A dura vida de quem tem deficiência e vive no interior
Um dos principais obstáculos enfrentados pelas famílias no interior é a falta de estrutura e de profissionais capacitados para lidar com as necessidades específicas das pessoas com deficiência.

Por Marcel Carone
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiNo Brasil, as famílias que têm pessoas com deficiência e vivem no interior enfrentam uma série de desafios para terem acesso ao atendimento e às políticas públicas necessárias para garantir o bem-estar e a inclusão dessas pessoas. As dificuldades são ainda mais acentuadas quando comparadas às famílias que residem em áreas urbanas, onde os serviços e recursos estão mais concentrados.
Um dos principais obstáculos enfrentados pelas famílias no interior é a falta de estrutura e de profissionais capacitados para lidar com as necessidades específicas das pessoas com deficiência. Muitas vezes, as cidades menores não contam com centros especializados, como clínicas de habilitação e reabilitação, escolas inclusivas e centros de assistência social. Isso faz com que as famílias tenham que percorrer longas distâncias para buscar atendimento adequado, o que gera custos financeiros e dificuldades logísticas, isso inclui a falta de serviços, tais como fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psiquiatras, psicólogos e neurologistas. Muitas famílias percorrem longas distâncias para serem atendidas na região metropolitana e ainda dependem do transporte da prefeitura, uma jornada exaustiva e desumana, sem contar o suporte que necessitam para alimentação.
Outro desafio enfrentado pelas famílias é a falta de acessibilidade nas cidades do interior. Esse problema, eu diria, é cultural. A ausência de rampas, calçadas adaptadas, transporte público acessível e espaços inclusivos dificulta a mobilidade e a participação social das pessoas com deficiência. Isso limita as oportunidades de estudo, desenvolvimento, trabalho e lazer, contribuindo para a exclusão e a marginalização dessas pessoas.
É fundamental que os governantes e gestores públicos reconheçam a importância de garantir o acesso igualitário aos serviços e recursos em todas as regiões do país. Um bom exemplo de programa de governo que pode viabilizar bons profissionais, especialistas, e fazer com que permaneçam atendendo nas cidades mais distantes do interior é o Mais Médicos. Esse é um modelo que cairia muito bem também no atendimento às pessoas com deficiência, idosos e pessoas que temporariamente têm sua mobilidade comprometida.
Para superar essas dificuldades, é necessário um esforço conjunto entre o poder público, a sociedade civil e as próprias famílias. É fundamental tirar essas pessoas e seus desafios vividos diariamente da invisibilidade. Muito importante também é a ampliação da oferta de políticas públicas e programas de apoio financeiro, garantindo o suporte necessário para todos os cuidadores, que têm papel vital no auxílio às pessoas com necessidades especiais.
É necessário um esforço conjunto para superar essas dificuldades e garantir que todas as pessoas, independentemente de onde vivam, tenham acesso igualitário aos serviços e recursos necessários para uma vida digna e inclusiva.
Marcel Carone é jornalista, apresentador de tv, empresário, ativista social comprometido com a inclusão, Embaixador da Associação de Pais, Amigos e Pessoas com Síndrome de Down do Espírito Santo Vitória Down, Idealizador da “Brigada 21” e do “Pelotão 21”. É diplomado pela ADESG – Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra e Comendador do 38° Batalhão de Infantaria do Exército Brasileiro.
As informações/opiniões aqui escritas são de cunho pessoal e não necessariamente refletem os posicionamentos do AQUINOTICIAS.COM
