Preconceito ainda é um dos principais entraves para ampliar número de adoções no ES
Advogada especializada em Direito de Família Flavia Brandão explica que maior parte das famílias cadastradas busca bebês, preferencialmente meninas, brancas e sem problemas de saúde.

No Espírito Santo, 140 crianças e adolescentes aguardam por uma nova família, segundo dados do Tribunal de Justiça do Estado (TJES). Apesar da existência de centenas de pretendentes habilitados para adoção no estado, o principal obstáculo continua sendo o desencontro entre o perfil desejado pelos adotantes e a realidade das crianças disponíveis para adoção.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiA maior parte das famílias cadastradas busca bebês, preferencialmente meninas, brancas e sem problemas de saúde. Em contrapartida, muitas das crianças aptas para adoção são mais velhas, fazem parte de grupos de irmãos ou possuem alguma deficiência ou condição de saúde, cenário que evidencia o desafio da chamada adoção tardia.
Preconceito ainda é um dos principais entraves para ampliar o número de adoções no país, aponta especialista

A advogada especializada em Direito de Família, Flavia Brandão, explica que o preconceito ainda é um dos principais entraves para ampliar o número de adoções no país.
“A adoção tardia é aquela adoção de crianças maiores de cinco, seis anos de idade. E o maior desafio é vencer o preconceito, porque muitas pessoas desejam receber bebês, inclusive saudáveis, brancos e meninas, que são as escolhas principais. Vencer essa barreira e querer uma criança mais velha é o maior desafio da adoção tardia”, afirma.
Além da idade, grupos de irmãos também enfrentam dificuldades para encontrar famílias. Isso porque a legislação prioriza que os irmãos permaneçam juntos durante o processo de adoção, preservando vínculos afetivos e emocionais já existentes.
Projeto do Tribunal de Justiça busca ampliar adoções no Estado
Para enfrentar esse cenário, o Poder Judiciário capixaba criou o projeto “Esperando por Você”, iniciativa voltada à promoção da adoção de adolescentes, grupos de irmãos e crianças com deficiência.
O projeto tem como objetivo dar visibilidade às histórias das crianças e adolescentes aptos para adoção e aproximá-los de possíveis famílias interessadas. A iniciativa já ajudou a transformar a vida de mais de 40 meninos e meninas, que hoje vivem com suas novas famílias.
A proposta busca humanizar o processo de adoção, mostrando que a construção de vínculos familiares vai além da idade ou de características físicas. Os vídeos e apresentações divulgados pelo projeto mostram talentos, sonhos, hobbies e personalidades das crianças e adolescentes acolhidos.
Além de incentivar novas adoções, o projeto também contribui para quebrar preconceitos e estimular reflexões sobre o verdadeiro significado da formação de uma família.
Papel do Judiciário é decisivo durante o processo de adoção
O trabalho do Poder Judiciário é fundamental para garantir segurança jurídica e emocional durante todas as etapas da adoção.
A advogada destaca que a atuação não se resume à decisão do juiz. Todo o processo envolve equipes multidisciplinares formadas por psicólogos e assistentes sociais, responsáveis por acompanhar tanto os pretendentes quanto as crianças e adolescentes.
“O papel do Judiciário é fundamental porque é o juiz quem dá a palavra final. É ele que garante que a lei está sendo cumprida e que a adoção será o melhor para essa criança”, explica Brandão.
A especialista ainda ressalta que a preparação das famílias é uma das fases mais importantes do processo.
“Nos cursos e nas visitas, tiram dúvidas, avaliam se os pais estão prontos, conversam com as crianças, quando são maiores, explicam sobre a família. Ou seja, fazem todo o trabalho no estágio de convivência entre a família e a criança. A equipe acompanha tudo de perto. Na verdade, essa equipe é a ponte para que tudo efetivamente dê certo”, completa a advogada.
Como funciona o processo de adoção no Brasil
O processo de adoção no Brasil segue regras definidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pelo Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA).
Para adotar, os interessados precisam passar por uma série de etapas obrigatórias, que incluem:
Etapas para adoção
- Procura da Vara da Infância e Juventude;
- Entrega de documentos pessoais;
- Participação em entrevistas psicossociais;
- Realização de curso preparatório;
- Avaliação técnica;
- Habilitação judicial;
- Inclusão no Sistema Nacional de Adoção;
- Compatibilidade de perfil;
- Estágio de convivência;
- Sentença de adoção.
Após a habilitação, os pretendentes passam a integrar o cadastro nacional e aguardam a compatibilidade com o perfil escolhido.
Como acessar a lista de crianças aptas para adoção no Espírito Santo
Os interessados em conhecer o projeto ou obter mais informações sobre adoção podem acessar o portal oficial “Esperando por Você”, mantido pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo.
Tutorial: como acessar o portal “Esperando por Você”
1. Entre no site oficial
Acesse o portal do projeto pelo endereço:
Projeto Esperando por Você – Tribunal de Justiça do Espírito Santo
2. Conheça as histórias das crianças e adolescentes
Na página inicial, é possível visualizar informações e apresentações de crianças e adolescentes aptos para adoção no Espírito Santo.
O portal reúne perfis autorizados judicialmente para divulgação, respeitando critérios legais e de proteção à imagem dos menores.
3. Leia as orientações sobre adoção
O site também disponibiliza conteúdos explicativos sobre:
- Como funciona a adoção;
- Quem pode adotar;
- Etapas do processo;
- Regras da habilitação;
- Direitos das crianças e adolescentes;
- Informações sobre adoção tardia.
4. Procure a Vara da Infância e Juventude
Caso haja interesse em iniciar o processo de adoção, o próximo passo é procurar a Vara da Infância e Juventude da cidade onde o pretendente reside.
A habilitação é obrigatória para participação no Sistema Nacional de Adoção.
5. Participe da preparação obrigatória
Os candidatos passam por cursos, entrevistas e avaliações conduzidas pela equipe técnica do Judiciário antes da autorização final.
6. Aguarde a compatibilidade de perfil
Após a habilitação, os pretendentes aguardam o cruzamento de informações entre o perfil desejado e as crianças disponíveis para adoção.
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