Meio ambiente também se decide nas urnas
Presidente do ISB cobra dos candidatos compromissos claros com prevenção, fiscalização e adaptação às mudanças climáticas

No dia 4 de outubro, mais de 158 milhões de brasileiros estarão aptos a escolher presidente da República, governadores, senadores e deputados federais e estaduais ou distritais. Cada voto ajudará a definir a maneira como o Brasil enfrentará um dos maiores desafios de nosso tempo: a crise ambiental e climática.
Receba as principais notícias no seu WhatsApp! clique aquiNão estamos diante de uma preocupação distante. O El Niño já está em fortalecimento e deve influenciar o clima nos próximos meses. O fenômeno não é sinônimo de aquecimento global, mas seus efeitos se somam a um planeta mais quente e podem ampliar riscos como estiagens, chuvas intensas, ondas de calor e perdas na produção agrícola. Aquilo que durante anos foi tratado como uma previsão para o futuro já bate à nossa porta e interfere na economia, na segurança alimentar, no abastecimento de água, na saúde e na vida das cidades.
No Espírito Santo, essa realidade é especialmente próxima. Somos um estado com forte produção agropecuária, extensa faixa litorânea, municípios sujeitos a inundações e deslizamentos e regiões que convivem com períodos de escassez hídrica. Quando o clima se desequilibra, o impacto chega à lavoura, ao preço dos alimentos, às estradas, às casas, ao turismo e aos serviços públicos. Por isso, a pauta ambiental não pode aparecer nos programas de governo como um apêndice genérico, repleto de boas intenções e sem metas verificáveis.
Também é preciso olhar com muita atenção para o Legislativo. Deputados e senadores decidem sobre licenciamento ambiental, proteção de florestas, recursos hídricos, energia, mineração, uso do solo e fiscalização. Em 2025, por exemplo, o Congresso derrubou 52 pontos de vetos presidenciais à Lei Geral do Licenciamento Ambiental, restabelecendo dispositivos relacionados, entre outros temas, à dispensa e à simplificação de procedimentos. Independentemente da posição política de cada eleitor, esse episódio mostra quanto uma composição parlamentar pode alterar as regras de proteção ambiental do país.
O mesmo cuidado deve orientar decisões sobre novas fronteiras de petróleo, como a autorização para a perfuração de um poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá. Não se trata de rejeitar qualquer atividade econômica de forma automática, mas de exigir transparência, avaliação técnica, prevenção de riscos e debate sobre a coerência entre a expansão dos combustíveis fósseis e os acordos climáticos assumidos pelo Brasil.
E esse compromisso com o meio ambiente deve ir além. Nas eleições deste ano, candidatos ao Executivo precisam explicar como pretendem preparar estados e o país para eventos climáticos extremos, financiar ações preventivas, proteger mananciais, apoiar a agricultura, fortalecer a Defesa Civil e reduzir emissões. Já os candidatos ao Legislativo devem dizer claramente como votarão em projetos que possam ampliar ou enfraquecer a proteção ambiental. Também precisam informar se defenderão orçamento para fiscalização, pesquisa, adaptação climática e recuperação de áreas degradadas.
Aos candidatos capixabas, cabe um compromisso ainda mais direto com as características do nosso território. O Espírito Santo precisa de representantes que compreendam a relação entre meio ambiente e desenvolvimento regional, que protejam a produção rural diante das mudanças do clima e que reconheçam o valor econômico e social de nossas águas, florestas, montanhas e litoral. Defender essa agenda significa criar condições para que a produção, o emprego e a renda continuem existindo no futuro.
A defesa ambiental não pertence a um partido e nem deve ser usada apenas como peça de campanha. Ela é uma responsabilidade pública e uma condição para o desenvolvimento duradouro. Em outubro, o meio ambiente também estará na urna, ainda que seu nome não apareça na tela. Cabe a cada um de nós perguntar, antes do voto, quem está realmente disposto a defendê-lo depois da eleição.
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