Política Regional

A pressão seletiva sobre o governo e o cálculo político de Pazolini

O principal desafio para Pazolini está justamente na fragilidade das alianças que ele, ou o grupo político ao qual está vinculado, imaginava ter como garantidas.

Imagem ilustra prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini
Foto: Wellington Abner/Assembléia Legislativa do ES

Chama atenção, no atual cenário político capixaba, o fato de o prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini não imprimir ao governo do Estado do Espírito Santo o mesmo grau de pressão e enfrentamento que se observa em outros momentos e com outros atores políticos. Essa postura mais contida não parece casual. Ela revela um cálculo político condicionado por um cenário partidário cada vez mais fluido e menos previsível, especialmente no campo da direita.

O principal desafio para Pazolini está justamente na fragilidade das alianças que ele, ou o grupo político ao qual está vinculado, imaginava ter como garantidas. Dois dos partidos que poderiam lhe oferecer sustentação, o Progressista e União Brasil, foram oficialmente liberados por suas direções nacionais para que suas bancadas estaduais e lideranças regionais definam, de forma autônoma, quais candidaturas apoiarão em cada estado.

Na prática, isso desmonta a ideia de uma base nacional sólida e ideologicamente coerente. Esses partidos podem, sem qualquer constrangimento, apoiar candidatos do PT em estados do Nordeste e, simultaneamente, caminhar com nomes da direita no Sul e Sudeste. A lógica deixa de ser ideológica e passa a ser pragmática, regional e, sobretudo, local.

Esse movimento muda completamente o tabuleiro político. Pazolini contava com o respaldo de uma direita mais orgânica, alinhada nacionalmente, que lhe desse musculatura política para tensionar o Palácio Anchieta. Mas esse apoio pode simplesmente não se materializar. A liberação das direções nacionais expõe o prefeito a um cenário de incerteza, em que alianças precisam ser negociadas caso a caso, líder a líder.

No Espírito Santo, o exemplo mais emblemático está no Progressistas, partido que hoje está sob o comando estadual do deputado federal Da Vitória. Diferentemente do que ocorria em ciclos anteriores, não será a direção nacional quem definirá o posicionamento político no Estado. A decisão estará concentrada nas mãos da liderança local. Isso abre espaço para situações aparentemente contraditórias: o mesmo partido pode apoiar Tarcísio de Freitas em São Paulo e, ao mesmo tempo, caminhar com um candidato de esquerda no Espírito Santo.

Esse grau de autonomia regional fragiliza estratégias baseadas em alinhamentos automáticos. E ajuda a explicar por que Pazolini adota um discurso mais cauteloso em relação ao governo estadual. Sem a garantia de uma base forte e coesa à direita, qualquer movimento mais agressivo pode resultar em isolamento político, um risco alto em um ambiente já marcado por rearranjos e disputas silenciosas.

No fim das contas, o silêncio ou a pressão moderada dizem tanto quanto um ataque frontal. Revelam que, antes de confrontar o governo do Estado, Pazolini precisa resolver um problema mais básico: saber quem, de fato, estará ao seu lado quando a disputa se intensificar. Em um jogo em que as alianças são locais e as decisões são personalizadas, a prudência se torna menos uma escolha e mais uma necessidade.

Graduado em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade 2 de Julho e MBA em Comunicação Corporativa pela Unifacs, já trabalhou como produtor de jornalismo all news na Band News FM Salvador. Exerceu a função de assessor de imprensa e comunicação na Prefeitura de Madre de Deus, Grupo Varjão e Câmara Municipal de Salvador.