Autonomia e saúde mental

Poucas palavras são tão mal compreendidas quanto autonomia. Para muitas pessoas, ser autônomo significa não depender de ninguém.

Foto: Ilustrativa/Magnific

Por Pe. José Carlos Ferreira da Silva

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Poucas palavras são tão mal compreendidas quanto autonomia. Para muitas pessoas, ser autônomo significa não depender de ninguém. Na prática, porém, autonomia não é isolamento nem independência absoluta. É a capacidade de fazer escolhas conscientes, assumindo a responsabilidade pela própria vida.

Todos nós vivemos cercados por influências. A família, a cultura, os amigos e a sociedade moldam nossos valores e comportamentos. Isso é natural. O problema surge quando deixamos de decidir por convicção e passamos a viver apenas para atender às expectativas dos outros. Nesse momento, perdemos algo essencial: a sensação de que somos protagonistas da nossa própria história.

Pessoas psicologicamente saudáveis costumam experimentar um senso de autonomia. Elas refletem antes de agir, reconhecem seus valores e procuram alinhar suas decisões com aquilo que consideram importante. Isso não significa acertar sempre. Significa viver de forma coerente, mesmo quando as escolhas envolvem riscos ou exigem coragem.

A autonomia também está ligada à responsabilidade. Não basta querer liberdade; é preciso assumir as consequências das próprias decisões. Quem transfere constantemente a culpa para as circunstâncias ou para outras pessoas dificilmente desenvolve um verdadeiro senso de autonomia.

É importante destacar que autonomia não elimina a necessidade dos vínculos. Pelo contrário. Relações saudáveis fortalecem nossa capacidade de decidir, porque oferecem apoio sem controlar. Os melhores relacionamentos são aqueles que nos encorajam a crescer, e não aqueles que determinam quem devemos ser.

Em um mundo repleto de opiniões, algoritmos e pressões sociais, preservar a autonomia tornou-se um desafio diário. Talvez a pergunta mais importante não seja “O que esperam de mim?”, mas “Que tipo de pessoa desejo me tornar?”. A resposta não virá de fora. Ela nasce da reflexão, do autoconhecimento e da coragem de viver uma vida que faça sentido para quem a vive.

*** Pe. José Carlos Ferreira da Silva é autor do livro Feridas Invisíveis: a realidade do sofrimento psíquico em padres e pastores decorrente da prática pastoral – Editora Dialética.  É Mestre em Ciências da Religião, Jornalista e Psicólogo. Atualmente é Vigário Episcopal para Comunicação da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, Pároco da Paróquia Nosso Senhor dos Passos, bairro Independência, Cachoeiro de Itapemirim. Membro das Academia Cachoeirense de Letras.

As informações/opiniões aqui escritas são de cunho pessoal e não necessariamente refletem os posicionamentos do AQUINOTICIAS.COM