Sul do Espírito Santo pode consolidar forte representatividade política nas eleições de 2026
Renato Casagrande, Evair de Melo e Ricardo Ferraço podem colocar o Sul capixaba no centro das decisões do Estado e do país

O Sul do Espírito Santo pode estar diante de uma oportunidade política rara. As eleições de 2026 colocam no tabuleiro uma verdadeira trinca de lideranças nascidas no Sul capixaba: Renato Casagrande (PSB) e Evair de Melo (Republicanos) na disputa pelo Senado Federal e Ricardo Ferraço (MDB) na corrida pelo Governo do Estado.
Não se trata apenas de três nomes conhecidos da política capixaba. Trata-se de três lideranças que carregam em suas trajetórias a marca de uma região que, historicamente, soube produzir quadros capazes de ocupar os mais importantes espaços da política estadual e nacional.
E, na minha avaliação, o Sul do Espírito Santo não deveria tratar essa possibilidade como algo comum. Ter, ao mesmo tempo, dois representantes do Sul no Senado e um governador também nascido na região seria uma conquista política de enorme dimensão. Seria uma oportunidade para que o Sul tivesse voz forte e articulada na definição dos rumos do Espírito Santo e também na relação com o Governo Federal.
Uma tradição que o Sul construiu
O Sul capixaba não começou agora a revelar grandes lideranças. A região já deu ao Espírito Santo nomes como Paulo Hartung e Gerson Camata, ambos ex-governadores e ex-senadores, que fizeram história na política capixaba.
Gerson Camata, nascido em Castelo, chegou ao Governo do Estado e posteriormente ao Senado Federal. Paulo Hartung, natural de Guaçuí, também construiu uma trajetória que o levou ao Senado e ao Governo do Espírito Santo.
Existe, portanto, uma espécie de tradição política sulista. Uma tradição de formar lideranças que conseguem sair das fronteiras dos seus municípios e alcançar o comando do Estado e a representação no Congresso Nacional.
Agora, décadas depois, surge novamente a possibilidade de uma geração de políticos com raízes no Sul ocupar simultaneamente espaços de enorme relevância.
A força de uma região que quer continuar crescendo
O Sul capixaba tem motivos para olhar essa eleição com atenção. É uma região com forte atividade agrícola, industrial, comercial e turística, além de possuir enorme potencial em áreas como logística, infraestrutura, energia, mineração, serviços e agronegócio.
Nos últimos anos, municípios do Sul vêm buscando ampliar sua participação no desenvolvimento econômico do Espírito Santo. E política, gostemos ou não, tem relação direta com a capacidade de uma região conseguir investimentos, obras, infraestrutura e oportunidades.
É evidente que um senador representa todo o Espírito Santo e que um governador governa para todos os capixabas. Mas também é perfeitamente legítimo que o eleitor do Sul reconheça que ter lideranças que conhecem de perto a realidade da região pode ser um ativo político importante.
Quem nasceu no Sul conhece suas estradas, suas cidades, suas dificuldades, seu potencial e suas demandas. Conhece a distância dos grandes centros, os desafios da infraestrutura e as necessidades de quem vive e trabalha longe da Grande Vitória.
Por isso, a origem regional não deve ser o único critério de escolha, mas tampouco precisa ser ignorada.
A trinca que pode fazer história
Renato Casagrande, Evair de Melo e Ricardo Ferraço pertencem a partidos diferentes e têm trajetórias políticas distintas. Não se trata, portanto, de uma aliança partidária.
A “trinca do Sul” é, acima de tudo, uma convergência de origem regional. Casagrande nasceu em Castelo. Evair de Melo, em Conceição do Castelo. Ricardo Ferraço, em Cachoeiro de Itapemirim.
Três municípios do Sul capixaba que ajudaram a formar três políticos que hoje disputam os cargos mais importantes da política estadual e federal.
E aqui está o ponto que merece reflexão: quantas vezes uma região terá a possibilidade de colocar dois senadores e um governador, todos com raízes no Sul do Estado?
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