Riquezas do Sul

Zilma Coelho Pinto: a educadora que transformou a alfabetização em um legado cultural em Cachoeiro

Embora seu local de nascimento não esteja identificado nas informações biográficas disponíveis, sua trajetória ficou profundamente ligada ao município

Foto: Reprodução

Zilma Coelho Pinto foi uma professora e educadora que se destacou pela luta contra o analfabetismo em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo. Embora seu local de nascimento não esteja identificado nas informações biográficas disponíveis, sua trajetória ficou profundamente ligada ao município, onde desenvolveu um projeto de alfabetização que transformou a vida de milhares de pessoas.

Em um período em que o acesso à educação ainda era limitado para grande parte da população brasileira, Zilma assumiu o compromisso de ampliar as oportunidades de aprendizagem para crianças, jovens e adultos. Na década de 1950, quando quase metade dos brasileiros com mais de 15 anos não sabia ler e escrever, iniciou uma mobilização comunitária para levar o ensino a pessoas que estavam fora das salas de aula.

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Após sucessivas tentativas de conseguir um espaço para desenvolver o projeto, obteve a doação de um terreno no atual bairro Ferroviários, feita por um casal de franceses. Com a colaboração de moradores e voluntários, construiu um barracão que se tornou o ponto de partida da Campanha de Alfabetização e Assistência Social de Cachoeiro de Itapemirim (CAASCI).

A iniciativa cresceu e passou a reunir professoras e colaboradores em atividades educacionais realizadas na cidade e no interior do município. Além do ensino da leitura e da escrita, o projeto oferecia cursos de datilografia, corte e costura, bordado e artesanato, criando oportunidades de aprendizagem e qualificação profissional. O espaço também contava com biblioteca e farmácia, ampliando seu papel de assistência à comunidade.

Reconhecimento internacional

O trabalho de Zilma ganhou reconhecimento internacional. Em 1950, sua atuação foi destacada na revista Le Courrier, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em uma reportagem intitulada A louca da escola: campanha contra o analfabetismo no Brasil. A publicação evidenciou sua dedicação à educação popular e a mobilização desenvolvida em Cachoeiro de Itapemirim.

Sua história também foi objeto de pesquisas acadêmicas, entre elas os estudos da escritora e pesquisadora Deane Monteiro Vieira Costa, que investigou a campanha de educação de adolescentes e adultos no Espírito Santo. Esses registros contribuem para preservar a memória de uma experiência educacional construída a partir da participação coletiva.

A influência de Zilma permanece na identidade da cidade. A região onde iniciou suas atividades tornou-se conhecida popularmente como “Campanha”, denominação mantida pelos moradores. O espaço abriga atualmente a Escola Municipal Zilma Coelho Pinto, instituição que perpetua seu nome e sua ligação com a educação.

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