Cultura

Teatro infantil percorre cidades do ES com história afro-brasileira

A montagem aborda aspectos da cultura afro-brasileira e apresenta temas como amizade, coragem e amor por meio de narrativas que destacam o uso dos próprios dons para o bem.

Teatro infantil
Foto: Divulgação

A partir do dia 24 de abril, a Companhia Mais Um Ponto, Mais Um Conto inicia a circulação do espetáculo infantil Calunga: A Princesa que Virou Boneca por diferentes regiões do Espírito Santo. Criado e montado com recursos da Lei Paulo Gustavo, em 2024, o espetáculo ganhou destaque já em sua estreia pela sensibilidade com que aborda temas complexos, conquistando o público infantojuvenil e gerando forte repercussão por onde passou.

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A temporada percorre os municípios de Anchieta, Serra, Colatina, Vitória e Guaçuí. A proposta é levar ao público uma narrativa que articula ancestralidade, cultura popular e protagonismo negro, ampliando o acesso à arte e fortalecendo o diálogo com diferentes comunidades.

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A obra

A montagem aborda aspectos da cultura afro-brasileira e apresenta temas como amizade, coragem e amor por meio de narrativas que destacam o uso dos próprios dons para o bem. A obra acompanha a trajetória de uma princesa destemida que, em sua jornada, descobre o verdadeiro significado de pertencimento até que um acontecimento inesperado transforma seu destino: para cumprir sua missão, Calunga se torna boneca.

Com uma linguagem que integra oralidade, dramatização, dança, manipulação de bonecos, projeções e música, o espetáculo constrói uma experiência cênica imersiva e sensível para o público infantil. De forma leve e lúdica, a narrativa dialoga com referências da cultura popular afro-brasileira e capixaba, conectando a história de Calunga à Lenda da Casaca.

A origem da personagem está ligada aos vínculos ancestrais entre países do continente africano e o Brasil. No contexto brasileiro, a Calunga é um elemento sagrado, com relação direta com o Maracatu, tradição do Nordeste, e que também se associa ao Congo capixaba. Ao trazer essa simbologia para o centro da cena, o espetáculo fortalece a presença de uma menina negra em lugar de protagonismo e reafirma a importância de narrativas construídas a partir de perspectivas negras.

A obra também valoriza o papel dos griôs como guardiões e multiplicadores de saberes, colocando a história, a oralidade e a literatura negra como bases fundamentais para a construção de uma sociedade culturalmente consciente. A proposta dialoga diretamente com as Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tratam da obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena.

Reconhecimento

Reconhecido nacionalmente, Calunga foi destaque no Festival Nacional de Teatro de Guaçuí — um dos mais importantes eventos das artes cênicas no país —, onde conquistou oito dos dez prêmios da categoria, incluindo Melhor Espetáculo para Infância e Juventude, Direção, Texto, Atriz, Ator Coadjuvante, Iluminação, Cenografia e Trilha Original, além de um prêmio especial do júri pela forma sensível com que aborda temas complexos. Durante o festival, o espetáculo também recebeu a avaliação de um dos jurados como “uma obra de utilidade pública”, reafirmando sua relevância artística e social.

Criadora do espetáculo, Eliane Correia destaca que “a obra dialoga com a realidade de inúmeras meninas pretas que não se veem representadas em nossas literaturas para infância e juventude, é uma forma de mostrar que também existem princesas negras e que nem toda princesa é educada só para enfeitar palácios.

A partir de uma pesquisa histórica que reúne depoimentos, dança, musicalidade e elementos lúdicos, buscamos recontar a história de Calunga para despertar o pertencimento cultural e valorizar narrativas de luta, resistência e conquistas de crianças negras. Promovendo o protagonismo infantil a partir de suas raízes ancestrais.”

Ações formativas

Além das apresentações, o projeto realiza a oficina “Boneca Abayomi: Afeto, Cultura e Identidade”, voltada para meninas de 6 a 12 anos, totalmente gratuita e aberta ao público . A atividade propõe uma vivência educativa e cultural por meio da confecção artesanal das bonecas Abayomi, feitas com retalhos de tecido e sem o uso de costura. A oficina integra história, arte e expressão, estimulando a criatividade, o fortalecimento da autoestima e o reconhecimento da identidade cultural, além de promover valores como respeito, empatia e convivência coletiva. Com duração de quatro horas, a metodologia inclui roda de conversa, momento de criação e encerramento simbólico com práticas culturais.

Acessibilidade

O projeto também contará com recursos de acessibilidade, incluindo intérprete de Libras e dispositivos de apoio para pessoas com sensibilidade sensorial, garantindo maior equidade no acesso às apresentações.

Sobre a companhia

A CIA “Mais Um Ponto, Mais Um Conto” reúne artistas e contadores de histórias que desenvolvem pesquisas sobre narrativas populares e autorais, atuando na difusão da cultura brasileira por meio da literatura, da música e do audiovisual. O grupo também realiza oficinas, intervenções artísticas, ações formativas em escolas, comunidades e eventos culturais.

Funcultura

O projeto é realizado com recursos do Edital de Seleção de Projetos – 19/2024 – Culturas para Infâncias, por meio do FUNCULTURA, da Secretaria Estadual de Cultura do Espírito Santo e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura 2024, com apoio do Ministério da Cultura e do Governo Federal.

Ficha técnica:

Caio Pereira – Avó Iroko

Eliane Correia – Calunga

Direção- Eliane Correia e Ronny Pires

Iluminação – Carlos Ola e Matheus Soares

Sonoplastia- Eliane Correia e Gui Vieira

Contra-regra- Rosangela Correia

Cenografia- João Batista de Moraes

Serviço

Inscrições abertas para as oficinas formativas:

Público: meninas de 6 a 12 anos

Circulação:

24/04 – Anchieta

Oficina:
Horário: 8h às 12h no CRAS
Endereço: Rodovia Anchieta x Jabaquara, Nova Esperança, Anchieta – ES

Apresentação:
Horário: 14h
Espaço Cultural do Grupo de Teatro Rerigtiba
Endereço: Avenida Oliveira, nº 334, anexo, no bairro Justiça II

06/05 – Serra

Oficina:

Horário: 8h às 12h no Estação Cultura
Endereço: Av. Domingos José Martins, Serra – ES

Apresentação:

Horário: 14h

Espaço Cultura

Endereço: Av. Domingos José Martins, Serra – ES

07/05 – Colatina

Oficina:
Horário: 8h às 12h
Endereço: Auditório da EMEIEF Amélio Forechi
Apresentação:
Exclusiva para os alunos da EMEIEF Amélio Forechi

08/05 – Vitória
Oficina:
Horário: 8h às 12h Foyer Sônia Cabral
Endereço: Rua São Gonçalo, no Centro de Vitória – ES (Em frente ao Palácio Anchieta)

Apresentação:
Horário: 14h

Endereço: Rua São Gonçalo, no Centro de Vitória – ES (Em frente ao Palácio Anchieta)

11/05 – Guaçuí
Oficina:
Horário: 8h às 12h
Endereço: Rua José Beato Sala 101, nº 144, Centro, Guaçuí – ES

Apresentação:
Horário: 14h
Endereço: Av. Gov. Lacerda de Aguiar, s/n – Centro, Guaçuí – ES

Todas as apresentações são gratuitas

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