Dia do Padre reforça importância dos sacerdotes na vida comunitária
Data é celebrada em memória de São João Maria Vianney e destaca a atuação dos sacerdotes no acompanhamento de famílias e comunidades.

No dia 4 de agosto, a Igreja Católica celebra o Dia do Padre, em memória de São João Maria Vianney, conhecido como o Santo Cura d’Ars e padroeiro dos sacerdotes. Mais do que uma data comemorativa, a ocasião convida os fiéis a reconhecerem uma vocação marcada pelo serviço, pela disponibilidade e pela entrega cotidiana.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiA missão de um sacerdote não se limita à celebração da missa ou à administração dos sacramentos. O padre acompanha famílias, escuta histórias, acolhe dores, orienta comunidades e, muitas vezes, chega a lugares onde a presença da Igreja enfrenta grandes distâncias e dificuldades.
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Representante dos presbíteros da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, padre Josimar Pirovani falou à Rádio Diocesana diretamente de Manaus, enquanto retornava de uma experiência missionária na Prelazia de Lábrea, no Amazonas.
Desde o dia 14 de julho, ele integrou uma equipe formada por profissionais de diferentes áreas, entre eles dentista, enfermeiro, psicólogo, seminarista e sacerdote. O grupo percorreu comunidades ribeirinhas a bordo do barco Laguna Negra, viajando durante dias e noites e oferecendo atendimentos religiosos, sociais e de saúde à população local.
Para padre Josimar, embora o altar seja o centro da vida sacerdotal, a missão que nasce da Eucaristia precisa alcançar a realidade das pessoas.
“O padre, de fato, é um homem do altar. É daí que brota tudo e para aí também aponta tudo aquilo que ele realiza. No entanto, a vida presbiteral vai além disso”, afirmou.
Segundo ele, a experiência na Amazônia demonstrou que a missão não pertence exclusivamente aos padres, mas é uma responsabilidade de todos os cristãos. “É uma experiência missionária que o padre pode e deve realizar, mas não só o padre. Todo batizado é chamado a viver essa experiência”, ressaltou.
Evangelização no ambiente digital
Outro desafio apresentado ao sacerdócio contemporâneo é o anúncio do Evangelho em uma sociedade acelerada e cada vez mais conectada. Para padre Josimar, as redes sociais podem aproximar a Igreja principalmente dos jovens e das pessoas que não participam regularmente das comunidades.
Ele alertou, porém, que a presença digital deve estar vinculada à unidade e aos ensinamentos da Igreja.
“Precisamos aproveitar as redes sociais para anunciar o Evangelho de maneira clara e em comunhão com a Igreja. Não se pode fazer uma carreira solitária ou agir como se fosse uma igreja à parte”, explicou.
Um ser humano que também precisa de cuidado
Durante a entrevista, o sacerdote também destacou que a figura do padre não deve ser idealizada como a de alguém que possui todas as respostas ou que está acima das limitações humanas.
“O padre tem família, tem história, tem lutas, tem irmãos, pais, sobrinhos e amigos. Ele sente, pensa, chora e se alegra. Não podemos romantizar a figura do padre”, declarou.
Para ele, o sacerdote deve ser visto como alguém com quem os fiéis podem compartilhar a própria história e buscar orientação, mas não como uma pessoa incapaz de falhar ou decepcionar. Caso um fiel não consiga estabelecer diálogo com determinado sacerdote, padre Josimar recomenda que procure outro presbítero com quem se sinta acolhido.
Essa humanidade também torna necessário o cuidado com a saúde mental. De acordo com o sacerdote, os padres escutam diariamente sofrimentos, conflitos e fragilidades pessoais, especialmente durante os aconselhamentos e as confissões.
“Nós lidamos com as riquezas e também com as misérias da vida das pessoas. Por isso, eu também preciso cuidar de mim”, afirmou.
Padre Josimar ressaltou que buscar acompanhamento psicológico ou ajuda especializada não deve ser motivo de preconceito. O cuidado com a saúde mental, segundo ele, faz parte da atenção integral à pessoa e é necessário para sacerdotes, trabalhadores, pais, mães e jovens.
Vocação construída em comunidade
Ao recordar o próprio chamado ao sacerdócio, padre Josimar explicou que a descoberta vocacional aconteceu gradualmente. Ele cresceu em uma família participante da comunidade eclesial de Vila Espírito Santo, no interior de Guaçuí, ligada à Paróquia São Miguel.
A convivência com padres, lideranças leigas, círculos bíblicos, grupos de jovens e pastorais contribuiu para o processo de discernimento. O acompanhamento de sacerdotes também o ajudou a compreender melhor o chamado.
“A vocação é um processo de descoberta. Deus vai chamando por meio da família, da comunidade, das pastorais e das pessoas que ajudam a perceber esse caminho”, contou.
Aos jovens que estão discernindo entre a vida sacerdotal, religiosa, matrimonial ou outras formas de serviço, ele deixou uma mensagem de coragem. Para o padre, a vocação não deve ser escolhida apenas pela busca de fama, dinheiro ou uma felicidade idealizada.
“A vocação está ligada à inteireza. É onde eu me sinto inteiro, feliz e plenamente presente. Ela é cruz e ressurreição todos os dias”, explicou. “Não tenham medo de responder com generosidade aos apelos do Senhor.”
Comunidades chamadas a cuidar
Ao final da entrevista, padre Josimar dirigiu uma mensagem especial às comunidades da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim. Além de pedir orações pelos sacerdotes, ele destacou que os padres, embora sejam responsáveis por cuidar e orientar tantas pessoas, também precisam receber atenção, amizade e apoio.
“Rezem pelo padre da sua paróquia e pelo sacerdote que vocês conhecem. Sejam pessoas que ajudam e que cuidam. O padre também precisa ser cuidado”, pediu.
Segundo ele, gestos simples podem fazer diferença na vida de um presbítero: uma oração, uma palavra de gratidão, uma visita ou uma pequena demonstração de carinho.
“O mimo da oração, alguém dizer ‘padre, hoje eu rezei pelo senhor’, ou oferecer um bombom, são coisas simples, mas importantes. São gestos que revelam cuidado”, afirmou.
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