Riquezas do Sul

Maria Antonieta Tatagiba: a pioneira da literatura feminina no Espírito Santo

Considerada a primeira mulher capixaba a ter um livro publicado, tornou-se uma referência da produção intelectual feminina no estado durante as primeiras décadas do século XX.

Foto: Reprodução

Nascida em 17 de setembro de 1896, em São Pedro de Itabapoana, atual distrito de Mimoso do Sul, Maria Antonieta de Castro Siqueira, conhecida como Maria Antonieta Tatagiba, foi uma professora, escritora e poeta que marcou a história literária do Espírito Santo. Considerada a primeira mulher capixaba a ter um livro publicado, tornou-se uma referência da produção intelectual feminina no estado durante as primeiras décadas do século XX.

Filha do comerciante Artur Antunes Siqueira e de Maria Rita Cássia de Castro, passou parte da infância em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, onde iniciou sua formação escolar. Após a morte do pai, enfrentou dificuldades financeiras com a família e viveu por um período na então capital federal, antes de retornar à região de São Pedro de Itabapoana.

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Desde jovem, demonstrou interesse pela literatura, especialmente pelas obras de escritores brasileiros e franceses. Leitora dedicada, começou a escrever contos e poesias enquanto prosseguia com os estudos. Aos 18 anos, concluiu o curso de Humanidades no Ginásio Espírito-santense, em Vitória, instituição que desempenhou papel importante na educação feminina capixaba.

Embora desejasse cursar Farmácia, as circunstâncias familiares a levaram ao magistério. Aprovada em uma das primeiras colocações em concurso público para professores no Espírito Santo, passou a lecionar na escola feminina de São Pedro de Itabapoana. Também oferecia aulas noturnas particulares para adultos, ampliando sua contribuição à educação da comunidade.

Em 1922, casou-se com José Vieira Tatagiba, poeta, romancista e futuro juiz de Direito, com quem teve quatro filhos. Mesmo diante das responsabilidades familiares e profissionais, manteve sua dedicação à escrita, desenvolvendo uma produção poética marcada pela sensibilidade e pela observação da vida.

Seu principal marco literário ocorreu em 1927, com a publicação de Frauta agreste, livro de poemas que a consagrou como pioneira entre as escritoras capixabas. A obra representa um acontecimento importante na história da literatura estadual, especialmente em um período no qual as mulheres enfrentavam restrições de acesso à educação, à publicação de livros e aos espaços de reconhecimento intelectual.

Maria Antonieta Tatagiba faleceu em 13 de maio de 1928, em São Pedro de Itabapoana, aos 31 anos, após enfrentar a tuberculose. Apesar da morte precoce, sua trajetória permaneceu associada à educação e à conquista de espaço pelas mulheres na literatura.

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