Cultura

Medo, solidão e transformação: ‘A Metamorfose’ ganha temporada gratuita

Adaptado da obra clássica de Franz Kafka (1883-1924), o espetáculo traz à cena temas urgentes do cotidiano.

A Metamorfose
Foto: Divulgação

Medo, solidão, indiferença e desumanização são algumas das premissas que dão sentido ao monólogo “A Metamorfose” protagonizado pelo ator Luiz Carlos Cardoso, no Espaço Cultural Má Companhia, no Centro de Vitória, a partir de 21 de agosto.

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Adaptado da obra clássica de Franz Kafka (1883-1924), o espetáculo traz à cena temas urgentes do cotidiano, por meio de uma linguagem refinada e provocadora, marca registrada do Grupo Anônimos de Teatro.

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Seis apresentações gratuitas, sendo duas exclusivas para estudantes de escolas públicas, e uma oficina formativa estão na programação da capital capixaba. Todas as exibições contam com a participação de um intérprete de Libras.

A programação de “A Metamorfose” conta com datas dedicadas aos alunos de escolas públicas, às sextas-feiras, 21 e 28 de agosto, às 14h. Já o público em geral pode aproveitar as apresentações nos sábados, 22 e 29 de agosto, às 19h30, e nos domingos, 23 e 30 de agosto, às 18h.

Os ingressos são gratuitos e podem ser adquiridos com antecedência neste link aqui, a partir do dia 19 de agosto (quarta-feira). A montagem tem a classificação livre e a duração de 50 minutos.

O espetáculo foi adaptado do livro homônimo do escritor tcheco Franz Kafka. Na trama, o personagem Gregor Samsa é um caixeiro-viajante que acorda transformado em um inseto monstruoso. Por meio de metáforas, a montagem do Grupo Anônimos revela o drama existencial e a condição humana do protagonista.

“A obra fala sobre a desumanização de uma família que, ao ver um de seus integrantes metamorfoseado em um inseto, o execram de sua convivência. Essa metáfora constrói uma profunda reflexão sobre o ser e o estar no mundo. Quais direitos nós temos de ser e estar onde quisermos no mundo de hoje?”, questiona o intérprete Luiz Carlos Cardoso.

A partir do desejo de dialogar com o universo de “A Metamorfose”, de Franz Kafka, o espetáculo se conecta com o autor a partir da transformação humana, do isolamento e assim, criando uma ponte com os dias atuais.

“O principal desafio foi construir uma linguagem própria que respeitasse o universo kafkiano sem reproduzi-lo literalmente. Para isso, foi necessário integrar diferentes linguagens artísticas em um processo aberto de experimentação, no qual corpo, espaço, música, dramaturgia e visualidade se transformassem mutuamente”, explica a diretora Ivna Messina.

O resultado é um espetáculo que reafirma a pesquisa do Grupo Anônimos de Teatro sobre o “outro”, propondo uma experiência sensível em que a metamorfose deixa de ser apenas um acontecimento fantástico para tornar-se uma reflexão sobre a condição humana contemporânea.

“O que acontece em nosso trabalho, em nossa família, no sistema em que vivemos quando decidimos mudar de opinião e sermos uma outra pessoa? A trajetória de Gregor Samsa ilustra as consequências quando se escolhe ir contra a maré, e como tudo o que está ao nosso redor reage a isso. Como estamos padronizados, encaixotados em nomenclaturas, em um modus operandi, em formas estruturadas de funcionamento, talvez essas nuances nem sempre condizem com os nossos sentimentos ou nossas identidades. Somos o que somos?”, reforça Luiz Carlos.

A cada apresentação da montagem “A Metamorfose”, o público contará com trilha sonora ao vivo, composta e executada pelos músicos integrantes do Grupo, Alessandra Biato (baixo acústico) e João de Paula Junior (violino). Além disso, poderá acompanhar uma videoarte homônima, criada especialmente para a companhia de teatro em 2013. O cineasta capixaba Diego Scarparo assina a direção da videoarte.

“A trilha sonora sublinha um texto denso que, vez ou outra, provoca e ativa a atmosfera do texto que é às vezes sinistra, às vezes irônica, às vezes seca. Criar e executar trilhas ao vivo é uma característica comum do nosso grupo. Sempre que possível, eles estão em cena. Música e teatro são eixos centrais de nossa criação”, afirma Luiz.

O Grupo Anônimos de Teatro também oferece 15 vagas para a oficina “Interpretação para Solos Teatrais” ministrada pelo ator, diretor, criador, intérprete e pesquisador na área teatral, Luiz Carlos Cardoso. A atividade é direcionada para pessoas acima dos 16 anos com ou sem experiência nas artes, com interesse nas pesquisas do corpo, da cena, da literatura e da palavra.

As aulas serão realizadas nos dias 22 e 29 de agosto, sábados, das 9h às 17h; e nos dias 23 e 30 de agosto, domingos, das 14h às 18h, no Espaço Cultural Má Companhia, no Centro de Vitória. As inscrições gratuitas podem ser feitas neste link aqui.

A oficina “Interpretação para Solos Teatrais” propõe uma imersão no universo dos solos e monólogos teatrais, uma modalidade cada vez mais explorada nas artes cênicas. A construção cênica do solo encontra no próprio ator sua principal motivação, a partir de questões íntimas, corpos singulares, experiências e urgências individuais que demandam expressão.

Serão trabalhadas técnicas de provocação cênica que despertam símbolos criativos, ampliam as possibilidades do corpo e revelam as vozes múltiplas que coexistem dentro de cada artista.

A temporada do espetáculo “A Metamorfose” e demais atividades do Grupo Anônimos foram patrocinadas pela Prefeitura de Vitória, por meio da Lei Rubem Braga.

Conheça o Grupo Anônimos de Teatro

Fundado em 2008, o grupo está sediado em Cachoeiro de Itapemirim (ES). Ao longo dos seus 18 anos, a companhia teatral foi pioneira ao levar o teatro cachoeirense para fora do país. Ao longo desses anos de trabalho intenso, o Grupo Anônimos de Teatro criou 10 trabalhos cênicos, entre espetáculos e performances; projetos culturais e educativos que se desdobraram em várias edições, promovendo oficinas formativas, trocas de experiências, apresentações cênicas, viagens e intercâmbios pelo Brasil e pelo mundo.

A companhia já levou suas criações autorais para festivais nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste do país, além de diversas apresentações no Chile, Uruguai, Colômbia, México, Portugal e Itália.

Ficha técnica

Direção: Ivna Messina | Dramaturgia: Fernando Marques | Intérprete e Direção de produção: Luiz Carlos Cardoso | Trilha sonora: Alessandra Biato e João de Paula Junior | Cenário, Maquiagem e Figurino: Antônio Apolinário | Iluminação: Daniel Boone | Técnico em iluminação: André Stefson | Operação de som: Patrícia Galleto | Identidade visual: Farley José | Videoarte: Diego Scarparo | Assessoria de imprensa: Orbe Comunicação | Produção executiva: Avelã, a Cremosa | Realização: Grupo Anônimos de Teatro | Apoio: Sala Baila! e Espaço Cultural Má Companhia.

Serviço

Espetáculo “A Metamorfose”, do Grupo Anônimos de Teatro

Datas: 22 a 30 de agosto de 2026 (sábados e domingos)

Horário: 19h30 (sábados) e 18h (domingos)

Entrada: gratuita

Adquira o ingresso (a partir do dia 19 de agosto): https://www.sympla.com.br/evento/a-metamorfose-temporada-vitoria-es/3535108

Local: Espaço Cultural Má Companhia

Endereço: Rua Professor Baltazar, 152 – Centro – Vitória (ES)

Gênero: monólogo teatral

Duração: 50 minutos

Acessibilidade: intérprete de Libras

Classificação indicativa: livre

Oficina “Interpretação para Solos Teatrais”, com Luiz Carlos Cardoso

  • Datas: 22 a 30 de agosto de 2026 (sábados e domingos)
  • Horários: 9h às 17h (sábados) | 14h às 18h (domingos)
  • Inscrições gratuitas: https://forms.gle/WR9NB1McobhvTujE7
  • Local: Espaço Cultural Má Companhia
  • Endereço: Rua Professor Baltazar, 152 – Centro – Vitória (ES)
  • Público-alvo: pessoas com ou sem experiência nas artes, com interesse nas pesquisas do corpo, da cena, da literatura e da palavra.
  • Vagas: 15
  • Classificação indicativa: 16 anos

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