Irupi

‘Lar dos Velhinhos do Caparaó’ é interditado pela Justiça; entenda

A Promotoria argumenta que as condições enfrentadas pelos idosos são degradantes, classificando a situação como "extremamente delicada, para não dizer desumana".

CAMAG
Crédito da Foto: Reprodução | CAMAG

O juiz Daniel Barrioni de Oliveira determinou, no último dia 2 de abril, a interdição do Centro Assistencial Maria Giovannina Gallotti (CAMAG), popularmente conhecido como “Lar dos Velhinhos do Caparaó”, localizado no município de Irupi, região do Caparaó, após constatar graves irregularidades sanitárias e estruturais. A decisão atende a um pedido do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), que ajuizou Ação Civil Pública contra o CAMAG e os municípios de Irupi, Iúna, Ibatiba, Ibitirama e Muniz Freire.

De acordo com o MPES, o CAMAG funciona como Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI), mas não atende aos requisitos legais e sanitários para desempenhar suas atividades. A Promotoria de Justiça de Iúna instaurou inquérito civil para apurar as condições da instituição, que há anos é acompanhada por meio de fiscalizações, reuniões e recomendações formais.

Série de irregularidades

Relatórios do Centro de Apoio Operacional Cível e de Defesa da Cidadania (CACC) e da Vigilância Sanitária municipal apontam uma série de irregularidades, como dormitórios improvisados sem divisórias, alta temperatura nos ambientes, banheiros sem acessibilidade e obras em andamento que expõem os idosos a riscos, poeira e barulho. Ainda foram identificados problemas como infiltrações, armazenamento inadequado de materiais, medicamentos vencidos e ausência de rotina escrita para serviços essenciais como enfermagem, nutrição e limpeza.

Em setembro de 2023, uma inspeção da Vigilância Sanitária de Irupi recomendou 99 ações corretivas e firmou um Termo de Obrigações com a entidade. No entanto, em nova vistoria realizada em fevereiro de 2025, foi constatado que os problemas persistiam. O CAMAG, segundo o Ministério Público, opera com o alvará de funcionamento vencido desde dezembro de 2024 e sem condições mínimas para manter o acolhimento dos 42 idosos residentes.

Justificativas recorrentes

O MPES sustenta que as reformas no prédio não são acompanhadas por profissional técnico ou engenheiro civil, e que as obras têm sido justificativa recorrente da diretoria do CAMAG para não implementar as adequações exigidas pelos órgãos fiscalizadores. Em audiência extrajudicial realizada em novembro de 2024, a presidente da instituição afirmou que os problemas seriam resolvidos apenas após a conclusão das obras, sem apresentar prazos concretos ou soluções emergenciais.

Na decisão judicial, o magistrado determinou que o CAMAG está proibido de receber novos usuários e que todos os idosos sejam transferidos para ILPIs regulares ou reinseridos em seus lares familiares no prazo de 60 dias. O descumprimento implicará multa de R$ 20 mil. Caso a medida não seja cumprida, os cinco municípios acionados deverão realizar as transferências em igual prazo, sob pena de multa de R$ 30 mil.

Condições degradantes

A Promotoria argumenta que as condições enfrentadas pelos idosos são degradantes, classificando a situação como “extremamente delicada, para não dizer desumana”. Entre os problemas relatados estão o calor excessivo, falta de ventilação, presença de moscas, ausência de portas nos banheiros e vazamento de substâncias potencialmente contaminadas na lavanderia.

O que diz o CAMAG?

A reportagem procurou a diretoria do Centro Assistencial Maria Giovannina Gallotti para comentar as denúncias e a decisão judicial, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.

O que dizem as prefeituras citadas?

Entre as prefeituras citadas na ação que envolve o Centro de Acolhimento de Idosos CAMAG, localizado em Irupi, apenas a Prefeitura de Ibatiba se manifestou oficialmente até o momento. Em nota, a administração destacou que a instituição acolheu, ao longo dos anos, idosos de diversas cidades da região do Caparaó, inclusive do próprio município.

Segundo a prefeitura, muitos dos acolhidos mantêm vínculos familiares e afetivos com moradores de Ibatiba, o que justifica a atenção dedicada ao caso. “Acompanhamos com respeito a decisão judicial e seus desdobramentos”, diz o comunicado.

A gestão municipal reafirmou seu compromisso com a dignidade da pessoa idosa e com a garantia dos direitos previstos no Estatuto do Idoso e nas políticas públicas de assistência social. A nota ressalta que a prioridade, neste momento, é assegurar que nenhum idoso fique desamparado.

A Prefeitura de Ibatiba também se colocou à disposição das autoridades envolvidas no caso — incluindo Ministério Público, Poder Judiciário, Secretaria Estadual de Assistência Social e a Prefeitura de Irupi — para colaborar dentro dos limites legais e administrativos. O objetivo, segundo a nota, é garantir uma transição segura e respeitosa.

Por fim, o município expressou solidariedade aos profissionais, familiares e, principalmente, aos idosos acolhidos, reforçando o compromisso com a valorização da vida e o cuidado com os mais vulneráveis.

O espaço segue aberto para que as demais Prefeituras citadas se manifestarem.

Veja o vídeo:

Imagens: Reprodução | Redes Sociais
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aqui

Você no aquinoticias.com

Presenciou algo importante na sua cidade? Tem uma denúncia, reclamação ou um vídeo exclusivo? Sua sugestão pode virar notícia. Envie agora para o nosso WhatsApp: (28) 99991-7726