Riquezas do Sul

Newton Braga: o poeta que transformou o amor por Cachoeiro em tradição

Irmão mais velho do escritor Rubem Braga, destacou-se pela atuação na literatura e pelo envolvimento com a vida cultural de sua cidade natal

Newton Braga
Foto: Divulgação/PMCI

Nascido em 11 de agosto de 1911, na Fazenda do Frade, em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, Newton Braga (1911–1962) foi poeta, cronista, jornalista e advogado. Irmão mais velho do escritor Rubem Braga, destacou-se pela atuação na literatura e pelo envolvimento com a vida cultural de sua cidade natal, tornando-se uma das figuras representativas da identidade cachoeirense.

Filho de Francisco Carvalho Braga e Rachel Coelho Braga, Newton realizou parte de sua formação no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, onde concluiu o curso de Direito, em 1931. No ano seguinte, retornou a Cachoeiro de Itapemirim e passou a participar ativamente da vida social, artística e intelectual do município. Colaborou com jornais e revistas, escreveu poesias, crônicas e marchinhas carnavalescas, além de contribuir para a organização de manifestações populares.

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Sua produção literária foi marcada pela sensibilidade, pela preocupação social e pelo olhar atento às experiências humanas. Em 1945, publicou Lirismo Perdido, obra de influência modernista que recebeu elogios do poeta Carlos Drummond de Andrade. No ano seguinte, lançou Histórias de Cachoeiro, dedicado à preservação e à divulgação da história local. Entre seus trabalhos também se destaca Cidade do Interior, reunião de crônicas que retratam aspectos da vida cotidiana, dos costumes e das relações sociais.

Entre seus poemas mais conhecidos estão “Fraternidade” e “Batei, lavadeiras!”, textos que expressam sua atenção às questões humanas e sociais. Sua escrita aproximava a literatura das experiências populares, valorizando personagens, sentimentos e situações que compunham a realidade das cidades do interior brasileiro.

Dia de Cachoeiro

Entretanto, uma de suas contribuições mais duradouras para a cultura do Sul do Espírito Santo aconteceu fora dos livros. Newton Braga foi o idealizador do Dia de Cachoeiro, celebração criada para reunir moradores e filhos da terra que haviam deixado o município. A proposta começou a ser divulgada em 1936 e ganhou forma em 1939, com a realização da primeira festa, em 29 de junho, data dedicada a São Pedro, padroeiro da cidade.

A iniciativa transformou-se em uma das principais tradições culturais de Cachoeiro de Itapemirim. Mais do que uma comemoração, o Dia de Cachoeiro passou a representar o reencontro de gerações, a valorização das origens e a preservação dos vínculos afetivos com o município. Dessa tradição também surgiu a homenagem ao Cachoeirense Ausente, instituída em 1942 para reconhecer pessoas que, mesmo vivendo em outras localidades, mantêm sua ligação com a cidade.

Mesmo depois de se mudar para o Rio de Janeiro, em 1958, Newton manteve os laços com sua cidade natal. Faleceu em 1º de junho de 1962, aos 50 anos, e recebeu, naquele mesmo ano, uma homenagem póstuma como Cachoeirense Ausente. Sua memória também foi perpetuada em um monumento na Praça Jerônimo Monteiro, no Centro de Cachoeiro, onde versos do poema “Fraternidade” recordam sua sensibilidade diante das dores humanas.

Seu legado permanece presente na literatura, na história e nas tradições do município. Ao lado de outros nomes que projetaram Cachoeiro de Itapemirim no cenário cultural brasileiro, Newton Braga representa a força da produção intelectual capixaba e a importância de preservar as manifestações que conectam a população à própria história.

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