MP Eleitoral aponta indício de fraude em pesquisa liderada por Pazolini
O Ministério Público pediu a suspenção da pesquisa do Instituto Veritá

O Ministério Público Eleitoral do Espírito Santo emitiu parecer favorável ao pedido de suspensão definitiva da pesquisa eleitoral registrada sob o número ES-06002/2026, realizada pelo Instituto Veritá. O documento aponta “gravíssimas falhas metodológicas” e indícios de manipulação na coleta de dados da pesquisa divulgada para os cargos de governador, senador, deputado federal e deputado estadual nas eleições de 2026.
A ação foi movida pelo diretório estadual do MDB, que questiona a metodologia utilizada pelo instituto. Segundo o parecer assinado pelo procurador regional eleitoral Paulo Augusto Guaresqui, a pesquisa apresentou forte concentração de entrevistas em Vitória, município administrado pelo então prefeito Lorenzo Pazolini, que aparece na liderança do levantamento.
De acordo com os autos, das 1.220 entrevistas realizadas, 514 ocorreram em Vitória, o equivalente a 42,13% da amostra total. No entanto, a capital representa apenas 8,89% do eleitorado estadual. O Ministério Público argumenta que isso gerou uma “hiper-representação” da cidade e favoreceu diretamente o desempenho do pré-candidato associado ao município.
O parecer também destaca a ausência de municípios considerados estratégicos no cenário eleitoral capixaba, como Serra, Vila Velha, São Mateus, Aracruz e Viana. Serra e Vila Velha, inclusive, são os dois maiores colégios eleitorais do Espírito Santo e não tiveram entrevistas registradas na pesquisa.
Segundo o Ministério Público Eleitoral, o Instituto Veritá declarou no sistema PesqEle que utilizaria o método PPT (Probabilidade Proporcional ao Tamanho), que exige proporcionalidade entre o tamanho do eleitorado e a distribuição das entrevistas. Para a Procuradoria, a execução da pesquisa destoou completamente do método anunciado.
O órgão afirma ainda que houve outra irregularidade: o questionário aplicado teria incluído perguntas sobre a eleição para presidente da República, apesar de esse cargo não constar oficialmente no registro da pesquisa. O entendimento do MP é que isso viola a Resolução nº 23.600/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pode influenciar as respostas dos entrevistados por meio do chamado “efeito de ancoragem”.
No parecer, a Procuradoria Regional Eleitoral pede:
* o cancelamento definitivo da pesquisa ES-06002/2026;
* a proibição da divulgação dos resultados;
* e a aplicação de multa máxima ao Instituto Veritá, prevista na legislação eleitoral.
O documento sustenta que as irregularidades comprometem a confiabilidade da pesquisa e podem interferir na formação da opinião do eleitorado capixaba.
O AQUINOTICIAS.COM fez contato com o Instituto Veritá, bem como com a assessoria de comunicação do pré-candidato Lorenzo Pazolini, mas não obteve retorno até o fechamento dessa matéria. Caso haja algum posicionamento, o texto será atualizado.
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