Agricultura familiar e cooperativas: parceria que alimenta o Brasil

Aliança gera renda e garante acesso a mercados para quem vive do campo. Cooperativismo também fomenta o desenvolvimento regional e a segurança alimentar

Foto: Divulgação/OCB-ES

Por Carlos André Santos de Oliveira

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De onde vem o que comemos? Essa reflexão nos instiga a pensar nas pessoas que estão por trás dos alimentos que chegam à nossa mesa. No Brasil, são os pequenos produtores que se destacam no cultivo de legumes, frutas, hortaliças e tubérculos, produção pescados e outros itens.

As cooperativas de agricultura familiar têm um papel central na vida desses trabalhadores. Elas ajudam famílias a melhorarem a sua produtividade e a escoarem os alimentos, pois quando o produto tem um destino e comprador certos, investir na lavoura se torna seguro e estratégico.

O modelo de negócio também se destaca por incentivar a diversificação da produção de alimentos, valorizar a sustentabilidade, gerar renda justa para os produtores cooperados e contribuir com o desenvolvimento das regiões em que está presente.

De acordo com o Sistema OCB Nacional, mais de 70% do quadro social do cooperativismo brasileiro é formado por produtores rurais da agricultura familiar. Isso significa que o movimento contribui para impulsionar o trabalho de quem atua em pequena e média escala, oportunizando acesso a mercados que, sozinhas, as famílias teriam dificuldades de aproveitar.

Um exemplo claro disso é a ponte que as cooperativas do Espírito Santo fazem entre cooperados e o setor público. Por meio de compras governamentais, boa parte dos alimentos produzidos nas zonas rurais do estado abastecem escolas públicas e integram o cardápio da merenda de diversos estudantes. Além da rede estadual capixaba, as coops fornecem itens para instituições de ensino de outros estados da região Sudeste.

Dados da edição mais recente do Anuário do Cooperativismo Capixaba revelam que, em 2024, os produtos das cooperativas agropecuárias capixabas atenderam 384 escolas públicas e beneficiaram mais de 98 mil alunos. No ano, elas comercializaram mais de R$ 16 milhões por meio dos programas de alimentação governamental PAA e Pnae.

Essa dinâmica beneficia as duas pontas: os agricultores, que têm suas vendas garantidas, e os alunos, ao saborearem alimentos frescos e saudáveis. É um círculo virtuoso criado pela atuação coordenada das cooperativas em parceria com os órgãos públicos.

Apesar dos avanços, alguns desafios ainda são significativos no segmento. Acesso à tecnologia, infraestrutura logística, custos de produção e sucessão no campo seguem como pontos de atenção. O modelo cooperativista contribui para minimizar esses obstáculos, promovendo soluções compartilhadas que reduzem riscos e ampliam oportunidades.

Outro diferencial é que as cooperativas agregam valor à produção. Ao investir em beneficiamento, padronização, rastreabilidade e melhoria da qualidade dos produtos, os agricultores conseguem firmar negócios com compradores mais exigentes e melhorar sua renda.

A assistência técnica e a capacitação contínua também são pilares importantes no cooperativismo. Por meio de treinamentos e orientação especializada, os agricultores passam a adotar práticas mais eficientes, sem abrir mão da qualidade. Esse processo contribui para a permanência das famílias no campo, reduzindo o êxodo rural e fortalecendo as economias locais.

A parceria entre agricultura familiar e cooperativismo, portanto, vai além da produção de alimentos. Ela representa uma estratégia de desenvolvimento que integra inclusão produtiva, segurança alimentar e fortalecimento regional. Ao conectar produtores e mercados de forma estruturada, o modelo de negócio contribui para que o alimento que chega à mesa dos brasileiros seja resultado de um sistema mais justo, eficiente e sustentável.

Valorizar essa conexão é reconhecer o papel de milhares de famílias que, organizadas em cooperativas, ajudam a alimentar o país todos os dias.

*** Carlos André Santos de Oliveira é diretor-executivo do Sistema OCB/ES e vice-presidente do Sebrae/ES.

As informações/opiniões aqui escritas são de cunho pessoal e não necessariamente refletem os posicionamentos do AQUINOTICIAS.COM