A eleição acabou. e agora, qual deve ser o caminho da direita?
Desde o primeiro momento em que Flávio Bolsonaro anunciou sua candidatura à Presidência da República, nunca escondi

Por Luiz Moulin
Desde o primeiro momento em que Flávio Bolsonaro anunciou sua candidatura à Presidência da República, nunca escondi que aquele não era o nome que mais me agradava. Sempre entendi que o governador Tarcísio de Freitas reunia melhores condições de agregar forças políticas, ampliar alianças e conquistar o eleitorado de centro. Até mesmo Michelle Bolsonaro, na minha avaliação, representaria uma candidatura mais leve e com menor rejeição.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp!Mas a política é feita de escolhas e, diante das opções que nos foram apresentadas, Flávio acabou sendo a única alternativa eleitoralmente viável para aqueles que, como eu, desejavam uma mudança nos rumos do país. Por isso, não apenas lhe dei meu voto, como também manifestei publicamente meu apoio durante a campanha, sem receio de expor minhas convicções.
Encerrado o processo eleitoral, considero necessário fazer um parêntese, aqui de profunda indignação:
Como advogado eleitoral há mais de 20 anos, não posso simplesmente ignorar os acontecimentos que marcaram essa eleição. Na minha avaliação, há sérios indícios de práticas que merecem rigorosa apuração pela Justiça Eleitoral, especialmente no que diz respeito às condutas vedadas aos agentes públicos e ao possível abuso de poder político e econômico.
Refiro-me à ampliação e ao anúncio de benefícios sociais em pleno período eleitoral, às dúvidas sobre a existência de previsão orçamentária e amparo legal para determinadas medidas, à utilização da estrutura do Palácio do Planalto para divulgar programas governamentais com evidente potencial de repercussão eleitoral e, sobretudo, à sucessão de promessas e anúncios feitos às vésperas da votação.
Pagamento de R$ 5 mil aos MEIs, perdão de dívidas, aumento do Bolsa Família, Pé-de-Meia para universitários, transporte público gratuito no fim de semana eleitoral… Tudo isso anunciado em um momento extremamente sensível da disputa, inclusive com medidas que, segundo os questionamentos levantados, sequer integravam o programa de governo originalmente registrado na Justiça Eleitoral.
Some-se a isso a controvertida prorrogação do horário de votação, decidida quando o encerramento das urnas já estava em curso, circunstância que também merece esclarecimentos jurídicos, inclusive quanto aos fundamentos, à competência e à regularidade da decisão.
Não estou aqui defendendo o desrespeito ao resultado das urnas. Estou defendendo algo que, para mim, é inegociável: o respeito à legislação eleitoral, que deve valer para todos, independentemente de quem esteja no poder.
Por isso, espero que a equipe jurídica da campanha de Flávio Bolsonaro examine todas essas questões com profundidade e utilize, até as últimas instâncias legalmente cabíveis, os instrumentos processuais adequados para questionar eventuais irregularidades. Respeitar a democracia também significa exigir que suas regras sejam cumpridas.
Feito esse registro, penso que chegou a hora de a direita brasileira olhar para a frente!
E aqui concordo com a essência da manifestação do governador Tarcísio de Freitas em sua última entrevista: a eleição passou, mas o Brasil continua. É preciso responsabilidade, inteligência política e, acima de tudo, um projeto de país.
A direita precisa se reorganizar, ampliar suas lideranças e, principalmente, retirar do peito a obrigação de carregar eternamente a etiqueta do bolsonarismo.
Isso não significa negar a importância política de Jair Bolsonaro ou desrespeitar seus milhões de apoiadores. Significa compreender que a direita brasileira é muito maior do que uma pessoa, uma família ou um sobrenome.
Temos excelentes nomes, lideranças experientes e uma nova geração de políticos que precisam ser valorizados e preparados para as próximas eleições.
Mais do que nunca, é hora de aproveitar a expressiva representação conquistada no Senado e na Câmara dos Deputados para construir uma oposição firme, inteligente, estratégica e responsável. Uma oposição que fiscalize, cobre, apresente propostas e funcione como verdadeiro contrapeso ao governo.
Tenho profunda preocupação com o cenário econômico que se desenha para o próximo ano. Acredito que já no primeiro trimestre poderemos sentir consequências severas das escolhas econômicas feitas pelo próprio governo Lula. E, desta vez, depois de tantos anos no poder, será muito difícil recorrer ao velho discurso da “herança maldita” para justificar os próprios erros.
Quanto a Flávio Bolsonaro, que faça o trabalho político que entender necessário nos Estados Unidos e que seus advogados cumpram seu papel perante as instituições brasileiras. Mas precisamos compreender uma coisa: Não podemos ficar esperando que os Estados Unidos ou qualquer outra nação venham resolver os problemas que são nossos!!!
O futuro do Brasil será decidido pelos brasileiros, dentro das nossas instituições e por meio da nossa capacidade de organização política.
A oposição precisa deixar de ser apenas reativa e passar a ser propositiva. Precisa falar menos para os que já estão convencidos e dialogar mais com aqueles que pensam diferente. Precisa apresentar resultados, demonstrar os equívocos do atual governo e construir uma alternativa concreta, capaz de convencer a população de que o Brasil pode seguir outro caminho.
Continuo convencido de que o eleitorado brasileiro fez uma escolha equivocada ao conceder mais quatro anos de governo ao PT. Mas essa convicção, por si só, não muda absolutamente nada.
É hora de transformar indignação em organização, discurso em estratégia e oposição em um verdadeiro projeto de poder para o Brasil.
A direita precisa compreender que as próximas eleições começam agora. E que não basta ter razão: é preciso ter inteligência política para conquistar a confiança da maioria dos brasileiros.
Que Deus abençoe o nosso país!
** Luiz Moulon é advogado e presidente da OAB Seccional Guaçuí.
As informações/opiniões aqui escritas são de cunho pessoal e não necessariamente refletem os posicionamentos do AQUINOTICIAS.COM
