Saúde e Bem-estar

Automedicação e enxaqueca: uma combinação que pode agravar a doença

Apesar dos riscos, a automedicação nesses casos é comum entre os brasileiros

Automedicação e enxaqueca
Foto: Pixabay

Você está com dor de cabeça forte e pulsante novamente e decidiu tomar o analgésico que um amigo indicou, que é mais forte do que aquele que você usa normalmente e já não está fazendo efeito. Apesar de ser uma situação comum, a automedicação traz riscos à saúde do paciente, além de ser uma das principais causas da enxaqueca crônica.

Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aqui

Leia também: Transplante de ossos, já ouviu falar? Entenda como funciona

O neurologista Daniel Escobar explica que o consumo contínuo de analgésicos e anti inflamatórios altera o sistema de dor do corpo, criando um ciclo vicioso e perigoso. “Primeiro o paciente cria a tolerância à medicação, precisando aumentar a dose na hora da crise. O organismo se acostuma com o remédio e perde, cada vez mais, seus próprios mecanismos de regular a dor. Sem o analgésico, a dor vem mais forte, e mais analgésico precisa ser utilizado. Por fim, o organismo cria resistência aos remédios e deixa de responder mesmo com doses
elevadas”.

Automedicação e enxaqueca

Apesar dos riscos, a automedicação nesses casos é comum entre os brasileiros. Contudo, uma pesquisa da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) mostrou que 81% dos entrevistados se automedicam para tratar dor de cabeça e 50% das pessoas aceitam a indicação de remédios feita por não profissionais. O estudo mostrou ainda que metade dos entrevistados sofre com a doença de forma crônica e que eles são os que mais abusam do uso de analgésicos: mais de 70% disseram tomar três ou mais doses semanais do medicamento.

Assim, além do exagero nas medicações, muitos pacientes escolhem remédios que prejudicam mais do que reduzem a dor. Entre os mais comuns estão o Cefaliv, que tem cafeína em sua composição. Assim, podendo piorar a crise; e remédios com opioide, como o paracetamol com codeína e o tramadol. “Os opioides são medicações derivadas de morfina e trazem graves consequências relacionadas ao seu abuso, como a síndrome de dependência. Este já é um problema grave problema em países de primeiro mundo, como Estados Unidos”, alerta Escobar.

Aliás, o médico pontua, ainda, que os analgésicos são medicações necessárias e o problema está na forma indiscriminada com que se usa. Ou seja, sem um diagnóstico e orientação profissional adequada. “As pessoas usam remédios errados, com doses excessivas, e quando chegam ao especialista a dor já é diária e crônica, e a lista de analgésicos que já não resolvem mais é grande. É preciso entender que enxaqueca é uma doença que necessita de diagnóstico, com avaliação detalhada e individual, e tratamento adequado. Além das medicações que podem ser indicadas, é preciso ter uma mudança de estilo de vida, com melhoria da alimentação, inclusão de atividade física no dia a dia e uma boa rotina de sono”, recomenda.

Você no aquinoticias.com

Presenciou algo importante na sua cidade? Tem uma denúncia, reclamação ou um vídeo exclusivo? Sua sugestão pode virar notícia. Envie agora para o nosso WhatsApp: (28) 99991-7726