiram o cemitério ao meio. A obra preservou alguns túmulos, mas reduziu o espaço a apenas um dos lados da pista”, afirma.

Inclusive, a movimentação constante de carros e caminhões torna difícil imaginar como era a região no início do século passado. Na época da pandemia, porém, não havia rodovia no local.

Segundo o historiador, o Cemitério de Santa Rosa atendia moradores de diferentes comunidades da região de Mimoso do Sul, entre elas: Rio Preto, Rancho Alegre, Flecheiras, São José das Torres e Paraíso. “Aquela área se tornou um ponto central para o sepultamento das vítimas da Gripe Espanhola. As comunidades ficavam próximas, mas o deslocamento era muito difícil, porque praticamente não existiam estradas”, relata.

Naquela época, as pessoas percorriam os trajetos por trilhas, a cavalo ou em carros de boi. Por isso, transportar os corpos para cemitérios mais distantes representava um grande desafio.

Famílias da região estão sepultadas no local

Foto: Alissandra Mendes/aquinoticias.com

Entre as famílias que teriam parentes enterrados no Cemitério de Santa Rosa estão: Rodrigues, Dalbom, Pintor, Lopes e Vieira.

Renato Mofatti afirma que também existem sepulturas de pessoas sem identificação ou registros conhecidos. “Sabemos que integrantes dessas famílias foram sepultados ali. Muitos outros enterros não receberam registro, e os nomes dessas pessoas se perderam”, disse.

O historiador ressalta que, em 1918, a organização territorial da região era diferente. Mimoso do Sul ainda era conhecido como Estação Mimoso, enquanto São Pedro do Itabapoana concentrava documentos, cartórios e serviços administrativos. Atualmente, São Pedro do Itabapoana é um distrito pertencente ao município de Mimoso do Sul.

Área recebeu limpeza

Foto: Alissandra Mendes/aquinoticias.com

A Prefeitura de Mimoso do Sul realizou recentemente uma limpeza no terreno. Segundo o historiador, o espaço acumulava entulhos e sofria com cortes de árvores realizados durante serviços próximos à rodovia.

Para ele, a manutenção representa um primeiro passo, mas o cemitério ainda precisa de estudos históricos e arqueológicos que identifiquem a extensão original da área e a quantidade de sepulturas.

“É necessário fazer um levantamento detalhado para descobrir quantos túmulos ainda existem no solo. Devemos preservar esse lugar por seu valor histórico e religioso e tratá-lo com respeito”, destaca.

Historiador defende preservação

Foto: Alissandra Mendes/aquinoticias.com

Renato Mofatti defende o tombamento e a sinalização do Cemitério de Santa Rosa. Na avaliação dele, uma placa poderia informar os motoristas e visitantes sobre a importância histórica do local.

“É um campo santo e precisa ser preservado. Seria importante delimitar a área e instalar uma placa identificando o Cemitério de Santa Rosa como local de sepultamento de vítimas da Gripe Espanhola”, afirma.

No entanto, o historiador também acredita que a preservação poderia transformar o espaço em um ponto de memória, pesquisa e visitação histórica.

“Nem sempre a história e a cultura recebem a atenção necessária. Quando um patrimônio desaparece, perdemos também parte da memória da população”, lamenta.

Tratamentos usados durante a pandemia

Durante a Gripe Espanhola, ainda não existia um tratamento capaz de combater diretamente a doença. A população recorria a medicamentos e preparações caseiras para tentar aliviar os sintomas.

Segundo Renato Mofatti, um farmacêutico chamado Pedro da Mata de Araújo teria produzido uma infusão à base de folhas de laranjeira, caroba e salsa. Outro medicamento mencionado em registros locais era o ‘Lombacida’, usado para reduzir os sintomas apresentados pelos doentes. “Não havia cura. As pessoas usavam remédios e infusões apenas para aliviar o sofrimento”, explica

Gripe Espanhola

A Gripe Espanhola foi uma pandemia causada por um vírus influenza do tipo H1N1. A doença se espalhou pelo mundo entre 1918 e 1920.

Dados estimam que a doença infectou cerca de 500 milhões de pessoas. O número de mortes no mundo varia, conforme diferentes estudos, entre 17 milhões e 50 milhões.

No Brasil, a doença chegou em setembro de 1918, após a passagem do navio britânico Demerara por cidades portuárias. Cerca de 35 mil mortes foram registradas oficialmente no país.

Entre as vítimas estava Rodrigues Alves, eleito presidente da República em 1918. Ele morreu antes de tomar posse.

A pandemia provocou o fechamento temporário de escolas, comércios e espaços públicos. Isso porque grande quantidade de mortes também sobrecarregou hospitais, cemitérios e serviços funerários em diferentes regiões do país.

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Com mais de 23 anos de experiência na área, e passagens por diversos veículos de comunicação do Estado, atua no portal AQUINOTICIAS.COM desde 2021, e está em sua segunda passagem pelo veículo, somando mais de 11 anos de empresa. Formada em História e pós-graduada em Jornalismo Político, atuou também em assessoria de imprensa por mais de 15 anos, além de passagem por emissoras de rádio, TV e revistas em Cachoeiro de Itapemirim.