Por que 21 de abril é feriado nacional e qual a ligação com o Espírito Santo
O professor e historiador Diogo Lube esclarece os mitos e verdades sobre a data

O dia 21 de abril é feriado nacional no Brasil em homenagem a Joaquim José da Silva Xavier, considerado um dos principais símbolos da luta contra o domínio colonial português.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiConforme explica o professor e historiador Diogo Lube, a data marca a execução do alferes, no contexto da Inconfidência Mineira, movimento que pretendia romper com Portugal.
“Tiradentes foi preso em 1789. Sua pena foi no Rio de Janeiro, onde ele foi morto em 21 de abril de 1792, tendo o seu corpo espalhado em várias regiões de Minas Gerais”, explica o historiador.
Porém esse 21 de abril e a lembrança de Tiradentes só foi feita no período da República, porque a República precisava de um herói.
“Quem seria esse herói brasileiro? Que tal aquele cara, aquele militar que lá atrás, em nome da liberdade, morreu enforcado, esquartejado, para poder tentar libertar os brasileiros. Então, o Tiradentes acaba se transformando num herói, numa lenda pedagógica. E o dia 21 de abril passa a ser um feriado”, relata Lube.
Quem foi Tiradentes?
Tiradentes foi não só um dentista prático, mas ele foi um militar. Ele foi um alferes no período da mineração aqui no Brasil e ele tinha uma função muito importante, que era proteger as minas e os interesses de Portugal.
Entretanto, ele acabou entrando no movimento chamado Movimento da Inconfidência Mineira, que queria separar as Minas Gerais de Portugal, iniciando assim, quem sabe, um processo até de independência do Brasil, mas começando por Minas Gerais.
Mito ou verdade?
Mas Tiradentes realmente existiu ou é apenas um mito? Apesar dos relatos históricos, há estudiosos que contestam a figura representada ao longo dos anos pelos livros de história.
“Ele existiu, mas existem polêmicas em relação a figura do Tiradentes. Segundo um historiador chamado Júlio José Chiavenato, era muito difícil para um prisioneiro ficar barbudo e cabeludo, principalmente um militar, que tinha todo aquele regramento positivista militar. Então, a imagem de um Tiradentes barbudo e cabeludo é mais para lembrar a figura de Jesus Cristo. Alguém que morreu em nome da humanidade”, afirma o professor.
Qual a relação com o Espírito Santo?
O historiador Diogo Lube ainda explica que apesar de o Espírito Santo não ter protagonismo direto na Inconfidência Mineira, esteve inserido num contexto estratégico e político que moldou o movimento.
“O Espírito Santo era uma capitania. Pouco produtiva para Portugal. Foi liderada pela família do Vasco Fernandes Coutinho. Só que o Espírito Santo nunca foi lucrativo para a coroa portuguesa. Chegou a ser vendido para a Bahia. No período da mineração, foi devolvido para a coroa portuguesa”, afirma.
O professor também ressalta que nesse período, o Espírito Santo virou uma espécie de forte, servindo de barreira natural para impedir que o contrabando saísse das Minas Gerais pelo litoral.
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